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Passeio Público

Para quem anda com pressa pelas ruas do Centro, o Passeio Público é apenas uma praça arborizada. No entanto, o oásis verde no meio de tantos prédios é mais que isso: trata-se do primeiro parque do Brasil. Localizado em plena Cinelândia, possui quase 37 mil m² de área de lazer. Até o século XVIII, existia ali a Lagoa do Boqueirão, a única da cidade que tinha ligação com o mar (a região da Lagoa Rodrigo de Freitas ainda não tinha sido integrada ao Rio de Janeiro). As águas eram consideradas sujas devido ao despejo de dejetos. Por isso, todo o seu entorno era praticamente inabitado. Em 1780, uma forte epidemia de uma doença que foi chamada de "zamparina" foi atribuída às condições sanitárias da lagoa. Para controlar a situação, o vice-rei de Portugal, D. Luís de Vasconcelos, ordenou que a mesma fosse aterrada. Seu lugar seria ocupado por um jardim público - na época, somente grandes propriedades tinham espaços ao ar livre.

O aterro foi feito com a terra do Morro da Mangueira, que era vizinho ao terreno e a responsabilidade do urbanismo da nova área de lazer foi atribuída ao artista Mestre Valentim, um dos principais nomes da época. A obra revitalizou cerca de 20 hectares, o que atraiu moradores ao local. A construção do parque demorou de 1779 a 1783 e foi realizada por detentos e pessoas ociosas devido à falta de recursos da Corte. Somente dez anos após sua inauguração ele foi aberto à população.


O jardim tinha ares franceses. Possuía inúmeros caminhos que formavam desenhos octogonais em seu gramado e era cercado por um grande muro. Seu interior foi decorado com esculturas feitas pelo próprio Mestre Valentim. O portão, localizado em frente à Rua das Belas Noites (atual das Marrecas), com estilo rococó, foi feito de ferro fundido e traz uma representação dos regentes portugueses D. Pedro III e D. Maria. Ao fundo, um terraço com visão para o mar (originalmente, o Passeio Público ficava na orla; o afastamento foi realizado após uma série de aterros), complementava o ambiente, decorado por mangueiras, oitizeiros, palmeiras, amendoeiras e uma araucária.


Para separar os espaços, foi construído a Fonte dos Amores, que, além do aspecto decorativo, auxiliava também no abastecimento de água. A peça, que ainda se encontra no local, possui duas faces: em uma, há o Chafariz dos Jacarés, que é a primeira representação artística de um animal brasileiro; na outra, o do Menino, onde o detalhe que nomeia o ornamento também tinha a mesma função. Acima dele, há escrito o lema "Sou útil inda brincando", em referência à sua função. Completava o conjunto um coqueiro, cuja história remete à nomenclatura da obra: a árvore seria uma homenagem encomendada por D. Luís de Vasconcelos a uma moça pela qual ele havia se apaixonado, que morava em uma casa ornada com coqueiros. O detalhe foi destruído por um vendaval e retirado de lá em 1806. Em seu lugar, foi instalado um busto da deusa romana da lua e da caça, Diana. A inauguração do espaço revitalizou imediatamente a região anteriormente degradada e logo se tornou um ponto de encontro entre as famílias.


Através do Chafariz do Menino, existia um terraço com dois pavilhões que funcionavam como mirantes e que eram as principais atrações da cidade. Um deles era decorado por Francisco Xavier Cardoso Caldeira, o Xavier dos Pássaros; o outro, por Francisco dos Santos Xavier, o Xavier das Conchas. As paredes de ambos eram ornadas com 16 paineis ovais pintados por Leandro Joaquim - um dos únicos artistas a retratar a então extinta Lagoa do Boqueirão. Na construção de Xavier dos Pássaros, desenhos de aves adornavam o interior, cujas telas (maiores que as do outro espaço) traziam imagens de produtos oriundos da terra, como cana-de-açúcar, mandioca e café. O deus grego da caça, Apolo, era representado em uma escultura. Já na estrutura de Xavier das Conchas, itens marítimos foram lembrados e os quadros retratavam o cotidiano carioca e cenas do mar, como a caça de baleias. A figura mitológica retratada nele era o deus do comércio, Mercúrio. Cada um possuía quatro janelas grandes de vidro e duas portas de dobrar. No lado de fora, vasos com abacaxis de metal complementavam o visual.


