Luisa Lins

As hortas urbanas são movimentos que visam cultivar plantações em terrenos baldios, promovendo ações e integração entre estudantes, moradores e a população engajada. Levando em conta essa ideologia, espaços em Laranjeiras, na Lagoa e no Cosme Velho foram adaptados para atender a população dessa maneira, oferecendo cultivos de alimentos como banana, pitanga, acerola, limão, tangerina, abacaxi, abacate, manga, entre outros.

A Horta Comunitária do Cosme Velho (Praça São Judas Tadeu, 38) foi criada em 2006 pela SMAC e tem como coordenador o engenheiro agrônomo Júlio Cesar Barros. Ele conta que o intuito, além de ocupar a área, é “deselitizar” o consumo dos alimentos orgânicos, doados ou vendidos a preços acessíveis no espaço. “A nossa horta possui um diferencial que possibilita geração de renda e comercialização de parte da produção. O produto é metade doado para pessoas que precisam e outra metade comercializamos”, explica.

Outra plantação também foi instalada em Laranjeiras, onde os moradores são comprometidos com questões relacionadas ao meio ambiente. O criador e design gráfico da Horta da General Glicério (Rua General Glicério, entre os números 255 e 281), Ícaro dos Santos, descreve que o processo para se construir e começar o projeto não é simples: “É necessário muito estudo. Já trabalhei em outros projetos anteriores com relação direta a espaços públicos. Tive que aprender a capinar e entender o terreno, além de convencer amigos e explicar a importância de cultivar um ambiente como esse”.

O biólogo Gilberto Schittini, um dos integrantes da Horta da General Glicério, reforça a opinião de que o contato com a terra e a natureza é terapêutico. “Estamos cercados de prédios, poluição e não paramos para respirar ‘ar livre’, por isso a criação de um espaço como esse é necessário. Nossa horta também diminui a violência do bairro, pois com a ocupação das pessoas, o ambiente não fica tão vulnerável a assaltos e outros problemas de falta de segurança”- afirma, mencionando que o projeto que já existe há sete anos promovendo vida a um espaço público, o que, para ele, é essencial.

Essa ideia é compartilhada pela articuladora da Horta Nossa (Praça General Alcio Souto, s/n), Dafne Rozencwaig. Para ela, o movimento é uma quebra de paradigma: “Não temos nenhuma fórmula pronta dentro da agroecologia, não adianta criar regras e sim princípios”, frisa. A Horta Nossa foi criada em 2013 por estudantes da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), insatisfeitos com o abandono dos canteiros e praças da cidade. Eles se reuniram em frente a um terreno baldio, que mais tarde se tornou um prédio.

Para os representantes dos movimentos, é muito importante, além do plantio, promover eventos como palestras e debates sobre a preservação do meio ambiente para a população, a fim de que seja compreendido o sentido e a necessidade de falar sobre o tema e entender o projeto das plantações comunitárias.