Muitos profissionais tiveram seus trabalhos diretamente impactados pelo isolamento social, que interrompeu a realização de eventos, deixando os profissionais que atuam neste ramo sem possibilidade de trabalho durante esse período. Para os músicos, em particular, a situação é bastante complicada, visto que não há previsão para o retorno de eventos com aglomeração de público. 

“Nos afetou 100%. Tive, pelo menos, seis eventos cancelados logo no começo da pandemia. Hoje, não tenho nenhum tipo de trabalho com ônus para o contratante. O que a gente faz é tudo gratuitamente, pela internet, para distrair as pessoas e entreter o público. Eu concilio a música com outras áreas, ainda bem, porque se não… Tenho muitos amigos músicos que estão pedindo campanha de doação, passando fome mesmo porque a música é a única fonte de renda. Que Deus nos ajude!”, exclama Felipe Tabach.

(Foto: Divulgação)

Enquanto a situação não retorna à normalidade de forma segura, o artista segue fazendo produções esporádicas. “Eu tinha feito apenas uma live, mas ontem fiz uma de aniversário com transmissão exclusiva para aquela aniversariante e os convidados dela. As pessoas conseguiram, de suas casas, comemorar com ela, que não pôde sair de casa nem fazer nada. É um projeto que estou iniciando e vendo como vou fazer”, analisa, mencionando que devido às incertezas, tem recusado convites, ainda que futuros, para 2020, apesar de acreditar que será possível voltar aos eventos em dezembro. Ele convida o público a acompanhar as futuras produções no seu Facebook, no Instagram @felipetabach em www.youtube.com/ftabach. 

Outro impactado foi Marco Vivan, que cancelou participações em casamentos, formaturas e outros eventos. A incerteza do futuro o aflige: “Quem trabalha com entretenimento serão os últimos a voltarem”, lamenta. Devido à falta de previsão de retorno do setor, ele segue na ativa fazendo apresentações para condomínios da Barra da Tijuca. Os shows ocorrem geralmente na área da piscina e o público acompanha ou de suas varandas, sem sair de casa, ou através de “lives”.  

(Foto: Divulgação)

“Tive essa ideia, junto com outros colegas, e tem sido um sucesso. Foi uma forma de eu me reinventar nesse tempo tão difícil, já que não temos receita. Tem sido muito bacana o resultado. É muito legal ver a alegria dessas pessoas”. As apresentações duram em torno de uma hora e podem ser assistidas no Instagram @marcovivanoficial ou em www.youtube.com/marcovivan. Os síndicos interessados em contratá-lo para ações semelhantes também podem contactá-lo através destes canais.

Quem também aderiu ao “plano B” foi Beth Guilher, que está se dedicando ao programa “Vitrine” no canal do Youtube que leva seu nome. “Ele nasceu para eu não ficar louca”, diverte-se. Em isolamento total desde 21 de março, a artista sentiu necessidade de produzir algo novo para se manter ocupada em meio à incerteza do futuro: “Havia eventos marcados, projetos sendo construídos já com expectativa boa de trabalho e nenhum aconteceu. Quando o problema explodiu, eu estava de férias em Brasília. Voltei, entrei em casa e não saí mais por causa da idade. Eu estava começando a ficar deprimida, só vendo vídeos antigos e pensei que tinha que ter alguma coisa legal e nova em minha vida. Eu tinha esse canal e resolvi agitar ele”.

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A novidade foi desenvolvida em parceria com o cinegrafista Sérgio Murilo, seu amigo, e a escritora e poeta Terê Oliva, sua irmã, e inicialmente trazia apenas um dueto entre Beth e outro músico convidado, mas a ideia foi abandonada devido aos atrasos dos áudios entre as partes.

Surgiu, então, o novo formato, sempre com alguma entrevista e algum quadro artístico, como clipes produzidos exclusivamente para a atração e apresentação de contos, o que atraiu espectadores até do Mato Grosso. Os programas vão ao ar sempre aos domigos, às 17h, e por enquanto, ele é o foco exclusivo da cantora, que ainda não pensa no futuro: “O retorno vai demorar. Seremos os últimos. Precisamos de tudo que não pode haver, como aglomeração. Não tem nem como cantar de máscara. Essas medidas de proteção serão exigidas e a gente vai ficar aquém disso, não vai conseguir cumprir”, exalta.

Quem também precisou reorganizar a maneira de trabalhar foi Karina Duque Estrada. “Abril ia ser o melhor mês de trabalho”, lamenta, mencionando que antes do vírus se propagar no Brasil, ela estava contratada para eventos até agosto. “Demorou um mês para eu conseguir me reerguer. Fiquei neste período sem trabalho, ganhando nada porque não tenho outra fonte de renda. Só tenho a música. Minha mãe que me ajudou, financeiramente”, conta, citando ainda não ter recebido o auxílio do Governo Federal, apesar de ter direito: “Pedi no primeiro dia que foi lançado”.

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Para se manter, ela tem feito lives solidárias no Facebook que leva seu nome, nas quais o público participa pagando couvert quando pode e com a quantia que desejar. Em paralelo, a cantora tem participado de ações pontuais em datas festivas, como dias das mães e dos namorados: “A gente faz um pacote com vídeos onde a gente canta e no final, manda mensagem para a pessoa”. No dia da entrevista, ela participaria de um evento familiar na Barra: “Eu e outro músico iremos, cada um cumprindo as exigências de saúde como distanciamento, máscara e tal, mas é um extra. Claro que não é o mesmo valor, ganho 80% a menos do que costumo. É pouco, mas é uma maneira de fazer o dinheiro girar”, conclui, afirmando ter desenvolvido mania de passar álcool em gel nas mãos: “Até dentro de casa, sem precisar, eu acabo usando”.