O Dia Mundial dos Oceanos foi comemorado em 9 de junho e para marcar a data, a Praça Almirante Júlio de Noronha recebeu, no dia seguinte, atividades diversas através do evento “Marcha Pelos Oceanos”. Ativistas ambientais se reuniram com grande público, composto por todas as faixas etárias, para confeccionar cartazes que foram usados para chamar atenção para a causa na caminhada. As crianças ainda puderam conferir um espetáculo teatral abordando assuntos como preservação do meio ambiente de forma lúdica.

A “Marcha Pelos Oceanos” aconteceu simultaneamente em diversos lugares do mundo. A edição carioca foi a primeira realizada no Brasil, por iniciativa da WWF-Brasil com organizações parceiras, cidade apontada pela coordenadora Anna Carolina Lobo como de extrema importância para receber ações como esta. “O Rio está entre as 40 cidades que mais poluem os oceanos. Só através da conscientização e do trabalho conjunto que conseguiremos resultados”, sugere.

Inicialmente, os participantes pintaram suas mensagens, escritas ou desenhadas, em cartolinas distribuídas. A maior parte apontava os perigos do lixo marinho, em especial sacolas plásticas. Houve também quem registrasse suas manifestações na parte de trás de banners de vinil, levados pelo Instituto Eventos Ambientais (IEVA), um dos parceiros, para serem reaproveitados. Detritos tirados do mar, de rios e de ações ambientais em Nova Sepetiba pelo grupo também foram utilizados para compôr as declarações. “A conscientização tem que ir de dentro para fora. Aqui, estão provocando a iniciativa nas crianças, que são potenciais multiplicadores”, aponta o conselheiro ambiental da organização, Francisco Carrera.

Esse público-alvo foi um dos focos da ação, que contou com apresentação do espetáculo teatral “Um Passeio Mar Adentro”, promovido pelo Instituto Mar Adentro, que promove periodicamente o mutirão de limpeza “Clean Up” nas praias. Apesar do sucesso desta outra ação, o presidente Clerio Aguiar Junior aponta que essa proposta virou algo comum, daí a ideia de fazer algo diferente: “Conversei com o WWF e veio a sugestão de trazer a peça. As crianças são o futuro. Elas são responsável pelo futuro limpo. A gente pegou todo o conhecimento de pesquisadores, cientistas e biólogos e trouxe para linguem lúdica. Além do lado científico, a personagem é também uma criança, que se perde e conversa com animais”, aponta, mencionando a identificação que acontece entre o público e a protagonista. Na apresentação, o público assistiu a história de uma menina que se perde do pai durante uma ação de limpeza nas Cagarras e que até encontrá-lo, tem a companhia da fauna e da flora local.

O AquaRio também apoio o movimento. Funcionária da instituição, Deborah Machado chamou a atenção dos presentes por estar na companhia do participante mais jovem da marcha: seu filho, Bernardo, de nove meses. O bebê teve seus prováveis anseios futuros registrados pela mãe em um cartaz que reforçava a necessidade de as pessoas reverem seus hábitos para que ele e outras crianças tenham a chance de conhecer a vida marinha. “É de grande importância mostrar que diversão ensina de forma educativa. As pessoas falam de preservação, mas não sabem bem o porquê. O mar é um dos pulmões do planeta. Se não preservá-lo, nem a Floresta Amazônica aguenta”, disse Deborah.

Dentre os participantes, havia também os grupos de Escotismo, que aproveitaram a data para reforçar os ensinamentos repassados aos participantes. “Desde o ano passado, trabalhamos o combate ao plástico. Propomos um desafio: os escoteiros que diminuíssem a quantidade gerada em 10 semanas receberia uma insígnia”, aponta o diretor regional Rubens Perlingeiro, observando que foram distribuídas 3 mil condecorações nas categorias ouro, prata e bronze (a divisão variava conforme o êxito de cada um) e que a meta nesse ano será entregar a mais 10 mil. “Se não fizermos nada, até 2050 o mar terá mais plástico que bichos”, reforça.

A visão da instituição é reforçada pelo responsável pelo ramo “alcateia” (que abrange participante dos seis aos 11 anos) do núcleo de Engenho do Dentro, Anderson Gontijo. “Toda ação dese tipo vai de acordo com nossa proposta, que é fazer os pequenos serem autônomas para preservar. Hoje, está difícil. A diferença entre os lobinhos (como são chamados os membros da alcateia) e as demais crianças é gritante. É nítida a preocupação dos escoteiros com as coisas pequenas. Sei de história de gente que come alguma coisa, joga o lixo no chão mesmo com lixeira perto e os lobinhos falam que tá errado. Isso é engajamento. Eles repassam a informação aos responsáveis por eles”, destaca.

A produção de cartazes chamando atenção para a causa recebeu apoio também da ONU, cujo representante regional da América Latina e Caribe, Pedro Cunha, estava presente distribuindo imagens de esqueletos de animais, que poderiam ser decorados com detritos retirados de dentro do mar. “A ideia é sensibilizar para o fato de os animais comerem o plástico e morrerem. Em qualquer lugar do mundo as pessoas verão as fotos dessas produções e entenderão”, garantiu, antes de apontar que o ambientalista Jairo Moura estava sendo homenageado em cartazes distribuídos pela Praça Almirante Júlio de Noronha – ele foi assassinado há cinco anos ao tentar defender tartarugas na Costa Rica. Segundo Pedro, a figura de Jaime representaria todos os protetores mortos – segundo ele, apenas no ano passado, foram 197 vítimas desse tipo de crime, sendo a maioria concentrada no Brasil e na Colômbia.

Por fim, a ação foi encerrada com a marcha, que seguiu pelo calçadão da Avenida Atlântica com os participantes exibindo suas produções enquanto entoavam palavras de ordem, ao som da bateria do bloco carnavalesco “Empolga às Nove”, que também apoiou a iniciativa.