Luiza Lunardi

     A reunião mensal da Academia Nacional de Letras e Artes (ANLA) ocorreu no dia 10 de junho, na sede da Federação das Academias de Letras do Brasil, na Lapa. O evento homenageou a aldravia, estilo de arte criado na cidade de Mariana, em Minas Gerais. Presidida por Lucia Regina de Lucena, a ANLA recebeu os escritores Andreia Donadon Leal e José Benedito Donadon Leal para uma palestra sobre o assunto.

     No início da sessão, Lucia Regina ressaltou a importância da existência de um gênero artístico inteiramente brasileiro. “A cultura é que marca um povo. A Grécia Antiga é conhecida pelas artes, e não por Esparta, cidade da guerra”, brincou. A presidente da ANLA também enalteceu o encontro, e contou sobre suas expectativas. “Estamos muito felizes de abrir as portas para a aldravia. Esperamos que, a partir de hoje, nossos laços se estreitem e se consolidem”, afirmou.

     Estilo de arte que preza pela expressão da liberdade, a aldravia abrange as artes plásticas, mas tem como foco principal a poesia. Os poemas aldravistas são constituídos por seis versos de apenas uma palavra cada um, e começaram a ser publicados no ano de 2000, pelo Jornal Aldrava Cultural, veículo que deu origem ao movimento artístico. O termo “aldravia” deriva de “aldrava”, utensílio usado no século XVIII para se bater em portas. “O nosso objetivo foi fazer um tipo de poesia que pudesse bater em portas novas, fora da academia e de quem já tem conhecimento da literatura”, explica Andreia Donadon Leal, uma das fundadoras do gênero.

     Segundo o escritor José Benedito Donadon Leal, também criador do estilo, a aldravia surgiu da necessidade de democratização da poesia. “Conversávamos com outros poetas sobre estarmos em um beco sem saída. Havia uma guerra sendo travada com os leitores, que não compreendiam o que estava sendo dito”, conta. Para ele, a forma simples utilizada pelo movimento literário é o segredo para sua proximidade com o público. “O simples não é o mal feito, e sim o belo. Quanto mais próxima a linguagem usada é da fala do dia a dia, mais toca quem ouve ou lê”, completa.

     Com diversos projetos espalhados pelo Brasil, a importância da aldravia já é reconhecida internacionalmente nos dias de hoje. Prova disso são os diversos títulos, medalhas e honrarias de todo o mundo colecionados por Andreia e José Benedito “É motivo de muito orgulho para nós. Começamos pequenos, e crescemos de tal maneira que hoje já temos casos de estudantes de escola pública lançando livros com poesias e ilustrações aldravistas. Outro exemplo da nossa arte atravessando muros é que na Penitenciária de Tremembé, em São Paulo, os presos fundaram uma Academia de Letras própria a partir da aldravia”, relata Andreia, emocionada.

    A sessão da ANLA em homenagem ao movimento literário contou também com a presença da escritora Eliane Calixto, que possui trabalhos aldravistas. Eliane apresentou os seus textos e sua história com a literatura, e abriu a hora de arte da reunião, momento final do encontro, que deu exclusividade à recitação de aldravias.