A Escola Municipal Roma completou 55 anos em setembro. Em virtude da pandemia, as festividades que vinham sendo idealizadas no começo do período letivo foram suspensas, o que não tirou o brilho da celebração, marcada por vídeos publicados nas redes sociais e um concurso entre os alunos.

A instituição foi oferecida a Copacabana, no contexto de sua inauguração, para suprir a carência de espaços educacionais na região. Após o fim do Bar e Restaurante Lido, que dá nome à área, o antigo pavilhão foi devolvido à Prefeitura. A estrutura, então, foi transformada na Escola Municipal Christiano Hamann, em 1957. Sua abertura resultou também na criação da Biblioteca do Lido, que mantinha ali 13 mil obras. A novidade durou pouco tempo: no começo da década de 1960, as condições precárias do prédio, situado no meio da praça, levaram à demolição dele. Antes disso, entretanto, o público que buscava livros no espaço mobilizou um abaixo-assinado solicitando a permanência dele.

O documento não surtiu o efeito desejado e a biblioteca foi levada para outro endereço, na sobreloja de um edifício comercial. Entretanto, como resposta, a Secretaria de Educação prometeu outro equipamento educacional. Surgiu, então, a Escola Roma, atendendo, naquele momento, milhares de estudantes, e erguida na área fronteiriça à Av. N. Sª de Copacabana, onde, anteriormente, funcionara um posto de salvamento e o Hospital Rocha Maia (inaugurado ali em 1958 e transferido para Botafogo quatro anos depois).

Antes do prédio ficar pronto, o que veio a acontecer apenas em outubro, a inauguraçao foi antecipada para 17 de setembro a fim de aproveitar a presença do prefeito de Roma, Américo Petrucci, no Brasil. Dentre seus compromissos oficiais, ele arranjou tempo para visitar o local, ainda em obras. Para enfeitar a entrada, foram encomendadas duas telas da artista plástica Maria Pollo, que ainda podem ser vistas na escola, mas agora, na sala de informática – a mudança ocorreu devido à maior facilidade de manter as obras bem conservadas na nova localidade. Apesar da transferência, com o tempo, a portaria foi adornada com outro trabalho: um painel do artista Sérgio Camargo, embutido à parede.

Ao longo dos anos, a instituição passou a receber cada vez mais alunos de localidades diversas. “Atendemos crianças de quase todo o Rio de Janeiro, não apenas de alguma comunidade específica. Muitas vêm do Leme ou do Posto 6, mas há também de Campo Grande, São Cristóvão, Rocinha e até Niterói”, enumera a diretora Leila Brasiliense, no cargo há 26 anos, mas já presente no corpo docente como professora antes disso (“Somando tudo, devo ter uns 40 e tantos anos de Escola Roma”). Ela compara a diversidade com a existente na própria região bairro onde a escola se situa: “É bem como Copacabana, bairro que abraça todos os tipos de pessoas. Há todo tipo de gente lá dentro. É uma grande mistura e todos se dão muito bem”, aponta.

Essa integração poderia ser conferida na festa que vinha sendo planejado para celebrar os 55 anos, mas a pandemia resultou na mudança dos planos. Para não deixar a ocasião passar em branco, foram realizadas comemorações online, com vídeos gravados por professores e também com fotos do período que cada um trabalha no local, reunidas pelos próprios. Em paralelo, foi realizado um culto ecumênico com representações de diversas religiões. Os alunos ainda puderam participar de concurso no qual deveriam homenagar a escola. Os matriculados entre o 1o e o 5o ano fizeram desenhos e os do 6o ao 9, uma frase representando a instituição. Os autores dos melhores trabalhos foram contemplados com uma cesta de guloseimas – no total, foram distribuídas uma por turma. “Foi uma ação online, todos participaram”, cita Leila.

Ainda pela internet, outras atividades foram idealizadas como parte do currículo de 2020, impactado devido à pandemia. O contato entre alunos e professores têm ocorrido através de grupos no Whatsapp, onde os trabalhos são passados. Explicações variadas são publicadas no Youtube, podendo ser acessadas por todos. Como alguns alunos não tinham acesso à rede, a escola foi aberta para estes, a minoria, irem presencialmente receberam uma apostila com as explicações. “Hoje, quase todos têm celular. Muitos poucos não têm, mas a Prefeitura está conseguindo para todos, além das aulas exibidas pela TV (Band). Em março, todos tinham recebido os livros. Eles estão com os melhores em casa”, garante.

A saudade da escola também é minimizada na página do Facebook criada neste ano, onde os alunos podem relembrar os passeios realizados ou mesmo conhecer os lugares visitados pelas outras classes. “A gente os levava a lugares que nunca tinham ido, como museus, teatros, o Jardim Botânico, o AquaRio…. Tiramos fotos e estamos publicando para eles se recordarem. É como se tivessem indo de novo, estamos passeando”, cita Leila.
Em meio às adaptações, a diretora comemora a manutenção de uma acordo com a Escola Parque, que segue oferecendo bolsas integrais para alguns alunos do Roma cursarem o Ensino Médio na instituição, situada na Gávea. “Vamos mandar entre 20 e 30 inscritos para concorrer, com o boletim e o histórico escolar. Ligados para cada um e perguntamos se queriam. Eles terão que fazer uma prova, mas, se conseguirem, ganharão tudo de graça: mensalidade, alimentação, transporte e material escolar. Lá não usam uniforme. Mesmo em pandemia, mantivemos a parceria”, celebra.

Leila finaliza sintetizando o que, para ela, simboliza o sucesso da escola aniversariante: “Ela está, bravamente, avançado com o tempo. Houve várias épocas, várias maneiras de encarar a educação, mas o grupo é muito unido e trabalha com muito amor e criatividade. As pessoas que entram para a Roma dificilmente saem antes da aposentadoria, já que criam raízes e muito amor. Com isso, as crianças se envolvem nesse clima. Geralmente não temos nenhum problema grave, como agressão a professor”, conclui.