Apostando no poder transformador da educação há 35 anos, o Solar Meninos de Luz prepara crianças e adolescentes das comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo para competir em igualdade com os demais, proporcionando acesso à cultura, arte, música, esporte e lazer aos alunos. Com os resultados dos vestibulares e do Enem sendo divulgados no início do ano, três alunos do terceiro ano do ensino médio comemoram o bom desempenho nas provas. Moradores do Pavão, Anna Carolina Ferreira Nogueira, Luiz Augusto Duarte de Araújo, ambos de 18 anos, e Vinícius Barreto da Silva Rangel, de 19, carregam o legado da instituição, que oferece educação integral para aqueles que mais precisam.

A metodologia diferenciada da escola abriu os horizontes dos estudantes, com oficinas de empreendedorismo e doses de autoestima. “Sempre quis ser veterinária porque eu amo cuidar dos bichos. O Solar me ajudou muito. Antes de entrar aqui, não acreditava que conseguiria, mas depois os professores mudaram esse meu pensamento, incentivando e mostrando que a gente é capaz”, conta, orgulhosa, Anna Carolina, aprovada em Medicina Veterinária na Universidade Santa Úrsula. Há dois anos no Solar, Carol, como é chamada carinhosamente pelos amigos e professores, criou um projeto para a criação de um abrigo para animais abandonados no lugar onde mora, ideia que pensa em levar adiante na graduação. “Foi um planejamento concreto, não foi só a idealização. Eles tiveram que elaborar identidade visual, plano financeiro, identificando os problemas, necessidades e possíveis soluções”, explica a analista de comunicação da organização, Raquel Maia.

Assim como a colega Carol, Luiz Augusto é o primeiro da família a ingressar em um curso superior. Ele tirou 900 na redação do Enem e está com grandes expectativas para fazer Comunicação Social na PUC, com bolsa de 100%. “Penso em seguir na área há um tempo. Alguns professores me deram dicas e falaram que eu sei me comunicar bem. Se eu perder um pouco da timidez, consigo ir muito além do que imagino. Eles são muito qualificados, eles nos deram um ‘baque’ quando disseram que podíamos. Muitos que chegam aqui têm pouca perspectiva de futuro, mas depois é totalmente diferente. O Solar abre portas. Antes eu era uma pessoa, agora sou outra. Evolui bastante”, afirma o jovem. Luiz mora sozinho com a mãe, que é balconista em um bar de Copacabana. Ao lembrar da prova do Enem, ele não hesita: “Estava preparado. Os professores daqui são muito bem qualificados e dão o suporte que a gente precisa. Na redação eu fiquei tranquilo. Li o tema, pensei e mantive a calma. Depois li os textos motivadores e comecei a ter ideias e fui organizando cada parágrafo”, continua.

Vinícius quase seguiu os passos do amigo, mas, depois de ficar em dúvida entre Publicidade e Direito, escolheu o segundo. “Pretendo ser policial federal, prestar concurso público, então acredito que a área vai abrir mais portas para mim no futuro, vou ter mais possibilidades”, enfatiza o aprovado na UERJ. Para ele, o diferencial do Solar é oferecer perspectiva de vida para os alunos. “Aqui podemos crescer na vida, podemos acreditar e alcançar em tudo o que quisermos. Não precisamos viver sendo subordinados às outras pessoas, podemos ser o chefe do trabalho, além de ser só o funcionário. Podemos voar mais alto”, complementa. Sobre as dificuldades enfrentadas, Vinícius lembra: “Infelizmente, vivemos em uma comunidade muito violenta. Algumas vezes não conseguíamos ir a escola por causa de tiroteio. Tivemos que superar isso tudo”, diz, informando que a relação de aproximação com os professores foi fundamental para os resultados obtidos.

Carol, Luiz e Vinícius são exemplos de como a educação influencia positivamente na vida de jovens. Os novos universitários estão ansiosos para o início das aulas, mas sem esquecer de onde vieram e pretendem, com suas futuras profissões, trazer retorno para a organização, que é filantrópica e sobrevive de doações e trabalhos voluntários. No dia 11 de fevereiro as aulas do Solar retornam e as 420 crianças atendidas poderão dar continuidade ao ensino que prioriza valores humanos. Saiba como ajudar em www.meninosdeluz.org.br.

Camila Gonçalves