Quando a instrumentista Val de Souza se apresenta, imediatamente os olhares do público recaem sobre ela. Além de se destacar por seu talento, a artista também chama atenção por ser uma mulher tocando percussão, o que ainda é bastante incomum nos palcos cariocas.

     Moradora de Botafogo, Val é figura conhecida nos espaços culturais de Copacabana. “Adoro o Beco das Garrafas tanto para tocar quanto para curtir. Na quinta passada (5 de setembro), estive lá com meu trio de bossa-nova, o ‘Ronaldo Malta e Duo’”, cita, mencionando um de seus trabalhos. Questionada sobre os demais, ela aponta uma extensa lista, mas destaca as participações no show do cantor Márcio Gomes: “Ele é a pessoa que tem me dado visibilidade. Fiz um amigo. Gravei dois CDs com ele e as portas se abriram”. Val compõe a banda do espetáculo “Márcio Gomes em Nelson Gonçalves”, que comemora o centenário do segundo maior vendedor de discos no Brasil no dia 24 de setembro, às 20h, no Teatro Riachuelo.

    Na década de 1980, a percussionista fez muito sucesso na banda Sempre Livre, a primeira de rock brasileiro formada apenas por mulheres. “Foi muito rápido”, lembra, citando ter iniciado sua participação no conjunto como baterista, antes de migrar para a percussão. Houve uma tentativa de remontar o grupo em 2016, quando foi gravado um CD. Houve até uma apresentação no Imperator, no Méier, mas por motivos pessoais das demais integrantes dessa formação recente, Val não acredita em novas apresentações.

     A mudança de instrumentos aconteceu de forma natural, após indicação do produtor Júlio Barroso, que apostou no seu sucesso. Antes disso, entretanto, a artista afirma não ter se inspirado em nenhuma outra mulher para iniciar sua carreira, que começou cedo: aos 13 anos, ela ganhou sua primeira bateria. O aprendizado veio em participações em escolas de sambas diversas, como Portela e Salgueiro. “Não podia ter mulher tocando na Mangueira, mas a Dona Zica mandava eu subir no palco”, diz, recordando sobre seu princípio.

    A partir de então, não parou. Aos 16, integrou o elenco do programa conduzido pelo cantor e compositor João Roberto Kelly na Rede Bandeirantes, onde atuou por cerca de dois anos “Sou doida para trabalhar com ele de novo. Ele me adorava”, aponta. Nesse tempo, desenvolveu-se nas mais diversas vertentes musicais: além de continuar se apresentando publicamente, também participa de shows corporativos, de casamentos e leciona percussão em aulas particulares. “Como eu toco com vários cantores, as senhoras ficam encantadas. Complemento meu trabalho”, explica, citando que apesar de conquistar mais as mulheres, ensina ambos os gêneros.

     Além do show no Teatro Riachuelo, em breve Val também se apresenta na Casa Julieta de Serpa no dia 5 de outubro, acompanhando o cantor Juan de Bourbon. Mais informações sobre seu trabalho podem ser obtidas através do e-mail tamborsouza@hotmail.com