Copacabana ganhou mais uma biblioteca. A novidade foi instalada na Praça Serzedelo Correia, em um quiosque solicitado pelo idealizador, Luiz Carlos Matos. O espaço, aberto diariamente, permite que leitores de todas as faixas etárias peguem livros variados emprestados, gratuitamente e sem necessidade de cadastro prévio. A única condição é que eles sejam devolvidos, o que estabelece uma relação de confiança entre os usuários e o criador.

   Dentre os títulos, há gêneros como romance, ação suspense, infantil e até alguns técnicos, como os de consulta usados por estudantes de Direito. “Às vezes, o estudante não tem acesso a eles”, observa Matos, que pediu a estrutura diretamente ao prefeito Marcelo Crivella, na ocasião da visita deste ao local, em outubro. Diante do aval em levar sua proposta adiante, começou a colocar alguns livros em dois móveis.

  Atualmente, nem o aposentado é capaz de calcular quantos livros existem no local, todos obtidos por doações. Muitos ainda estão em seu apartamento, aguardando espaço físico para serem colocados na Biblioteca Comunitária Amigos da Praça Serzedelo Correia, como o quiosque tem sido chamado. Ele garante que a ideia tem sido um sucesso: “no domingo, havia aqui uma família com avó, pai e duas filhas”.

  Para proporcionar mais conforto aos leitores, Matos improvisou ao lado do quiosque uma “praça de leitura”, que utiliza um banco da própria Serzedelo Correia, além de uma mesa com cadeiras levadas pelo próprio. “Com chuva, é uma correria”, diz, citando também o trabalho em guardar os livros que ficam expostos na parte externa da tenda, aberta diariamente entre 7h e 8h e fechada por volta das 19h ou 20h.

  No geral, a maioria dos leitores devolvem os livros conforme combinado. “É um voto de confiança que temos que dar para o povo se reeducar”, sugere Matos, que já viu exemplares jogados na rua. Cada um dos pertencentes ao acervo da biblioteca é carimbado, o que permite que ele saiba a origem de todos. Essa medida também já o protegeu em caso de extravios: “Uma pessoa furtou uns cinco ou mais e tentou vender a um senhor que vende livros. Ele recusou porque havia carimbo indicando ser de uma biblioteca comunitária. Depois, falei com ela: ‘você jogou meu trabalho no lixo por causa de R$2?’. Ela não vivia em situação de rua, não era questão de alimentar vicio. Até hoje ela passa aqui xingando e me afrontando”, aponta, mostrando indignação com esse tipo de situação.

  Em paralelo, a consciência de que nem todos os frequentadores retornam com os exemplares também o leva a ser generoso com alguns leitores, em especial. “Uma senhora portuguesa veio ao Brasil comprar alguns clássicos, como Machado de Assis, para um trabalho. Anteontem ela veio se despedir e levou de presente ‘O Auto da Compadecida’ para o pai, que trabalha com teatro, encenar em Portugal. Se tem gente que leva e não devolve, por que não dar um a ela que veio ao Brasil especialmente para comprar?”. Houve outros casos de visitantes, até de dentro do país, levarem exemplares: “Eles ficavam encantados, mas não conseguiriam terminar a leitura”. Na medida em que estes vão embora, outros são colocados no local. “Brinco que se 100% não devolve, tenho 200% que doam. Todo dia tem livros bons chegando”, comemora. No dia da entrevista ao Jornal Posto Seis, a biblioteca recebeu do jornalista Mauro Franco exemplares dos dois volumes da saga “Tempo Incerto” (publicados em 2017 e 2019, respectivamente).

Atualmente, Matos deseja mais prateleiras e bancos. “Precisamos de mais espaço”, finaliza.