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Sambódromo (Passarela Professor Darcy Ribeiro)

No Carnaval, apesar dos blocos levarem as pessoas às ruas, a maior festa é realizada no "Sambódromo" (apelido pelo qual a Passarela Professor Darcy Ribeiro é conhecida). Pela estrutura de 700m, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, desfilam as principais escolas de samba, que compõe os grupos Especial e da série A. Antes de sua ianuguração, em 1984, essas agremiações já tinham muita história para contar em seus desfiles pelas ruas do Rio de Janeiro.

O primeiro desfile oficial do carnaval aconteceu em 1932, na Praça 11. Nos três anos anteriores, alguns conjuntos já haviam organizado uma festa semelhante no mesmo lugar; no entanto, não houve julgamento. A ganhadora foi a Estação Primeira de Mangueira, com o enredo "A Floresta". O feito foi repetido nos dois anos seguintes. Há quem diga que, inclusive, ela pode ser considerada a mais antiga, por ser a primeira com ata de fundação, assinada em 1928 (alguns historiadores dizem que foi em 1929) após um desdobramento do Bloco dos Arengueros, que divertia as ruas do entorno da Mangueira e da Praça Onze. No entanto, há quem defenda que, antes dela, a Portela, com o nome de Conjunto Oswaldo Cruz, já existia desde 1923, apesar de ter sido transformada em um grêmio recreativo somente em 1934. Havia ainda a Deixa Falar, ainda mais antiga, que não chegou a concorrer em 1932. Os ensaios dela aconteciam perto da Escola Estácio de Sá, que funcionava como Escola Normal (para formar professores), que ficava na esquina das ruas Estácio de Sá e Joaquim Palhares (na época, ainda uma continuação da Rua São Cristóvão - neste logradouro, a instituição ocupava o número 18). Por causa da proximidade, os fundadores brincavam dizendo ser uma "escola de samba", pois ensinava as pessoas a apreciarem esse estilo (que havia surgido pouco tempo antes - o primeiro registro, "Pelo Telefone", é datado de 1916).
Este nome popularizou-se e definiu esse tipo de agrupamento.


Apesar das escolas de samba atraírem cada vez mais o público (o prórpio Walt Disney visitou a sede da Portela em 1941 - como sua viagem ao Brasil não aconteceu perto do Carnaval, ele não assistiu ao desfile), a festa continuou sendo realizada na Praça Onze até 1942. Neste ano, em virtude das obras de abertura da Avenida Presidente Vargas, eles foram transferidos, sem sucesso, para a Avenida Rio Branco. Por causa do contexto da Segunda Guerra Mundial (os desfiles aconteceram em fevereiro, no mesmo mês da entrada do Brasil no conflito), as agremiações contaram com pouca verba para a festa daquele ano, o que decepcionou o público, acostumado com festas bonitas e com muitos carros. Além disso, o contraste com os luxuosos bailes foi notícia na época. Apesar disso, as poucas pessoas que assistiram puderam se divertir com as músicas tocadas em alto falantes em toda a extensão da via, animando até quem se encontrava na Cinelândia para assistir a entrada dos convidados do Theatro Municipal (um dos mais concorridos da cidade). Mesmo assim, apesar de não ter correspondido às expectativas, a passagem das escolas de samba foi documentada com o intuito de virar um filme. O local foi mantido até 1944. Nesse ano, foram realizadas manifestações contra o regime nazista durante o desfile.


A cobrança de ingressos para assistir os desfiles começou em 1945. Metade da verba seria destinada à Força Expedicionária Brasileira para ajudar o Brasil nos conflitos que aconteciam na Europa. Nesse ano, eles aconteceram no Estádio São Januário, em São Cristóvão. No entanto, duas escolas, a Depois Eu Digo e a Cada Ano Sae Melhor cruzaram-se no estádio durante a apresentação de ambas, que acontecia ao mesmo tempo, o que resultou em uma enorme briga com direito a ataques de navalhas e canivetes, o que deixou um homem morto e dezenas de feridos.


