O Amparo Thereza Christina, localizado no Riachuelo, atende 60 idosas carentes de todo o Rio de Janeiro. Mais de 20 profissionais da área da saúde e voluntários cuidam do bem-estar de senhoras em condições de desamparo e maus tratos, muitas vezes encaminhados pelo Ministério Público. A casa, que funciona há 93 anos sem apoio do governo, é mantida por doações da população, parcerias com empresas e organização de bazares e eventos comunitários.

A entidade surgiu, em 1924, a partir de uma instituição espírita que reunia adultas com mais de 50 anos engajadas em ajudar aos necessitados. Desde então, com diretoria e administração voluntária, a ONG abriga mulheres das mais variadas regiões da cidade e de todas as classes sociais, oferecendo a elas apoio multiprofissional.

“Muitas delas são resgatadas em situação precária. Quase nenhuma está aqui por opção”, conta o fisioterapeuta Rubens Braga, que trabalha na organização há quase três anos. Ele explica que pelo menos 15% das residentes estão lá devido denúncias envolvendo maus tratos ao abandono feitas ao Ministério Público (MP). “Geralmente, quando alguém desconfia de negligência com o mais velho, o indivíduo aciona o MP. Ele é responsável por avaliar e encaminhar quem precisa de ajuda às organizações que existem. Aqui, somos muito procurados porque sabem que trabalhamos com muito amor e que sempre cabe mais uma”, esclarece Rubens, explicando o porquê da lotação da casa.

Em um espaço amplo, a infraestrutura é composta por quatro dormitórios, três salas de estar e dois refeitórios, fora os ambientes externos onde são realizados eventos. “Daria para aumentar o número de atendidas, mas existe um regulamento técnico para o funcionamento das instituições de permanência do idoso que tem esse limite”, lamenta o fisioterapeuta. Segundo ele, esta norma define alguns critérios para a permissão de atividade da casa como o grau de necessidade dos indivíduos que vivem no local. Por exemplo, caso o beneficiado seja totalmente dependente, ele precisa, obrigatoriamente, de mais cuidados médicos e, portanto, de uma maior capacidade. Rubens conta que o projeto de lei estadual nº 1874 de 2016 pretende atualizar as regras existentes para melhorar o setor.

Além deste regulamento específico para a manter a casa, existem algumas leis determinadas pelo governo federal que tem o intuito de incentivar iniciativas filantrópicas no ramo, como o Fundo Nacional do Idoso, que é vinculado aos Conselhos dos Direitos do Idoso; o Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (Pronas/PCD) e o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon). Apesar da existência destes programas, o amparo ainda não foi contemplado por nenhum destes editais.

Mesmo não havendo benefícios governamentais, a entidade adquire uma porcentagem do Benefício de Prestação Continuada que as moradoras sem renda recebem. Definido pelo Instituto do Idoso, este recurso ajuda a custear o quadro de funcionários da casa. Só na área da saúde, são cerca de 20 especialistas que formam a equipe de geriatras, neurologistas, técnicos de enfermagem, cuidadores, fisioterapeutas, nutricionistas e assistentes sociais, todos com carteiras assinadas. Existem também os profissionais encarregados pelos serviços gerais como os copeiros, porteiros e serventes. “Hoje existem 49 assalariados graças as doações que recebemos, com os eventos que realizamos, as vendas do bazar e 70% do salário-mínimo de cada residente”, explica a diretora voluntária, Maria das Graças de Anchieta que ocupa o cargo há 30 anos. Assim como ela, os demais responsáveis pela administração não recebem salário.

A agenda do lar de idosas é movimentada e várias atividades são realizadas para contribuir com a saúde e bem-estar delas. Segundo Rubens, alguns outros filantrópos, como acupunturistas e integrantes da Universidade Aberta da Terceira Idade da UERJ, realizam práticas educativas e culturais com as senhoras todas as segundas e quartas pela manhã. Algumas oficinas como música, pintura, desenho e rodas de conversa auxiliam para o aumento de laços afetivos e contribuem para a memória.

Para manter a renda, os voluntários não medem esforços para ajudar na organização de eventos sociais e colaborativos como almoços temáticos, festas juninas e bailes. A casa é ativa com a comunidade e a programação abrange algumas reuniões públicas; estudos religiosos, que acontecem três vezes por semana e um bazar que funciona de segunda a sexta, das 9h às 17h. O almoço fraterno acontece no segundo domingo do mês e no último, o “baile das vovós” começa às 14h.

Para quem se interessar em apoiar, o Amparo necessita de doações de leite em pó, massas para mingau como aveia e maisena; gelatina e produtos de higiene como fraldas e absorventes geriátricos. Além disso, a equipe aceita móveis usados ou danificados, eletrodomésticos, roupas e produtos de limpeza. O Amparo Thereza Christina fica na Rua Magalhães Castro, 201 (Riachuelo). Mais informações podem ser obtidas pelos telefones 2261-0020 ou 2241-8065.

Box: Doações financeiras podem ser realizadas através das seguintes contas:

Bradesco

Ag 1434, Conde Bonfim
C/C: 004456-3

Banco do Brasil

Ag: 0658-0, Jacaré

C\C: 2021-4

Banco do Brasil

Ag: 101-5, Méier

C/C: 55898- 2

Santander

Ag: 3267,

Riachuelo

C/C: 13000254-9

 

Texto: Catarina Lencioni