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Cinelândia

A Cinelândia é uma região rica em histórias. Se, em seus tempos áureos, ela era citada como a Broadway brasileira devido os seus cinemas, hoje a área é o cenário de momentos importantes na história do Brasil. Em seu entorno, prédios como o Theatro Municipal e a Biblioteca Nacional atraem os visitantes.

A Praça Floriano, que muitos acreditam ser a própria Cinelândia (o nome é uma referência a toda a região no entorno do logradouro), é situada no local onde ficava o Convento da Ajuda (cuja sede foi transferida para Vila Isabel), inaugurado em 1748. Ela foi construída após a demolição do antigo prédio, em 1911, que havia sido poupado das obras urbanas realizadas pelo prefeito Pereira Passos durante seu governo (1902 - 1906), apesar do prédio ter sido condenado por não combinar com o modelo de modernidade que o gestor pretendia trazer à região, com a abertura da Avenida Central (atual Rio Branco). O terreno, limitado entre as ruas Evaristo da Veiga, do Passeio, Senador Dantas e a então recente Avenida Central, foi comprado pela companhia Light & Power, que planejava erguer o luxuoso hotel Rio de Janeiro Company, com 300 apartamentos divididos em oito andares - número muito expressivo para a época, na qual empreendimentos como o Copacabana Palace e o Hotel Glória ainda nem eram projetados.


A proposta não foi realizada e, em parte do terreno foi aberta a Praça Ferreira Viana, em referência a um antigo jornalista e político. A nomenclatura atual - Praça Floriano - foi dada ao logradouro alguns anos mais tarde, ainda na primeira metade do século XX. Quando foi inaugurada, já existiam em seu entorno prédios como o Palácio Monroe (construído ali em 1906), o Supremo Tribunal Federal (em funcionamento ali desde 1909 - atualmente, é a sede do Centro Cultural Justiça Federal), a Escola de Belas Artes (que havia se mudado para o prédio onde, atualmente, funciona o Museu Nacional de Belas Artes em 1908), o Theatro Municipal (inaugurado em 1909), a Biblioteca Nacional (erguida em 1910) - todos datados de um período pós-Pereira Passos e localizados onde antes haviam outras construções antigas, como o Seminário São José e a "casa da mãe do bispo", em referência à antiga moradora Ana Teodoro, mãe do bispo José Joaquim Justino Mascarenhas Castelo Branco, que tinha grande prestígio e chegava a exercer a função de juíza em alguns problemas do povo. Após a demolição de sua propriedade, o local tornou-se conhecido como Largo da Mãe do Bispo, que foi anexado à praça.


Em 1918, o grupo carnavalesco, Cordão do Bola Preta, cuja sede ficava na Glória, realizou seu primeiro desfile de Carnaval, no qual os foliões se concentraram na praça. Nos dias atuais, é a festa do tipo mais antiga ainda em funcionamento e, em quase todos os desfiles, o ponto de início foi o mesmo. Após mais de 90 anos, o sucesso é tanto que, em 2012, a concentração do público foi superior ao do Galo da Madrugada (Recife), que desde 1994 detinha o título de maior bloco de rua.


A partir de 1923, ano da construção do Palácio Pedro Ernesto (atual sede da Câmara Municipal), o empresário espanhol Francisco Serrador decidiu transformar o local na "Broadway brasileira", com um conjunto de cinemas, hotéis e escritórios no lugar do antigo convento, cujo terreno havia sido ocupado somente com um parque de diversões (o Parque Centenário, cujo proprietário era o próprio Serrador, que também oferecia salas de projeções e teatros ao seus frequentadores). Sua proposta era atrair o comércio da Rua do Ouvidor, já em decadência, para a Praça Floriano, usando as salas cinematográficas como atrativo. O primeiro a ser inaugurado foi o Capitólio (que, por dez anos, teve seu nome alterado para Cine Teatro Broadway), em 1925. Além dele, outros 12 foram abertos: Cineac Trianon, Cinema Parisiense, Império, Pathé, Rex, Rivoli, Vitória, Palácio (o primeiro carioca a exibir um filme sonoro), Metro Passeio, Plaza, Colonial e Cine Odeon, o único que continua em funcionamento devido à decadência desse tipo de negócio fora dos shoppings. Havia também os teatros Rival e Glória, além do Municipal. O que foi construído para ser o bairro Serrador foi apelidado de "Cinelândia" devido ao grande número de salas de cinema - posteriormente, a Praça Saens Peña, na Tijuca, superou essa quantidade. Com o fechamento de cada um, a região entrou em processo de decadência.


A década de 1970 trouxe severas mudanças à região. Com as obras do metrô, o urbanismo da Praça Floriano foi todo alterado devido à maneira como a intervenção era feita. A técnica, chamada de "cut and cover", consistia em abrir o caminho das composições através de valas, que posteriormente eram cobertas. A primeira estação cuja escavação foi concluída foi a da Glória. No caminho para a Cinelândia, havia um obstáculo: as fundações do Palácio Monroe encontravam-se no meio do caminho. Para preservar o prédio, que não sofreu nenhum dano nesse período (somente sua escada, cuja localização coincidia com as paredes do túnel, foi desmontada), o traçado foi desviado. De lá, a vaga seguia pela praça até a Avenida Treze de Maio, de onde ia até a futura estação Carioca. Após a conclusão do trajeto, a região recebeu novo urbanismo. O prolongamento da Avenida Treze de Maio (que ia até a Rua do Passeio) foi fechado; quase todas as árvores foram derrubadas e os jardins, reduzidos. O pavimento recebeu pedras portuguesas formando os desenhos que, depois, seria reproduzidos no calçadão de Ipanema e do Leblon.


