Manipular tudo e todos é o mínimo que Iago faz para se vingar de “Otelo”, no grande clássico de William Shakespeare. A partir dessa premissa, Marcio Nascimento, ator que já manipulou mais de 50 bonecos ao longo de 25 anos de carreira, dentro e fora do Brasil, enxergou no teatro de formas animadas uma plataforma possível para montar o solo Iago, seu primeiro monólogo em 25 anos de trajetória profissional, que ele interpreta para o público a partir de 3 de outubro, quando acontece a estreia nacional, às 18h, na Sala Multiuso do Sesc Copacabana, RJ. A adaptação é assinada pelo dramaturgo e tradutor Geraldinho Carneiro. A direção é de Marcio Nascimento e Miwa Yanagizawa, bonecos e formas animadas são criados por Bruno Dante, cenários de Carlos Alberto Nunes, figurinos de Tiago Ribeiro e iluminação de Renato Machado. Acompanhando a ação do espetáculo, o violoncelista Marcio Malard executa a trilha sob direção musical de Rodrigo de Marsillac. Iago amplia as possibilidades do teatro de animação para adultos. A temporada vai até 27 de outubro, de quinta a domingo, às 18h.
O texto original de Shakespeare conta a história do general mouro Otelo. Iago é seu alferes e homem de confiança. Porém, o general promove o soldado Cássio no lugar de Iago ao posto de tenente, o que deixa o alferes ultrajado e enciumado. Como vingança, ele arquiteta um plano para jogar o general contra seu amigo, fazendo Otelo pensar que sua esposa Desdêmona é amante de Cássio. “Iago é fascinado pelo mal, pelo poder, um personagem muito atual. Ele é um alferes, um subtenente, como o nosso Tiradentes, um alferes que não foi promovido, mas, diferentemente, Tiradentes quis implantar a república e Iago quer destruir a república. Movido pelo ressentimento, seu desejo de destruir se assemelha muito ao Brasil de hoje, a compulsão pela destruição, a vitória da desrazão do mal. É um texto muito contemporâneo, a analogia com o Brasil fica muito óbvia. Não consegui fugir disso. Já traduzi/adaptei umas nove peças de Shakespeare. Nesse espetáculo, análogo ao Brasil atual, criei um Iago com fala tosca. Já Otelo tem uma fala grandiosa e a fala de Desdêmona é poética”, analisa Geraldinho Carneiro.

     Na dramaturgia do espetáculo, Iago contará sua história em primeira pessoa para o público. Ao revisitar os eventos passados na tragédia original, o personagem fará uma reflexão sobre a cobiça, o materialismo, sua natureza corrupta, seu poder de conspiração e as consequências de seus atos. Seus planos de conspiração causaram sua morte. Fazendo do sucesso a sua derrocada. Seu ódio pelo mouro o tornou vítima.

     Mais de 50 bonecos já passaram pelas mãos de Marcio Nascimento em interpretações de espetáculos por todo o país e fora dele – em Portugal, Espanha e até na China. Integrante das companhias PeQuod e Cia Artesanal de Teatro, pela primeira vez está à frente de um projeto inteiramente seu. “No teatro quero fazer de tudo. Sou ator de formação e por amor, mas os bonecos, ou melhor, as formas animadas, que é um termo mais abrangente, que agrega, boneco de luva, manipulação direta, sombra, máscara…, é uma fonte inesgotável de possibilidades. E com essa peça, vi a possibilidade de unir minha experiência como ator, somados ao meu trabalho com boneco”, conta.

Serviço:

Estreia dia 3 de outubro, às 18h na Sala Multiuso do Sesc Copacabana.

Sessões de quinta a domingo, sempre às 18h. Temporada até 27 de outubro.

Sesc Copacabana – Rua Domingos Ferreira, 160. Tel. 21 2547-0156 Copacabana.

Ingressos: R$ 7,50; R$ 15 (meia), R$ 30 (inteira)

Duração: 60 min. | Classificação etária: 14 anos