Após o cenário caótico, em 1946, a festa passou a ser realizada na Avenida Presidente Vargas (que foi inaugurada dois anos antes), da mesma forma como aconteciam na Praça 11. Na medida em que os anos passavam, cada vez mais escolas queriam participar. Em 1949, 103 agremiações se inscreveram. No entanto, a Comissão de Carnaval não aceitou todos os pedidos. Inicialmente, estavam previstas "apenas" 51, o que já seria um problema: se cada uma desfilasse em dez minutos, seriam necessárias quase nove horas para todas passarem. Na medida em que a competição ficava mais acirrada, o público começou, cada vez mais, a prestigiá-los. Por isso, em 1952, foram montadas arquibancadas para aumentar a capacidade de pessoas nas ruas e, em 1961, o sistema de cobrança de ingressos foi efetivamente adotado.


O sucesso na Avenida Presidente Vargas continuou até 1974, quando as obras do metrô impediram a celebração do Carnaval em suas pistas. Por isso, os desfiles foram transferidos, durante dois anos, para a Avenida Presidente Antônio Carlos, com 22 arquibancadas montadas entre as avenidas Nilo Peçanha e Beira-Mar. A última mudança - desa vez, definitiva - foi em 1978, quando eles passaram a acontecer na Rua Marquês de Sapucaí, nas proximidades da antiga Praça 11. Ela foi escolhida devido um projeto de urbanização da área, que visava transformá-la em uma via destinada ao lazer. Nesse mesmo ano, começou a ser discutida a construção de uma passarela de 750m (750m para o desfile e 50m para a concentração das escolas), da Avenida Presidente Vargas à Rua Frei Caneca. A nova arquibancada de concreto eliminaria o trabalho e os custos de montar e desmontar anualmente a estrutura de ferro todo. Foi a primeira vez também que houve a cobrança para o público assistir ao desfile das campeãs - que, até então, continuava gratuito.


Somente em 1983 que o projeto de uma estrutura física para a festa acontecer saiu do papel. Nesse ano, um mês após assumir o cargo, o governador Leonel Brizola encomendou ao arquiteto Oscar Niemeyer uma passarela definitiva para os desfiles acontecerem. Esse era um pedido antigo dos sambistas, que temiam a transferência para lugares distantes do tradicional (a Praça 11), como o Riocentro, o Maracanã ou o Autódromo de Jacarepaguá - que, atualmente, era discutido. Os moradores do entorno se posicionaram contra, com medo de mais desapropriações. Além disso, outros projetos foram debatidos, como um com estrutura de ferro e arquibancadas sanfonadas. Haviam ainda as críticas ao fato da proposta ocupar uma rua inteira durante o ano todo. O próprio endereço foi questionado. Brizola defendia a volta da festa à Avenida Presidente Vargas, o prefeito Jamil Haddad sugeria que ela acontecesse no Maracanã (uma das ideias mais criticadas pelos envolvidos). Por fim, a Rua Marquês de Sapucaí, apesar de considerada estreita (a largura era maior do que a área usada na Avenida Presidente Vargas), foi a escolhida por já ser o local dos desfiles recentes. No total, 34 prédios e duas casas, todos com mais de 60 anos e mal conservados, foram desapropriados

O esboço da arquitetura começou a ser feito em 7 de setembro e demorou duas semanas para ficar pronto. As obras foram iniciadas em 15 de outubro e havia o receio de que não fossem concluídas até o Carnaval. Após 120 dias de trabalhos contínuos, a Avenida dos Desfiles (nome original do local) foi concluída com um projeto alternativo: os prédios da fábrica da cervejaria Brahma estavam localizados ao lado da estrutura, o que impedia a execução do desenho original. Até aquele ano, não havia registros de alguma construção tão grande ser feita em tão pouco tempo. A rapidez foi possível devido ao uso de concreto pré-armado, o que eliminou diversas etapas da construção. Como os prédios da fábrica da cervejaria Brahma estavam localizados na direita da estrutura, apenas o outro lado foi feito de acordo com o desenho original.

