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Carioca

O Largo da Carioca é um dos locais mais movimentados no Centro. Localizado perto da Av. Rio Branco, entre a Cinelândia e a Rua Uruguaiana, possui uma das maiores estações de metrô da cidade e um grande mercado popular. No cenário, predomina o contraste entre as arquiteturas modernas de prédios como as sedes do BNDES e Petrobras e as antigas construções, como o secular Convento de Santo Antônio.

A região começou a ser ocupada, ainda no século XVI, pelos religiosos franciscanos que chegaram ao Rio de Janeiro em 1592. Após uma breve passagem pela capela que existia na Praia de Santa Luzia (onde, em 1752, foi erguida a atual igreja homônima), os frades se mudaram para o Morro de Santo Antônio, em 1607, onde havia uma ermida dedicada a esse santo. O convento, que tinha somente um andar, foi construído entre 1608 e 1615, junto com a Igreja de Santo Antônio (finalizada em 1620). Inspirada em obras francesas, possui apenas um altar, onde a decoração barroca se concentra.

A presença dos representantes da igreja atraíram os primeiros moradores, que desceram o Morro do Castelo e construíram suas casas na Rua do Egito (atual Rua da Carioca). Aberta entre 1697 e 1698, a via era lembrada por causa de um oratório público que representava a fuga da Sagrada Família ao país africano. Devido uma grande cerca que dividia o espaço religioso, as casas inicialmente concentravam-se somente no lado direito da via.

Em 1710, o Rio de Janeiro sofreu uma invasão francesa comandada pelo corsário Jean-François Duclerc, que tinha interesse no ouro escoado de Minas Gerais. Os portugueses foram avisados e as fortalezas de Santa Cruz e São João bombardearam a frota, que seguiram viagem rumo ao sul, saqueando fazendas e engenhos pelo caminho. Desembarcaram em Jacarepaguá e fizeram o trajeto de volta todo a pé. Com medo de um possível ataque, o governador Castro Morais pediu a proteção de Santo Antônio do Relento e a imagem da santidade, que ficava na Igreja de Santo Antônio, foi enviada para ele. O governante solicitou que ela fosse colocada na muralha do convento, junto com uma lâmpada votiva acesa. Após a derrota dos franceses, acreditou-se que a peça teve papel decisivo na defesa do território. Por isso, ela recebeu patente de capitão de infanta. Mais tarde, o príncipe-regente D. João VI promoveu-a a sargento-mor, em 1810, e a tenente-coronel, em 1814. O pagamento do soldo foi suspenso somente em 1911. A estátua encontra-se no nicho de granito do pórtico de acesso da igreja, sempre acompanhada da iluminação.

Entre 1657 e 1747, a construção da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência completou o conjunto. Erguida em um terreno vizinho à Igreja de Santo Antônio, é toda barroca e com talhas douradas. Até hoje, é considerada uma das obras religiosas mais importantes da cidade. As imagens em seu interior possuem grande valor artístico, como a de Nossa Senhora da Conceição, no altar, a de São Francisco de Assis e a do Senhor Crucificado. O chão é revestido de mosaico de mármore, formando um delicado desenho de ramagem. O teto foi pintado por Caetano Costa Coelho entre 1737 e 1740 e representa a glorificação de São Francisco de Assis, foi pintada por Caetano da Costa Coelho entre 1737 e 1740.

Na medida em que o espaço religioso crescia, a região sofria severas mudanças. Apesar do espaço abundante, existia um grave problema em dias de chuvas: a Lagoa de Santo Antônio, que ocupava o vale entre os morros de Santo Antônio e do Castelo transbordava. Sua área abrangia todo o atual Largo da Carioca e ia até onde, em 1909, foi construído o Theatro Municipal. Para drenar essa água, foi construída uma vala, conectando-a com a Prainha (atual Praça Mauá). Nessa época, o único espelho d'água ligado naturalmente ao mar era a Lagoa do Boqueirão, entre os morros de Santo Antônio e Santa Teresa. O caminho surgido no entorno desse fosso deu origem à Rua da Vala (nome mantido até 1865, quando passou a se chamar Rua da Uruguaiana). Ela traçava os limites urbanos e, visando à defesa da cidade, foi construída nela um muro, cuja proposta não foi bem concluída por causa de erros estruturais, como sua altura e o fato do Morro de Santo Antônio estar fora da sua área de defesa - dessa forma, o invasor que conquistasse esse território conseguiria bombardear todo o resto, que estava "protegido". O problema do mau cheiro exalado por ela começou a ser solucionado em 1723, com o início do seu aterro (finalizado cerca de 20 anos depois).

