Vinícius de Moraes                (Foto: Divulgação)

Em 9 de julho, completou-se 40 anos sem Vinícius de Moraes. O Poetinha ficou imortalizado na cultura popular com 599 canções, 484 gravações e incotáveis poemas, permitindo que seu legado permanecesse vivo no imaginário popular, sempre conquistando novas gerações.

Nascido em 1913 na Gávea, mesmo bairro de sua última residência, Vinícius viveu em diversos endereços da zona sul carioca, como Botafogo, Jardim Botânico, Laranjeiras e Ipanema, Foi neste, inclusive, que teve início a parceria com Tom Jobim, apesar de ambos terem se conhecido no Bar Villarino, no Centro. Curiosamente, o trabalho mais famoso da dupla, “Garota de Ipanema”, saiu do papel quando Vinícius já não habitava mais o bairro: naquela época, sua residência era no Parque Guinle e a letra foi escrita por Vinícius em sua casa em Petrópolis.

O sucesso foi tanto que, até os dias atuais, a música é seu trabalho mais tocada, de acordo com o Ecad, seguido de “Chega de Saudade” e “Eu Sei Que Vou Te Amar”, ambas compostas em parceria com Jobim – outras sete composições da dupla lideram o ranking das 20 mais executadas de Moraes, que também teve êxito em parcerias com Toquinho, João Gilberto, Chico Buarque e João Lyra, além de outros artistas.

Ao longo de sua vida pessoal exerceu diversas profissões antes de se fixar como artista. Foi censor cinematográfico durante o Estado Novo e crítico de cinema até ser aprovado no concurso do Ministério das Relações Exteriores. Logo, assumiu o posto de vice-cônsul nos Estados Unidos, onde ficou amigo íntimo de Carmen Miranda e Walt Disney. Posteriormente, atuou no mesmo campo na França e na Itália, até ser afastado da posição devido aos seus hábitos boêmios, apontados como incondizentes à função – quando isso aconteceu, já estava estabelecido no meio musical.

No Brasil, era frequentador assíduo do Bar Veloso, em Ipanema; do Luna Bar e do restaurante Antonios, no Leblon, além de outros estabelecimentos – era, inclusive, sócio do bar Cirrose, na Rua Paul Redfern, também em Ipanema. Entretanto, apesar de apontado como “bom de copo”, sua paixão palativa era, na verdade, a gastronomia, tema levantado no livro “Pois Sou Bom Cozinheiro”, escrito pela companheira da filha Luciana, Edith Gonçalves, em parceria com a escritora Daniela Narciso. O material reúne entrevistas com amigos e familiares e curiosidades como sua predileção por pratos da culinária nacional e o fato de Vinícius comer pastel de carne e empada no açucareiro, tamanha sua paixão por doces, o que lhe fez ficar diabético.

No fim de sua vida, abandonou as parcerias musicais e dedicou-se exclusivamente à poesia, arte tão bem executada que, de acordo com Carlos Drummond de Andrade em declaração no contexto do falecimento, Vinícius foi o único nome brasileiro a popularizar esse estilo literário em sua forma culta. Morreu aos 66 anos, vítima de edema pulmonar. Naquela noite, trabalhara com Toquinho em um disco infantil, “Arca de Noé”, escrito para seus filhos Suzana e Pedro, muitos anos antes. Além deles, também era pai de Georgiana, Luciana e Maria, todos frutos de alguns dos seus nove casamentos. Passados dois dias após o falecimento, recebeu uma homenagem da Prefeitura do Rio, quando a Rua Montenegro, endereço do seu bar favorito, foi renomeada com sua alcunha, levando a todos que passam por aquele movimentado logradouro a se lembrarem da pessoa por trás do nome.