O artista plástico Di Paula promoveu em seu ateliê, em Copacabana, uma oficina na qual eram apresentadas maneiras de fazer arte com itens comumente encontrados nas residências. O workshop foi oferecido no dia 11 de maio, quando o anfitrião mostrou também possibilidades de ganhar dinheiro através da venda das produções.

A principal demonstração foi do resultado obtido após espalhar um pouco de café ou açúcar em superfícies de cores contrastantes. Usando apenas o dedo, Di Paula mostrou ser possível criar estampas que podem ilustrar camisetas e outros produtos que podem ser comercializados. “Se fizer com mais frequência, os resultados podem ser maravilhosos. Não há necessidade de ser desenhista, basta criatividade”, apontou, explicando que, atualmente, quase todos possuem um smartphone que pode ser usado para fotografar a produção.

Uma vez clicada, a imagem, segundo o artista, poderia ser levada em lojas que imprimem imagens em artigos. “Vendê-los seria uma alternativa à camelotagem irregular. Seriam estampas exclusivas, de autoria própria”, observou, antes de continuar: Eu entrego a vara e faço as pessoas pescarem. Não entrego o peixe. Mostro a técnica, mas não interfiro no estilo de cada um”. Objetos como pilhas e parafusos também estavam a disposição do público, que poderia utilizá-los para personalizar ainda mais suas produções.

Uma participante da oficina era Tereza Garcia, que aprovou a experiência: “Foi uma descoberta maravilhosa. Nunca desenhei ou pintei, nem quando criança. Tudo está sendo novidade. No início, não pensei em nada, mas ao ir tocando no material, fui criando. Se a gente fica assim, emotiva, imagina uma criança?”, destacou.

Di Paula ainda sugere que a Praça Serzedelo Correia, próxima de seu ateliê, pudesse ter um espaço transformado em uma “Place du Tertre” carioca: a original, na França, concentra pintores diversos durante o ano inteiro. “Se Paris tem, a gente pode também. Olho pela janela e vejo um ninho de pombo”, queixa-se, apontando que uma iniciativa como essa poderia incentivar novos artistas a se desenvolverem. “Antes, eu levava alunos para a Praça Sarah Kubitschek (perto do antigo endereço de seu estúdio). Como o local costumava ser ocioso, coloquei um armário para guardar materiais, mas foi acusado de privatizar o espaço público. ”A gente não pode ficar só aqui nessa sala. Temos que ir para as praças”, finaliza.