Luisa Lins

Há quase 50 anos, os primos Fioravante Giglio e Esposito Giovanni administram uma banca de jornal na Rua Leopoldo Miguez, em Copacabana. Ambos tiveram uma trajetória difícil de vida, mas nem por isso desistiram de abrir o negócio no bairro e hoje possuem uma clientela fixa que os conhecem há muitos anos.

Formado em administração de empresas, Giglio conta que a banca de jornal é onde ele exerce o que aprendeu na faculdade. “Eu gosto muito! Até a década de 1990 nós éramos muito procurados. Estava começando a assinatura de jornal, era um período de muito interesse da população. Lembro de que comecei distribuindo jornais e logo a seguir fui para as bancas. Fico feliz de até hoje continuar e trabalhar com vendas, apesar de ter atravessado um caminho difícil.Meu pai morreu quando eu tinha 13 anos e com isso eu e meu primo tínhamos que nos virar,viemos para cá em 1970 e depois de quase 50 anos estamos aqui”, conta.

De acordo com Esposito Giovanni, a vida também nunca foi fácil.Trabalhou, assim como seu primo, em diversas bancas de jornal, seguindo o caminho do tio. “Fui trabalhar jovem porque precisava, mas vendíamos muito. Na época, eu tinha 16 anos, era menor de idade e ele, seis anos mais velho, cuidou das questões burocráticas. Hoje ainda temos clientes antigos que consomem e conseguimos gerar nosso lucro, masnão podemos negar que a internet acabou com muitas bancas de jornais. Para se ter uma ideia, na década de 1990 vendíamos 100 revistas ‘Veja’ por semana. Hoje, esse número caiu para quatro no mesmo período. Nós tivemos que readaptar e vender outros de produtos, que fazem parte do público atuante no momento. Queremos continuar e persistimos com nosso trabalho”, finaliza.

Os produtos mais comprados atualmente são cigarros, balas e revistas de palavras-cruzadas ou infantis, diferente de 1970, quando o carro-chefe era jornal impresso, para o público masculino e revista de moda, para o público feminino. Os clientes que frequentam e consomem no local são antigos e moradores do bairro. Fioravante Giglio explica que hoje a banca não tem mais um público-alvo específico. “Apesar do jornal impresso e das revistas de moda não serem atualmente objetos procurados pelos passantes, outras peças estão em alta e por isso a cada dia nós vamos analisando o mercado e adaptando nosso espaço, que é bem localizado, para as novidades”, finaliza.