A partir de 1741, a Rua do Egito (atual Rua da Carioca) passou a ser chamada de Rua do Piolho em homenagem a um morador local bastante conhecido. Pouco tempo depois, em 1750, a construção do Aqueduto da Carioca (os Arcos da Lapa) levou as águas do Rio Carioca até o local, que passou a ser abastecido por um enorme chafariz de mármore com 16 bicas de bronze. Em referência a essa estrutura, os moradores passaram a chamar a região de Carioca. Antes disso, o Convento já tinha três poços que abasteciam todo o complexo. Dois deles foram aterrados. O outro, no lado norte (perto da Rua da Carioca), não é mais usado, apesar de ainda ter água limpa em seu interior. Possui oito metros de altura e seis de diâmetro.

Apesar de a estrutura ser suficiente para o abastecimento, o convento tornou-se pequeno demais para abrigar o número de franciscanos, que cada vez crescia mais. Por isso, entre 1748 e 1780, ele foi substituído pela construção atual, com dois andares. No mesmo ano em que sua obra foi iniciada, teve começo também a edificação do Hospital de Santo Antônio da Penitência, pertencente à Ordem Terceira da Penitência, que foi inaugurado em 1763 e permaneceu na esquina das ruas Carioca e Uruguaiana até 1906, quando foi desapropriado por causa das reformas urbanas promovidas pelo prefeito Pereira Passos. A instituição servia de referência médica para a Família Real, que chegou da Europa em 1808.

No século XIX, o Largo da Carioca passou por mais mudanças. Uma delas foi a alteração do nome da Rua do Piolho, em 1848. Somente nesta época, quase cem anos após a construção do aqueduto, o logradouro teve sua nomenclatura popular oficializada. O povo começou a chamá-la assim por ser o caminho para o antigo chafariz, que, com o passar do tempo, continuava a ser muito útil em sua função, mas se tornou um problema. As bicas frequentemente eram esquecidas abertas, o que causava desperdício. Além disso, a água jorrando, em contato com a poeira, produzia muita lama. Havia ainda mais um problema: a população havia crescido muito e as 16 bicas já não eram mais suficientes para atender a todos. Por isso, em 1830, a fonte foi demolida e, em seu lugar, erguida outra de madeira, projetada pelo arquiteto João Cândido Guillobel, que também trouxe transtornos e foi substituída, em 1834, por uma nova estrutura com uso semelhante, toda de granito e com 35 saídas de água, assinada pelo arquiteto Grandjean de Montigny.

Na segunda metade do século, o Largo da Carioca recebeu novo urbanismo, desenvolvido pelo paisagista francês Auguste Glaziou em sua passagem pelo Brasil. Além disso, a região foi enriquecida com dois prédios que tiveram grande importância durante suas existências. Um deles era Theatro Lyrico (grafado em alguns veículos da época como Lírico) ficava na Rua Treze de Maio, ocupando o terreno do antigo Circo Bartholomeu, que funcionou até 1865, quando o proprietário decidiu edificar um teatro homenageando o imperador. A casa, com o nome de Imperial Theatro Dom Pedro II, foi inaugurada em 1871 com um grande baile de máscaras, festejando o Carnaval. Seu interior contava com 84 camarotes (uma metade era de primeira classe e a outra, de segunda); 500 galerias numeradas, 1035 assentos, sendo 426 de primeira classe, 289 de segunda e 220 de varanda. Após a proclamação da República, foi rebatizado com a nomenclatura que o acompanhou até seus últimos dias de funcionamento. Por seu palco, passaram espetáculos como "O Vagabundo", do maestro Henrique de Mesquita; "O Escravo" e "O Condor", ambos de Carlos Gomes, e "Fedora', encenado pela atriz francesa Sarah Bernhart. Todos começavam pontualmente às 20h30m, mas como os lugares mais populares não eram numerados, era comum a fila começar a se formar por volta das 16h.