Em 1786, o espaço foi o local escolhido para as festividades comemorativas do casamento do príncipe-regente D. João VI e sua esposa, a princesa espanhola Carlota Joaquina, que aconteceu em Portugal no dia 8 de maio. Na festa, que teve início em 2 de fevereiro e terminou somente em 28 de maio, houve touradas, cavalhadas e desfile de seis carros alegóricos, projetados por Antônio Francisco Soares, que representavam, respectivamente, o deuses romano do fogo, do dia e do vinho, Vulcano, Júpiter e Baco; os mouros (em referência ao povo que, séculos antes, invadiu a Península Ibérica) e as cavalhadas érias e burlescas, celebrações barrocas que se tornaram ícones carnavalescos da época. Nos folhetos de divulgação, o parque era descrito como "a praça mais lustroza e e pública do Passeio" da cidade.


Em 1806, Mestre Valentim realizou sua última intervenção no local: foram esculpidas duas pirâmides triangulares, que foram instaladas em frente ao Chafariz dos Jacarés e cercadas por um pequeno espelho d'água. Há quem considere a peça uma das precursoras da escultura abstrata brasileira. Atualmente, é um dos ícones do ambiente.


Pouco tempo depois, em 1815, tiveram início em um dos pavilhões as aulas de Botânica lecionadas por Frei Leandro do Sacramento. Os ensinamentos eram transmitidos aos alunos através de materiais coletados no próprio parque, o que deu início ao ensino de ciências naturais no Brasil. As turmas eram compostas principalmente de intelectuais da Corte, que havia chegado ao país sete anos antes. Esses encontros atraíam dezenas de curiosos ao Passeio Público, que, após mais de três décadas de funcionamento, encontrava-se degradado.


Para devolver a beleza daquele que havia sido o único espaço voltado ao lazer na cidade, o regente D. João VI encomendou uma grande reforma, que teve início no ano seguinte. O projeto de Mestre Valentim foi todo reformulado. As estruturas de Xavier das Conchas e Xavier dos Pássaros, já descaracterizadas devido uma série de obras que os recuperaram após serem parcialmente destruídas, foram substituídas por outras octogonais, além de outras semelhantes que foram erguidas no terreno. O adorno que dava nome ao Chafariz do Menino foi retirado, assim como outras esculturas , que foram recolocadas em 1841 (com exceção da peça da fonte - em seu lugar, foi instalado um anjo de chumbo). O medalhão em homenagem à D. Maria e D. Pedro III de Portugal também foi restaurado.


Apesar dos cuidados, o parque voltou a ser um lugar degradado na década de 1850. Em janeiro de 1860, o príncipe Maximiliano, da Áustria, teria visitado a área e demonstrado incômodo ao mau cheiro, o que causou constrangimento entre as autoridades presentes. Por isso, foi encomendada uma nova mudança, que teve início no ano seguinte. A proposta do arquiteto Auguste François Marie Glaziou (o mesmo dos jardins da Quinta da Boa Vista) foi a primeira grande modernização do jardim, que antes tinha estilo francês e agora era inspirado em modelos ingleses. Os caminhos internos retos foram substituídos por passagens curvas e muitas árvores foram derrubadas. Em seus lugares, novas espécies foram plantadas, como as exóticas figueira da Índia e gameleira. Além disso, foi acrescentado um pequeno desnível em um dos cantos, de onde jorrava uma pequena cascata que formava um rio e resultava em vários lagos. Como atrativo, foi inaugurado uma cafeteria, que se tornou um ponto de encontro da sociedade principalmente durante à noite, quando uma banda alemã se apresentava no coreto ao seu lado. Durante a reforma, o local - que ainda era o único destinado ao lazer na cidade - foi fechado. A reinauguração aconteceu em 7 de setembro de 1862, na comemoração dos 40 anos da Proclamação da Independência. O projeto de Glaziou fez tanto sucesso que inspirou a construção de outro Passeio Público - dessa vez, o local escolhido foi Curitiba.


Durante o projeto de alteração urbana do prefeito Pereira Passos, entre 1902 e 1906, o tradicional ambiente foi novamente melhorado. O pavimento do terraço foi restaurado e a grama, trocada. Além disso, foram construídos pequenos banheiros. Por causa do aterro para a abertura da Avenida Beira Mar, o mar foi afastado do Passeio Público, cujo terraço ganhou escadas que permitiram o acesso por ali. Em 1904, a construção de um aquário para espécies de ambiente salgado tornou-se uma nova atração. Sua inauguração foi adiada inúmeras vezes devido à dificuldade de encontrar água compatível com o organismo dos animais. Composto de 11 piscinas e tanques, mostrava aos visitantes uma amostra dos seres que habitavam a Baía de Guanabara. Outros eram expostos em um mural decorativo.


