Luiza Lunardi

     Em cartaz no Teatro de Arena do SESC Copacabana, o espetáculo “Sangue”, escrito pelo dramaturgo sueco Lars Norén, é montado pela primeira vez no Brasil. A peça, dirigida por Bruce Gomlevsky, traz a história de um casal exilado e torturado durante a ditadura chilena na década de 1970 que, 20 anos depois, ainda busca incessantemente por seu filho, desaparecido durante o mesmo regime. A temporada vai até o dia 1º de setembro, com sessões de quintas-feiras a domingos, às 19h.

     Os atores Luciana Braga e Charles Fricks dão vida a Rosa e Eric, respectivamente, o casal protagonista. A narrativa se passa durante uma entrevista dada nos anos 1990 por Rosa para a popular apresentadora de uma TV francesa Madeleine H (vivida pela atriz Sura Berditchevsky). Ao longo do programa, a entrevistada, agora uma famosa jornalista e escritora chilena radicada na França, fala destemidamente de sua obra e luta política no Chile, e conta a história do filho, que foi retirado de seus braços aos oito anos, figurando desde então na lista de desaparecidos durante a ditadura de Pinochet.

     Para o diretor Bruce Gomlevsky, o espetáculo aborda temas essenciais que permeiam a história mundial e ganham maior relevância no cenário atual. “O mundo, do jeito que está, só faz aumentar a imigração e o número de refugiados. E é necessário entender que para diminuir esses eventos, é preciso se combater regimes totalitários. Apesar de a peça se passar nos anos 1990, as pautas abordadas são muito atuais”, afirma.

   Em cena, paralelamente aos dramas revividos pela jornalista, seu casamento de trinta anos com o psicanalista Eric está em crise. Dentre os diversos problemas da vida a dois, um relacionamento extraconjugal homoafetivo de Eric com um de seus pacientes, Luca (papel do ator Pedro Di Carvalho), traz à tona questionamentos diversos. “Sem querer revelar demais, mas este acontecimento muda completamente a vida de todos os envolvidos”, adianta Gomlevsky.

    Ainda segundo Bruce, o texto que originou a peça faz referências explícitas à mitologia grega. “O Lars Norén faz alusões a mitos como o Édipo, dentre outros”, aponta. De acordo com ele, a escolha do teatro também reforça as referências do dramaturgo sueco. “Escolhemos o Teatro de Arena justamente pela inspiração do local nos teatros greco-romanos, em que eram apresentadas as tragédias na idade antiga”, finaliza.

Serviço:

Temporada: até 1º de setembro

Local: Teatro de Arena do SESC Copacabana – Rua Domingos Ferreira, 160

Horário: quinta-feira a domingo, 19h

Ingressos: R$7,50 (associados Sesc), R$15 (meia), R$30 (inteira)

Capacidade: 260 espectadores

Duração: 100 min

Classificação indicativa: 18 anos