A Academia Luso-Brasileira de Letras realizou uma palestra que abordou o cotidiano da mulher grega do passado, proferida pela doutora em literatura comparada, mestre em letras e professora de língua e literatura grega, Rita Codá dos Santos. O encontro reuniu o presidente, Adolpho Pollilo, acadêmicos como Maria Amélia Paladino e participantes que discutiram arte, cultura, filosofia e o verdadeiro papel da mulher nesta sociedade. O intuito de Rita é frisar a importância de estudar o assunto e compará-lo com a realidade dos dias atuais. O encontro aconteceu no dia 6 de abril, na sede da Federação da Academia de Letras e Artes do Rio de Janeiro (FALARJ).
“Nada se fez de novo na Europa, no Brasil ou no resto do ocidente. Estudar civilizações antigas é importante porque temos que descobrir nossa posição de ser e estar no mundo. Isso não é passado”, garantiu a doutora. Ela desmistificou a ideia de que as mulheres não eram consideradas importantes para nossos antepassados. “A história pôs um véu de que a mulher não era um ser social, jurídico e político. A literatura veio cobrir essa lacuna, essa voz que foi silenciada”, reforçou.
A pesquisadora falou do papel da mulher na política, afirmando que, muitas vezes, eram elas quem tomavam as decisões atribuídas aos homens. “A intuição delas era um diferencial. Homem é cartesiano, não tem o ‘sexto olho’ feminino”, disse a professora.
Aspectos como as diferença entre o tratamento recebido pelas meninas de famílias humildes (ensinadas a servir, uma vez que seus familiares não tinham posses suficientes para adquirir escravos) e ricas (instruídas academicamente) foram abordadas, assim como características das mulheres espartanas, consideradas diferentes das demais pela cultura dessa região. Outros temas lembrados foram os casamentos naquele período, quando as mulheres tinham voz dentro de casa, e as comédias gregras sobre adultério feminino: “Não havia preocupação da moça ser ou não donzela”, contou Rita.
Um fato que chamou a atenção dos presentes foi a menção ao fato de que tudo o que é conhecido sobre a mulher grega antiga foi documentado por homens, já que, com exceção da autora Sáfali, nenhuma produziu registros escritos. Os principais autores eram Teócrito e Eurípedes, que falavam sobre a psicologia da alma feminia. Segundo os contos deles, aquelas que eram tidas como “sabidas” ou tentavam ingressar na área da ciência, eram denominadas “feiticeiras” ou “curacuza”.
Ao final do encontro, os convidados levantaram questões que foram respondidas e resumidas por Rita. “As mulheres não eram submissas. Elas é quem serviam, iam à igreja, estudavam, trabalhavam, faziam um pouco de tudo. Nada mudou debaixo do sol”, que completou: “A questão sempre foi a guerra dos sexos, mas não se compara, são condições biológicas que se completam. Não existe um ser melhor que o outro”, finalizou.

 

Texto: Catarina Lencioni