Na década de 1920, a área tornou-se novamente degradada após a construção de um novo aterro, que afastou mais ainda o mar. Em 1922, a realização da Exposição Internacional Comemorativa do 1º Centenário da Independência, montada nas proximidades, foi responsável por mudanças drásticas no parque. O terraço e os pavilhões foram destruídos para a construção de um hotel que abrigaria os visitantes do evento. No total, seriam erguidos dois prédios em estilo neo colonial, ligados por uma pérgula (o que ajudaria a preservar a Fonte dos Amores), com salão de festas, mirante, salão de jogos e outras diversões noturnas. No entanto, a empresa responsável faliu em 1924. Três anos após o abandono, os empresários Nicolino Viggiani e Paulo Laport propuseram ao prefeito Alaor Prata transformar o espaço em um teatro e conquistaram o direito de explorá-lo comercialmente por nove anos. No entanto, devido à demora em concluir às obras, o prazo foi duplicado.


Os prédios do Theatro Casino e do Casino Beira-Mar (ambos com essa grafia) foram inaugurados em 1926. No complexo, além do espaço teatral (com capacidade para 500 pessoas), funcionava também um cabaré. Após oito anos, a prefeitura extinguiu o contrato com Laport (Nicolino havia deixado a parceria antes mesmo do início do empreendimento) e cedeu a construção à Escola Dramática de Theatro, que funcionou ali por dois anos até os imóveis serem demolidos pelo prefeito Henrique Dodsworth, que visava melhorar o trânsito na Avenida Beira-Mar. Com isso, o novo trecho ganhou o nome de Rua Mestre Valentim, em referência ao primeiro arquiteto do Passeio Público.


Em 1946, foi realizada uma inspeção que, mais uma vez, detectou o estado de abandono do antigo parque. O cercamento fora retirado poucos anos antes, ainda no mandato de Dodsworth, por ser considerado "um obstáculo" para o acesso da população; no entanto, o efeito foi contrário, pois a frequência livre, sem restrição de horário, resultou na falta de cuidado do povo e em atos de vandalismo (o portão de Mestre Valentim foi reconstruído no interior do jardim - posteriormente, em 1968, ele foi devolvido ao seu lugar original) O gramado encontrava-se com muitas falhas; as esculturas em forma de pirâmide, cobertas pela vegetação e os jardins, mal tratados. As grades foram recolocadas somente em 1969, seguindo o projeto original de Glaziou.


O Passeio Público passou por outras grandes obras em 1988 e em 2004, Essa última foi considerada a maior recuperação já feita em um parque brasileiro. O espaço, que somava mais de 220 anos, passava por um período de abandono. Dentre as intervenções, destacam-se a instalação sistema de drenagem para captar água das chuvas, o trabalho de arqueologia (que descobriu o local exato onde existia o teatro e o cassino), a troca do mobiliário, a retirada da vegetação rasteira que descaracterizava o projeto de Glaziou, a substituição do gradil (que estava deteriorado), a restauração das esculturas (como as que representam as estações do ano, instaladas no segundo urbanismo do local), a instalação de uma réplica do adorno do Chafariz do Menino, a restauração das peças que dão nome ao Chafariz dos Jacarés, a melhora da iluminação (destacando, principalmente, os itens da época de Mestre Valentim), a pavimentação dos caminhos e a recuperação do portão, convidando os público a voltar a frequentar aquele que já foi a principal área de lazer carioca.


Fonte:
CARVALHO, Anna Maria Monteiro de. (1999). Mestre Valentim. São Paulo: Cosac e Naify Edições, 2003. 115 páginas.
PEREIRA, Sónia Gomes. A representação do poder real e as festas públicas no Rio de Janeiro colonial. In: Barroco - Actas do II Congresso Internacional. Porto (Portugal), 2003. Disponível em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/7520.pdf
SANTUCCI, Jane. Os pavilhões do Passeio Público: Theatro Casino e Casino Beira-Mar. Rio de Janeiro: Editora Casa da Palavra, SD. 179 páginas.
SEARA, Berenice. Guia de roteiros do Rio Antigo. Rio de Janeiro: Infoglobo Comunicações Ltda, 2004. 205 páginas.
In: http://www.passeiopublico.com
In: http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com.br/2012/05/passeio-publico.html
In: http://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/passeio-publico-parque.html
In: http://www.fbmachado.8k.com/passeio.htm
In: http://www.casaruibarbosa.gov.br/glaziou/projetos1.htm
In: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/passeio-de-rico
In: http://www.riodejaneiroaqui.com/pt/aquario-do-passeio-publico.html
In: http://www.riodejaneiroaqui.com/pt/aquario-do-passeio-publico.html
In: http://www.ctac.gov.br/centrohistorico/TeatroXPeriodo.asp?cod=149&cdP=5
In: http://www.rioquepassou.com.br/2007/02/01/av-beira-mar-com-texeira-de-freitas-anos-30/
In: http://www.rioquepassou.com.br/2008/01/08/passeio-publico-anos-40/
In: http://www.rioquepassou.com.br/2010/03/15/rua-do-passeio-e-passeio-publico-final-dos-anos-40/

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