Luiza Lunardi

     A obra “História do Rio de Janeiro em 45 objetos”, publicação da Editora FGV em parceria com a Jauá Editora, e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), traz à luz percepções e vivências dos processos sociais da cidade, a partir de vários objetos históricos. O livro conta com textos de 49 autores, entre historiadores, arquitetos, jornalistas e um colecionador de arte, e procura sublinhar a diversidade da experiência urbana desde a época do Brasil Colônia até os dias de hoje.

     Uma das organizadoras da edição, a historiadora Isabel Lenzi conta que a inspiração para o formato de contar variadas narrativas do Rio foi o livro “A history of the world in 100 objects” (“A história do mundo em 100 objetos”), do autor e ex-diretor do Museu Britânico Neil MacGregor. “O Claudio Figueiredo, um dos três tradutores da versão brasileira, é meu marido, então eu tive bastante contato com o volume. Fiquei encantada, e pensei em fazer algo parecido na época, mas a ideia acabou não vingando”, relata.

     A criação só saiu do papel quando Isabel encontrou os historiadores Marize Malza e Paulo Knauss, que se tornaram igualmente organizadores do livro. “Em 2014, descobrimos que havia um edital da Faperj aberto para publicações sobre os 450 anos do Rio de Janeiro. Elaboramos um projeto, nos inscrevemos e fomos selecionados”, narra Lenzi. Segundo ela, a publicação deveria ter sido publicada ainda no ano seguinte, em 2015, porém o lançamento não ocorreu devido a um contratempo. “Apesar de termos sido escolhidos, só liberaram 70% da verba, que não foi suficiente para pagar a gráfica e os impostos relativos à publicação. Com a crise, só conseguimos dinheiro para lançar agora, sem o selo Rio 450”, conta.

     Mesmo com a finalização tardia, o livro seguiu a ideia inicial, e o quadro de objetos apresentados oferece um panorama abrangente da história do Rio de Janeiro, de sua fundação aos dias atuais. Isabel afirma que a escolha dos objetos que entrariam na obra partiu do princípio de que tudo poderia ser facilmente encontrado ao vivo pelo leitor. “Grande parte das peças estão expostas em museus ou igrejas, de fácil acesso para quem quiser conferir. O sino do abrigo dos órfãos, por exemplo, é usado ainda hoje na unidade Centro do Colégio Pedro II. Infelizmente nem todos os objetos estão expostos hoje. O Museu Nacional, que abrigava dois itens, sofreu um incêndio e o Museu Carmen Miranda, que continha a saia da artista, se encontra fechado para o público enquanto aguarda seu acervo ser transferido para o Museu da Imagem do Som, que ainda não abriu”, finaliza a historiadora.

Serviço

História do Rio de Janeiro em 45 objetos
Organização: Paulo Knauss, Isabel Lenzi e Marize Malta
Preço sugerido do livro: R$70
Preço sugerido do
Ebook: R$49