Entre 21 de novembro e 13 de dezembro, o artista plástico Carlomagno expõe 12 telas na Galeria Gotlib, em Copacabana, em homenagem ao universo do transformismo. Os trabalhos marcam a nova fase de sua carreira, com pinturas contemporâneas, e retratam personagens e detalhes da transformista Lorna Washington, escolhida como exemplo para representar os demais nomes envolvidos com esse tipo de arte.

“Fui ao Parque Lage (estudar na Escola de Artes Visuais) porque estava meio enjoado com o meu trabalho. Achava que tava fazendo uma releitura de mim mesmo e aquilo estava, de certa forma, me incomodando”, cita o artista, atualmente acompanhado pelos professores Luiz Ernesto de Moraes e Bruno Miguel de Ajuda, além de estudar também com Chico Cunha, frisando que apesar do novo estilo de suas criações, manteve a técnica que o consagrou.

“Um dia, caí num conceito onde eu tinha a oportunidade de mostrar o mundo do transformismo. Esse trabalho foi muito elogiado”, continua, mencionando que uma das telas retratava Lorna Washington. “Acabei ficando muito amigo daquele ser humano chamado Celso Paulino, que é uma pessoa de uma bondade, uma caridade, de uma missão aqui nessa terra muito importante! Lorna me apresentou um trabalho social que ele fazia, que começou com a transformista Luana Muniz. Esse programa é para alimentar, vestir e medicar nossos irmãos da rua, que sofrem preconceito. Ficamos sabendo alguns pontos da cidade onde eles se reúnem, porque moram na rua por terem perdido seus empregos, suas casas, suas famílias, mas não perderam a dignidade”.

Carlomagno destaca que Lorna divulga o projeto, apadrinhado pela cantora Alcione, em todos os shows. “Ela (também) sempre comenta: se alguém quiser me homenagear, me homenageie em vida porque morta não vou poder agradecer. Flor, não vou poder sentir o cheiro. Me dê tudo isso em vida”. Surgiu, então, a inspiração de sua exposição, com 12 telas mostrando personagens interpretados pela artista, como sua representação da personagem Karla Zachannassian, vivida por Ingrid Bergman no filme “A Visita da Velha Senhora” (Friedrich Dürrenmatt, 1964); e suas versões de Dercy Gonçalves e Virgínia Lane.

Em uma das pinturas, a transformista aparece fazendo propaganda de preservativo, papel destacado por Carlomagno. “Isso é uma coisa de outra ONG que trabalhamos, o Grupo Pela Vida. A gente se depara com muito jovem indo a óbito porque não sabe o que está acontecendo e quando descobre, é HIV positivo e já é tarde demais. Eu fui para lá fazer um workshop para criar um tipo de recreação para essas pessoas que estão em depressão e acabam se encantando com alguma coisa nova para fazer”, analisa. Detalhes de figurinos, como um anel em formato de borboleta enfeitado com strass, dentre outras joias, também são exaltados pelo artista. “Todo transformista trabalha no exagero. Foi exatamente esse exagero que me trouxe, hoje, o conceito do excesso. É algo que estou trabalhando e ainda não mostrei”, finaliza.

Serviço:

Exposição do artista plástico Carlomagno

Galeria Gotlib (Shopping Cassino Atlântico – Avenida Atlântica, 4.240 – Loja 312)

De 21 de novembro a 13 de dezembro

Entrada franca