(Foto: Guarda Municipal do Rio de Janeiro)

A pandemia pelo novo coronavírus (Covid-19) chegou de forma abrupta em 2020, mudando a rotina e as formas de relacionamento da população em todo o mundo. Confinadas, dentro dos seus lares, muitas pessoas acabaram desencadeando problemas emocionais durante o período de quarentena. Pensando nesta nova conjuntura, o guarda municipal Wagner Xavier de Melo, da 12ª Inspetoria (Ilha do Governador), tem produzido poemas motivacionais, que tem ajudado as pessoas no resgate da autoestima.

Morador de Mauá, distrito de Magé, localizado na região metropolitana, e conhecido como o Guarda Poeta na Ilha de Paquetá, onde atua, Xavier se dedica aos poemas nas horas vagas. Diagnosticado com depressão há seis anos, o poeta percebeu que escrever exatamente o inverso do que sentia o fez sair daquela sintonia de tristeza.
“Eu busco compor poemas que abracem a pessoa que está lendo, para que seja uma espécie de motivação. O objetivo dos meus poemas, principalmente neste período de pandemia, é que eles sejam um alicerce para a pessoa encontrar uma saída daquele quadro de depressão ou baixa estima. É como uma espécie de resiliência poética. Eu sigo o seguinte lema: enquanto houver poesia, há esperança”, refletiu o guarda municipal.

Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia por Covid-19, Wagner escreveu mais de 50 poemas sobre a atual situação. Entre eles, destacam-se “Em tempos de pandemia…o que iremos aprender?”, “Semear O Amor”, “Existe saída”, “Ainda há tempo de amar”, “Anjos Laborais (médicos, enfermeiros e profissionais de segurança)”, “Além da Ponte”, “A paz que excede” e “Vai passar”.

“Eu gosto de homenagear as pessoas através dos meus poemas. Quando alguém me aborda e diz que se sentiu acolhida pelos meus versos, é uma alegria muito grande que eu sinto no coração. Esse feedback também é uma grande motivação pessoal”, concluiu o poeta.

Hoje, por fazer parte do grupo de risco, o servidor foi afastado preventivamente pela Guarda Municipal, em função do novo coronavírus, trabalhando em casa, em regime home office.

Veja abaixo alguns poemas escritos durante a pandemia:

Além da Ponte (22/03/2020)

Uma ponte que se quebrou, jamais será separatista na intenção de quem amou.
janelas se abrem e cantam a canção do amor, no Brasil e no mundo, a música não silenciou.
Corona vírus, algoz da desunião, tu serás vencido na voz em uníssono de uma oração.
Todos os idiomas num só canto, pela vida, pela alegria, pelo dia sem pranto!

Existe Saída (03/04/2020)

Numa cova com feras rugindo, um homem foi lançado, e nela, aquele que desde a existência foi amado, tendo fé, da fúria dos leões pelas mãos de Deus, foi livrado.

Numa ardente fornalha, aquecida pela vaidade de um rei, três homens foram jogados, por manifestar fidelidade a esse mesmo Deus, do fogo incandescente foram poupados.

O mesmo Deus hoje te livra de feras e ouve o clamor do aflito, te livra de pandemias, e ouve numa oração, seu coração em silêncio, manifestando grito.

Tudo passa, e portas se abrem  em paredes invisíveis, a esperança é vindoura, nascida em tempos atrás, repousada numa manjedoura .

Apenas creia, e erga sua cabeça, do céu vem a resposta para o que anseia teu coração, o sorriso de uma criança, enxuga as lágrimas da minha emoção.

Vai Passar (17/04/2020)

O sorriso largo voltará
Nas esquinas o gargalhar
Contando histórias e anedotas
Bons amigos se abraçar.

As máscaras cairão
As flores brotarão
O tímido coração
Alegria de um botão

O dia irradiante
O brilho do olhar
As noites contempladas
Estrelas lindas iluminadas

A esperança do agora
O amanhã que com fé aflora
O cuidado do divino
Eis que vem sem demora.

Em Tempos De Pandemia… O Que Iremos Aprender? (21/04/2020)

Os abraços que não foram dados.
A saudade de não ter o perdão liberado.
O ar tão asfixiado, respirar tornar-se o mais valoroso legado.

O valor das coisas pequenas.
A não importância de tão insignificantes dilemas.
O sorrir sendo regra, como asas de um simplório poema.

A ostentação que se desfaz.
Dentro de casa, só precisamos de paz.
Alegria e valor a vida, que daqui em diante, não será como os tempos atrás.

O amor ao próximo, perdure após a festa.
No curso da nossa história, sequer  sabemos o tempo que nos resta.
Que amar vigore em toda estação.
Outono, inverno, primavera, e também verão.

Semear O Amor (25/04/2020)

Plantar sementes e almejar bons frutos colher, a natureza do que plantamos, naturalmente irá crescer.
Semear o sorriso nos torna bem mais bonitos, espelhos do coração, âmago da terra, alegria no vento, telúrica canção .
Saber viver é  preciso,
lavando a alma de emoção,
nesse contexto um abraço, no coletivo ou no quarto, aliviando a tensão.
O silêncio é o grito, caule da paz, a sabedoria das folhas sendo sombras do amor, semear a cura, para não colher dor.

A Paz Que Excede (Fragmento registrado poético – 11/05/2020)

A paz que excede entendimentos,
Ouvir o próximo, deixando sua alma em absoluto silêncio.

A paz de minutos que se eternizam
A paz dos pássaros, ao bater suas asas sem ruídos.