Entre o Theatro Lyrico e o chafariz, havia a sede da Imprensa Nacional. Construído em 1877, abrigou a instituição fundada pelo príncipe-regente D. João em 1808 com o nome de Imprensa Régia, que, além de divulgar os atos oficiais do governo (de maneira semelhante à feita pelo Diário Oficial nos dias atuais), foi a responsável pelo surgimento da imprensa no Brasil.

Antes do século XX, a Rua da Carioca teve seu nome alterado para Rua São Francisco da Penitência, em 1879. A novidade não se propagou entre o povo e o logradouro foi rebatizado como Rua São Francisco de Assis, em 1882. Mais uma vez a mudança não deu certo e, em 1892, a via passou a ser chamada de Rua da Carioca. Apesar do apelo popular, a troca não foi definitiva: em 1918, passou a se chamar Rua Presidente Wilson (mesma nomenclatura dada à via que, na época, era um trecho da Avenida Beira-Mar) durante um ano, até a alcunha anterior voltar a ser usada.

Poucos anos antes do nome tornar-se definitivo, as reformas urbanas promovidas pelo prefeito Pereira Passos, que governou a cidade entre 1902 e 1906, provocaram mudanças no Largo da Carioca, que resultaram no aumento da área da praça. O local era considerado feio pelo governante: ao sul, havia a grande estrutura de granito que servia de apoio ao chafariz; a oeste, o Hospital de Santo Antônio da Penitência e, a leste, construções que, segundo ele, eram grotescas. Após a Rua Uruguaiana ser alargada, a Prefeitura decidiu alinhar o novo lado ímpar com o chafariz (que ainda funcionava). Havia interesse em estendê-la além do monte, o que seria inviável por causa dos prédios da Imprensa Nacional e do Theatro Lyrico. Por isso, foi definida a demolição de metade do antigo prédio do Hospital de Santo Antônio da Penitência (apesar do prédio inteiro ter sido destruído ainda em 1906). O terreno seria usado para o alargamento da praça. Paralelamente, a Rua da Carioca também era alargada e todo o seu lado direito foi demolido. A fonte foi poupada de modificações pois, segundo Passos, enfeitá-la com ornamentos e estátuas seria semelhante a rebaixá-lo ao ridículo da velhice.

Foi após as mudanças promovidas por Pereira Passos que o Largo da Carioca recebeu um dos seus ícones: a estrutura que, mais tarde, daria origem ao relógio de ferro que se destaca na paisagem com seu visual antigo, porém elegante. Com a abertura da Avenida Central (atual Rio Branco) nas proximidades, foi instalado, em 1906, um lampadário decorativo na Lapa, celebrando o novo caminho. A nova peça foi inspirada nessa primeira. Feita inteiramente de ferro fundido pela Fundição Brasileira Kobler, possui, em sua base, a imagem de três sereias aladas, que representam o comércio, a indústria e a navegação. A iluminação era feita por meio de três luminárias superiores e três inferiores. Visualmente, remetia ao urbanismo francês, combinando com as obras feitas pouco tempo antes.

Na medida em que os anos passavam, as antigas construções eram demolidas. O chafariz foi destruído em 1926 para o alargamento da Rua da Velha Guarda (atual Treze de Maio), que começava no Largo da Carioca. Na época, ele já não tinha mais tanta serventia, apesar do problema de abastecimento ainda existir. Junto dele, teve fim a antiga estação dos bondes para Santa Teresa, que ficava atrás da fonte. Em seguida, em 1934, foi a vez do Theatro Lyrico ser posto abaixo. Após mais de 60 anos de serviços, tornou-se antiquado e era citado pela mídia da época como "um verdadeiro trambolho que desfigurava a cidade". Sua derrubada, justificada pelas necessidades estéticas do progresso, era vista como um fator antecedente ao fim da edificação da Imprensa Nacional, que havia sofrido um incêndio em 1911, mas continuou atendendo sua função até 1941, quando foi destruída para a expansão da praça.