Além do espaço para as escolas de samba, foi feito também um CIEP e um espaço considerado, na época, o maior anfiteatro do mundo: a Praça da Apoteose, que foi nomeada dessa forma por obrigar os sambistas a fecharem os desfiles em grande estilo, como em uma ópera tradicional (essa ideia foi abandonada após alguns anos). É nela que ficam o arco de concreto característico do local, em formato de M, com 25m de altura por 50m de largura. Outra mudança trazida com a estrutura foi a divisão do desfile, que passou a ser realizado em dois dias para não cansar o público nem os envolvidos. Por isso, a avaliação dos vencedores também foi alterada - era escolhido um ganhador de cada dia e, depois, um campeão no geral. Essa ideia também não evoluiu, apesar da divisão das datas ser mantida até os dias atuais.


Antes do primeiro Carnaval, as escolas testaram o espaço no dia 31 de janeiro. Nesse dia, o público também pôde conferir, gratuitamente, as novas instalações. Apesar das críticas, a população aprovou a estrutura, que foi visitada nos dias seguintes à grande festa por curiosos que não puderam conferi-la cumprindo sua principal missão.


Desde a inauguração, a passarela teve seu nome alterado para Passarela do Samba. Desde 1987, chama-se Passarela Professor Darcy Ribeiro. Ribeiro, que era o vice-governador na época da construção, foi o responsável pela construção do neologismo "Sambódromo", que acabou se tornando mais conhecido que a própria nomenclatura.


Em 2011, o local passou por uma grande obra que tornou seus lados iguais. Em 1998, a antiga fábrica de cervejas foi desativada. Por ser a primeira do Brasil a fabricar esse tipo de produto, os prédios foram tombados em 2002. No entanto, em 2011, esse processo foi revertido para adequar a passarela (que também era tombada) ao projeto original. Dessa forma, em 2012, o Carnaval foi realizado, pela primeira vez, com o "Sambódromo" do jeito que ele foi planejado.


Apesar do local brilhar no Carnaval, é ali também que acontece a apuração das notas dos desfiles do Rio de Janeiro, na Quarta-feira de Cinzas. Além disso, a Praça da Apoteose costuma ser palco de eventos e shows de grandes artistas. É prevista ainda a realização das competições de tiro com arco da Olimpíada de 2016, além de servir de ponto de partida e chegada para a prova de maratona.

PESSÔA, Isa e BALTAR, Tarcísio. "Passarela, a obra polêmica, será inaugurada hoje". O Globo, 2 de março de 1984, página 9.
SN. "Walt Disney gostou mesmo, do samba". O Globo, 25 de agosto de 1941, edição vespertina, página 9.
SN. "Deslumbrante nos salões e fraco nas ruas o Carnaval de 1942". O Globo, 18 de fevereiro de 1942, edição matutina, páginas 7 e 8.
SN. "Degenerou em conflito o desfile das escolas de samba - morto o 'Matinada'". Correio da Manhã, 6 de fevereiro de 1945, página 3.
SN. "Desfilarão as escolas de samba". O Globo, 2 de março de 1946, edição matutina, página 7.
SN. "Cento e três escolas de samba querem desfilar!". O Globo, 19 de fevereiro de 1949, edição matutina, páginas 1 e 2.
SN. "Na passarela de asfalto, hoje, tem espetáculo". O Globo, 24 de fevereiro de 1974, página 4.
SN. "Desapropriações na Cidade Nova". O Globo, 22 de março de 1977, página 14.
SN. "Carnaval na Sapucaí depende de desapropriações". O Globo, 20 de abril de 1977, página 13.
In: http://www.horadopovo.com.br/2003/agosto/15-08-03/pag8a.htm
In: http://www.apoteose.com/historico2.htm#Década de 20
In: http://cemiiserj.blogspot.com.br/2011/02/colunista-sai-pela-cidade-procura-da.html
In: http://www.sosamba.com.br/carnaval/rj/noticias/antiga-fabrica-da-brahma-e-demolida
In: http://www.rio2016.com/noticias/noticias/local-de-competicao-do-rio-2016-sambodromo-recebe-a-maior-festa-popular-brasileira

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