No entanto, os cuidados com o Palácio Monroe foram em vão. Em 1976, sua estrutura foi demolida por ordem do presidente Ernesto Geisel, que argumentava que o mesmo atrapalhava o fluxo do trânsito e que estaria atrapalhando as obras do metrô. Em seu lugar, foi inaugurada a Praça Mahatma Gandhi, com um enorme chafariz austríaco datado de 1878 e um estacionamento subterrâneo (construído em 2002). Sua derrubada pôs fim a mais de 70 anos de história. Originalmente, ele foi construído como parte integrante da Exposição Internacional de Saint Louis, que, nos Estados Unidos, que comemorava o centenário de aniversário de integração do estado da Louisiana ao resto do país, em 1903, onde recebeu o Grande Prêmio Medalha de Ouro de Arquitetura. Representava o pavilhão do Brasil e, após o fim da mostra, sua estrutura metálica foi remontada na Cinelândia em 1906, quando sediou a Terceira Conferência Pan Americana, idealizada pelo presidente norte-americano James Monroe, que foi homenageado com o novo nome da estrutura.


Até 1914, continuou sua função de pavilhão, quando passou a abrigar a Câmara dos Deputados até a inauguração do Palácio Tiradentes, em 1922. A partir de então, voltou a exercer a atividade para a qual foi projetado e integrou a Exposição Internacional Comemorativa do 1º Centenário da Independência. Entre 1925 e 1930, foi ocupado pelo Senado Federal, que foi fechado com a Revolução de 30. Após o fim da ditadura de Vargas, foi sede temporária do Tribunal Superior Eleitoral até ganhar mais uma atribuição: tornou-se o prédio do representante do Senado no Rio de Janeiro até a ditadura militar, quando transformou-se no endereço do Estado Maior das Forças Armadas.


A Cinelândia, por estar localizada no fim da Avenida Rio Branco, fez parte do trajeto de diversas manifestações populares. Um exemplo contemporâneo foi a realizada em junho de 2013, na qual cerca de 100 mil pessoas reuniram-se contra diversos aspectos da política nacional. O estopim foi o aumento do valor das passagens dos ônibus, cujos preços variaram R$0,20. Em ocasiões anteriores, a região já havia sido cenário de outros protestos, como a Marcha da Família com Deus Pela Liberdade, em 1964 e a Passeata dos 100 mil, em 1968.

Como nos seus tempos áureos, a Cinelândia é uma região que ainda atrai muitos visitantes. Se, antes, eram os cinemas, hoje são os prédios históricos, que encontram-se preservados e abertos para visitação.


Atrações nas proximidades:
Theatro Municipal
Biblioteca Nacional
Palácio Pedro Ernesto
Centro Cultural Justiça Federal
Museu Nacional de Belas Artes
Bar e Restaurante Amarelinho
Cine Odeon
Passeio Público
Lapa

Academia Brasileira de Letras
Igreja de Santa Luzia

Fonte:
ABREU, Jonas da Silva. O papel do cinema na construção da identidade da Cinelândia. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2009, 179 páginas. Dissertação - Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais e Mestrado Profissional em Bens Culturais e Projetos Sociais. Disponível em http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/4156/CPDOC2009JonasdaSilvaAbreu.pdf?sequence=1 .
In: http://www.rioecultura.com.br/coluna_patrimonio/coluna_patrimonio.asp?patrim_cod=69
In: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=877776&page=62
In: http://www.infoescola.com/historia/museu-nacional-de-belas-artes/
In: http://www.almacarioca.net/rio-antigo-5-cinelandia/
In: http://www.novorioantigo.com.br/memorias
In: http://www.baixadafacil.com.br/colunistas/ana-teodoro-a-mae-do-bispo-758.html
In: http://fotolog.terra.com.br/luizd:2337
In: http://www.centrodacidade.com.br/cultura/textos/ccjf.htm
In: http://www.flickr.com/photos/carioca_da_gema/66807736/
In: http://www.flickr.com/photos/carioca_da_gema/94949643/
In: http://www.flickr.com/photos/carioca_da_gema/81848419/
In: http://www.novorioantigo.com.br/memorias
In: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=242854
In: http://site.margaritasemcensura.com/zoom/a-misteriosa-demolicao-do-palacio-monroe
In: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=242854
In: http://carnaval.uol.com.br/2013/noticias/redacao/2013/01/16/cordao-do-bola-preta-com-25-milhoes-de-folioes-pode-entrar-para-o-guinness.htm
In: http://www.fau.ufrj.br/prourb/cidades/avcentral/cap_5.html
In: http://panorama.jll.com.br/onde-o-rio-e-mais-carioca/
In: http://rioquemoranomar.blogspot.com.br/2012/01/edificio-colombo.html
In: http://www.rioquepassou.com.br/2012/01/29/ed-libertade-alteracao-do-coroamento-anos-50/

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