As obras do Museu da Imagem e do Som seguem paralisadas, apesar da promessa de continuidade por parte da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC). Parada desde março de 2017, a construção, que deveria ser entregue ao público há sete anos, encontra-se em sua fase final, mas o tempo de abandono pode ter trazido danos à estrutura, o que poderá atrasar ainda mais a conclusão, que descumpre o cronograma desde fases iniciais.

     O primeiro adiamento ocorreu ainda em 2010, quando os prédios anteriores, que sediaram o Restaurante Terraço Atlântico e a Boate Help, foram demolidos. Em outubro daquele ano, o Jornal Posto Seis noticiou que o processo licitatório para a construção da parede diafragma (solução encontrada para partes subterrâneas, abaixo do nível do lençol freático) e da estrutura do edifício deveria ter sido iniciado em setembro, mas até o fim do mês seguinte, ainda não havia saído do papel. Em fevereiro do ano seguinte, o terreno, ainda vazio, foi endereço de uma reunião entre moradores e responsáveis pelo projeto, que resultou na apresentação de problemas que exigiram solução imediata, como impermeabilização do solo. Na data, foi prometido que o prédio teria sua construção iniciada entre sete ou oito meses.

     Apesar de o prazo inicial garantir que o museu seria entregue à população no segundo semestre de 2012, em agosto o prédio ainda não estava pronto: apenas 70% dele já estava concluído. Em contatos diversos, a data de entrega à população mudou: primeiro, a assessoria passou a informar que seria em 2013; depois, em 2014, mas em março de 2017, a então Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro (atual SECEC) seguia informando que apenas 70% do edifício estava pronto, mesma porcentagem de cinco anos atrás – naquela data, o canteiro já havia sido desmontado há bastante tempo. Até a sala de visitação, já inaugurada e que apresentava três exposições, também fora desativada.

     Ainda em 2017, quando a crise econômica do Governo do Estado era bastante debatida, a assessoria informou que como a obra era financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ela não sofreria o impacto dessa instabilidade. Na data, foi comunicado também o custo total da obra: R$138,5 milhões gastos desde o começo dos trabalhos – R$68,5 milhões a mais que o previsto em 2010, conforme nota publicada na página da secretaria. Nessa época, dois profissionais da área analisaram imagens e apontaram possíveis riscos à integridade do edifício, possivelmente afetado devido aos impactos diretos da maresia no concreto. “Já pode ter sido estabelecido um estágio inicial de deterioração e degradação estrutural do prédio, assim como sua depreciação antes mesmo de entrar em uso público. O descaso da obra com esse tipo construtivo é um problema gravíssimo”, alertou, na época, professor de Engenharia Civil do Centro Universitário Celso Lisboa, Orlando Gomes.

     A visão foi reforçada pelo engenheiro Hebert Houri, que apontou risco de queda caso haja alguma rachadura no concreto, o que deixaria exposta a estrutura metálica, de aço. Apesar das opiniões, é impossível saber a real situação do interior do prédio, já que seria necessária a realização de uma vistoria. Apesar dessa limitação, uma simples observação da fachada denuncia problemas variados como infiltrações e partes enferrujadas tanto no prédio como nas estruturas temporárias, como um poste de luz e uma das torres de caixa d’água.

     Apenas em agosto de 2018 é que a retomada da obra foi anunciada, sem que qualquer prazo fosse informado. As novas informações estimavam serem necessários mais R$39 milhões, também financiados pelo BID, para o término, além de investimentos de R$ 82 milhões em museografia, conteúdo, suportes, equipamentos, direitos autorais, acessibilidade e ações variadas. A autorização para a retomada fora concedida pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), órgão do Ministério do Planejamento, o que foi necessário por se tratar de uma operação que envolve um projeto financiado por empréstimo concedido por organismo internacional. Com essa licença, a próxima etapa seria o lançamento do edital para que uma nova empresa pudesse executar a conclusão – o que já era prometido há um ano e meio. O novo edital deveria seguir para o Tribunal de Contas do Estado, que, após o recebimento, avaliaria o material em aproximadamente 30 dias. Uma vez aprovado, as obras físicas deveriam ser realizadas em até um ano.

     Apesar das promessas, passados dez meses, o local segue abandonado. Em abril de 2019, representantes da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio magalhães e Mauro Franco estiveram na sede da SECEC, onde foram recebidos pela superintendente de projetos estratégicos e assessoria. Nesse encontro, foi informado que o edital para escolha da nova empreiteira fora aberto em 29 de março e que o contrato seria assinado até julho, permitindo que obra seja entregue até o fim de 2020. Entretanto, não há informações sobre o andamento dessa nova etapa. A SECEC limita-se a responder que apenas a Secretaria de Infraestrutura e Obras pode responder pelo andamento do edital. Esta, por sua vez, informa que a expectativa é de que as obras sejam retomadas ainda este ano, mas que em 3 de abril, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) solicitou que fosse adiado o ato licitatório, então marcado para 30 daquele mês, para análise.

     Enquanto o museu não fica pronto, as reclamações sobre a degradação geram sentimento de impotência em quem vive pelo entorno. “Falar, reclamar, não adianta. O país está todo enrolado. Assim como essas, há outras obras inacabadas”, lamenta um trabalhador da região. Uma moradora também não poupa críticas: (A situação) está no fundo do poço. Aqui há muitos mosquitos e muita sujeira. Está horrível!”. Outra residente do entorno também demonstra indignação: “O nível de satisfação é zero”, finaliza.