Com o terreno do Theatro Lyrico desocupado, foi construído, no lugar, o ponto de bondes que saía da Zona Sul com destino ao Centro (os originados da Zona Norte paravam no Largo de São Francisco de Paula, próximo dali). A marquise retangular, projetada pelo calculista Roberto Pena Chaves, foi inaugurada em 1939, foi apelidada pela população de Tabuleiro da Baiana devido à semelhança com o objeto no qual as baianas vendiam guloseimas. A construção fez parte do novo urbanismo do Largo da Carioca, durante o governo do prefeito Henrique Dodsworth (1937 - 1945) e tinha caráter provisório, para abrigar os transportes que saíam da Avenida Rio Branco com destino ao Largo da Carioca, agora ampliado até a Rua Almirante Barroso.

Pouco tempo depois, durante a prefeitura de Ângelo Mendes de Morais (1947 - 1951), a praça recebeu uma pequena mudança: a luminária instalada em 1909 foi transformada em um relógio. Constituído de quatro faces quadradas com fundo circular, em que estão os números e ponteiros, o objeto passou a ocupar o espaço das três luminárias superiores. Acima dele, uma pequena ponteira, também de ferro, completa o adorno.

Em 21 setembro de 1956, uma obra inédita trouxe novos ares ao Largo da Carioca. Comemorando o Dia da Árvore, um jardim foi todo plantado em 72 horas. Encomendado pelo prefeito Negrão de Lima (1956 - 1958), foi complementado, em outubro, com outro ajardinamento, plantado na sua frente em sete dias. Este possuía também uma cortina d'água na murada do Convento de Santo Antônio, que assemelhava-se a uma cascata e, durante à noite, era iluminada - na inauguração, alguns cariocas criticaram a intervenção aquática, já que o problema de abastecimento ainda era muito forte na cidade. Além disso, foi plantado um pé de café no meio da vegetação, mostrando aos estrangeiros a planta que, na época, era a principal responsável pelo capital brasileiro e representando o primeiro cafezal da cidade, em 1760. As mudas que foram as pioneiras não ficavam exatamente no Largo da Carioca e sim no Hospital dos Barbonos (atual Quartel General da Polícia Militar), localizado no Caminho dos Arcos Velhos da Carioca (hoje, Rua Evaristo da Veiga), a aproximadamente 400m de onde o ajardinamento foi realizado.

O desmonte parcial do Morro de Santo Antônio, entre 1956 e 1957, mudou drasticamente o cenário da região. Sua destruição era planejada há muitas décadas, mas efetuada somente nessa época. A terra foi levada, de caminhão, até o mar, formando a nova orla, por onde atualmente passa o Aterro do Flamengo. Apenas a parte do Convento de Santo Antônio foi preservada. Outra grande alteração foi a abertura da Avenida República do Chile. A área foi conquistada com a demolição do monte. Era planejada a construção de diversas casas de espetáculo no novo logradouro, tornando o local um ponto turístico. A proposta era criar uma Broadway carioca (da mesma forma que o empresário espanhol Francisco Serrador queria fazer com a Cinelândia, que, nessa época, já perdia essa identidade), diante da carência de teatros na região outrora rica em salas. Além da destruição do Lyrico, o Phoenix (também grafado como Fênix), que recebia espetáculos desde 1910, foi fechado em 1950 e demolido em 1958, assim como o Glória, o Cassino e o Rialto. Ainda tinham os teatros Trianon, Centenário, Palácio-Teatro, Íris e Pathe, transformados em cinemas (destes, somente o Íris continua em funcionamento, exibindo filmes eróticos e ostentando o título de "sala mais antiga da cidade", devido à data de sua fundação, em 1909, mesmo ano da inauguração do Cine Ideal, também na Rua da Carioca - este, no entanto, funcionou até 1961 e depois se tornou uma boate com o mesmo nome). Havia planos de atrair novos moradores ao Centro com a nova avenida, que se tornou uma divisória entre a arquitetura colonial das construções antigas e os modernos prédios, erguidos no lugar do morro.

Ainda no final da década de 1950, o início de uma obra inacabada deixou outra marca na região. Com a demolição do Morro do Castelo, em 1922, o lado ímpar da Rua São José, entre as ruas da Quitanda e Chile (atual da Ajuda) gerou um problema: o terreno de muitos sobrados acompanhava o desnível existente devido ao antigo monte. Essas construções foram compradas pela empresa Lume Empresarial, que planejava erguer ali sua sede. Após escavar o buraco onde seria edificada a fundação e a garagem do novo arranha-céu, a construtora faliu, deixando apenas a abertura e muitos tapumes. A escavação tornou-se conhecida como Buraco do Lume e se tornou parte da paisagem por cerca de 20 anos, até ser aterrada.

Enquanto os tapumes enchiam o espaço vizinho ao Largo da Carioca, outra obra teve início em seu extremo oposto, em 1968. Após 29 anos, o Tabuleiro da Baiana foi destruído para a expansão da Avenida República do Chile, que passou a ser ligada à Rua Almirante Barroso. Apesar da grande utilidade durante seu período inicial, tornou-se degradado com o passar dos anos, servindo de abrigo para moradores de rua. Com a extinção dos bondes durante o governo de Carlos Lacerda (1961 - 1965), a estrutura passou a servir de ponto de ônibus. Somente o bonde para Santa Teresa, que também partia dali, foi mantido em atividade e, após a demolição, ganhou outra estação em uma rua próxima, aberta especialmente para receber esse prédio.

Apesar do prédio da Lume Empresarial não ter saído do papel, as sedes da Petrobrás e do BNDES tiveram papeis importantes na modernização da região. O edifício da estatal de petróleo (localizado na Avenida República do Chile, 65) saiu do papel em 1969. Projetado pelos arquitetos Roberto Luiz Gandolfi, José Sanchonete, Abraão Aniz Assad, Luiz Forte Netto, Vicente e Castro Neto e José Maria Galdolfi, atrai atenções e divide opiniões com seu estilo hiperrealista construtivista, mesclado com a poesia de uma escultura abstrata. Já a edificação do banco (situada na Avenida República do Chile, 100) é datado de 1974. Seu projeto foi assinado pelos arquitetos Alfred Willer, Ariel Stelle, José Ramalho Jr., José Sanchonete, Leonardo Oba, Oscar Mueller e Rubens Sanchonete e apresenta a fachada revestida de vidro.

Outra construção com arquitetura diferenciada é a Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro, inaugurada em 1976. Projetada pelo arquiteto Edgar de Oliveira Fonseca, teve seu projeto alterado inúmeras vezes, o que resultou na fachada cônica. Seu interior é decorado com quatro vitrais, cada um com 52m de altura e 15m de largura na base (no topo, essa medida é reduzida para 10m), que são estampados com desenhos do alemão Lorenz Heilmar que representam os quatro dotes da Igreja: Una, Santa, Católica e Apóstolica. Ela foi inaugurada em novembro, ainda sem estar pronta, no próprio dia 16, dia exato do terceiro centenário do bispado carioca (a cidade foi elevada à diocese em 1676). A transferência da sé, no entanto, aconteceu somente no dia 20, com uma procissão saindo da Praça XV rumo ao novo endereço.

Anteriormente, no mesmo ano, o Largo da Carioca havia se transformado em um enorme canteiro de obras com o início da construção do metrô. O logradouro foi todo destruído e transformado em um buraco de 15 mil m², escavado para a abertura do túnel. No período inicial da obra, apenas o relógio foi mantido; no entanto, na medida em que ela avançava, ele foi desmontado. A volta ao mesmo lugar, aconteceu somente em 1983, após ser tombado pelo Instituo Estadual do Patrimônio Cultural. A estação foi inaugurada em 1981

Em 1979, outra intervenção trouxe mudanças à região. O Buraco do Lume foi drenado e parcialmente aterrado, após o terreno ser expropriado pela Prefeitura. Foram usados 25 mil metros cúbicos de terra, areia, entulho e restos de demolições, levados em cinco mil viagens de caminhões. Em seguida, teve início o ajardinamento da Praça Melvin Jones (atual Mário Lago), criada para substituir a que havia sido destruída, anos antes, para a construção do Terminal Menezes Cortes. Parte do desnível foi aproveitada no urbanismo do novo espaço público, que ganhou um lago cercado por passarelas e uma cascata. Esse espelho d'água substituiu o que havia sido improvisado no espaço anteriormente: com o acúmulo da chuva, formou-se um bolsão, abastecido com peixes para diminuir a entrada de pessoas. Apesar do novo nome, a praça continuou sendo conhecida pela população como Buraco do Lume e tornou-se o endereço de tradicionais manifestações políticas, principalmente dos partidos de esquerda.

Com a inauguração da estação do metrô, em 1981, o Largo da Carioca passou por um período de indefinição urbanística. Foi prevista uma reurbanização, que previa o plantio de 250 árvores e a criação de lagos e jardins, além da pavimentação com pedras portuguesas formando um desenho semelhante ao da Avenida Atlântica, desenhado pelo paisagista Roberto Burle Marx (única parte da ideia realmente efetuada). Esse cenário atraiu muitos camelôs, que se fixaram no espaço. Atualmente, além do variado comércio ocupando a praça em frente ao Convento de Santo Antônio, há muitos vendedores de livros usados ocupando a saída da estação, em direção à Avenida Rio Branco.

Com o passar dos anos, o Largo da Carioca transformou-se no caminho de milhares de pessoas, que transitam por ali. Se, para muitos, é apenas uma passagem, para outros, é uma excelente opção turística. Em todo dia 13 de junho, o Convento de Santo Antônio (cujas igrejas são abertas à visitação) realiza uma festa imperdível em homenagem ao santo. O destaque fica por conta da distribuição do bolo (durante muitos anos, a sobremesa era uma torta). Há quem diga que a sortuda que encontrar a miniatura do santo casamenteiro em seu pedaço em breve irá subir ao altar. Há ainda, nas proximidades, o restaurante Casa Urich, que desde 1913 conquista o paladar dos cariocas com sua gastronomia alemã. Além disso, o triângulo formado por três confeitarias tradicionais também são atrativos: enquanto a Casa Cavè, inaugurada em 1860, ostenta o título de mais antiga do Brasil, sua vizinha, a Manon, divide com ela as opiniões dos frequentadores. No entanto, é a Colombo que atrai os olhares com seu belo interior decorado com espelhos belgas, mobiliário de jacarandá e bancadas de mármore italiano.

Fonte:
AZURÉM, Júlio. "Os benefícios da picareta...". Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 de janeiro de 1934, página 6.
BIONDO, Sonia. "Largo da Carioca: sem fisionomia definida, apenas um grande estacionamento clandestino". O Globo, Rio de Janeiro, 2 de novembro de 1981, página 13.
BRENNA, Giovanna Rosso Del (org). O Rio de Janeiro de Pereira Passos: Uma cidade em questão II. Rio de Janeiro: Editora Indez, 1985. 622 páginas.
SEARA, Berenice. Guia de roteiros do Rio Antigo. Rio de Janeiro: Infoglobo Comunicações Ltda, 2004. 205 páginas
LIMA, Hermeto. "O Teatro Lirico". Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 de dezembro de 1933, página 3.
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SN. "Pé de café no jardim do Largo da Carioca". O Globo, Rio de Janeiro, 16 de outubro de 1956, página 18.
SN. "Com cascata e jardim, tem nova aparência o Largo da Carioca". O Globo, Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1956, página 4.
SN. "Entregues à Cidade a pista da Glória e a Avenida Chile". O Globo, Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 1959, página 2.
SN. "Abertura da Av. Chile facilita moradia no Centro do Rio". O Globo, Rio de Janeiro, 7 de março de 1959, página 9.
SN. "Que tal uma Broadway na Avenida Chile?". O Globo, Rio de Janeiro, 7 de abril de 1959, página 11.
SN. "O carioca dará nome à Broadway da Av. Chile". O Globo, Rio de Janeiro, 4 de setembro de 1959, página 5.
SN. "Um tabuleiro sem muita estética". O Globo, Rio de Janeiro, 4 de janeiro de 1968, página 9.
SN. "Tabuleiro da Baiana cai após vinte e nove anos". O Globo, Rio de Janeiro, 9 de julho de 1968, página 19.
SN. "O Rio perde seus largos e o carioca o descanso". O Globo, Rio de Janeiro, 10 de março de 1976, página 35.
SN. "Após 300 anos o Rio ganha enfim sua Catedral". O Globo, Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1976, página 26.
SN. "'Rush' de obras na Catedral para a inauguração no dia 16'". O Globo, Rio de Janeiro, 14 de novembro de 1976, página 16.
SN. "Recomerça a obra de aterro do buraco do Castelo". O Globo, Rio de Janeiro, 15 de abril de 1979, página 18.
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