O Lido é o novo point das noites cariocas. A região, que no passado já foi associada às casas de prostituição, se reinventou e passou a concentrar bares e restaurantes que atraem um enorme número de frequentadores. A maioria deles situa-se na Rua Ronald de Carvalho, onde dezenas de estabelecimentos recebem multidões – no dia que o Flamengo se tornou campeão da Libertadores, foi necessário que uma viatura do 19º BPM fechasse o acesso a ela devido ao grande volume de torcedores que escolheram os bares para assistir à partida. No verão, a tendência é que essa quantidade de pessoas aumente ainda mais, consolidando a região como a queridinha do público.

     O primeiro a impulsionar a vida noturna na área foi o Os Imortais, aberto há sete anos. “Na época, a rua era muito escura. Tinha o Balcony, na esquina da Avenida Atlântica, que era reduto de prostituição. O Amir já era famoso, com outra proposta, mas não havia mais nada. A galera veio para agregar”, aponta um dos proprietários da casa, Rômulo Torres Pereira. Nesse tempo de funcionamento, ele observa que algumas casas fecharam, outras se reinventaram, mas o bar segue movimentado. “Conquistamos todos os tipos de públicos. Aqui, vem gente de todas as idades. Priorizamos comida de qualidade, não só a bebida. O Comida Di Buteco mostrou que aqui não é só um boteco normal”. Pereira destaca ainda que a Copa do Mundo de 2018 elevou o número de clientes, mas que novas estratégias são adotadas para atrair ainda mais frequentadores: “Estamos em parceria com o Polo Lido para tentar revitalizar a praça. Já está tendo um samba muito bom nela. Espero que, conquistando o espaço, mais pessoas venham para cá”.

     Os pratos também são a aposta do 4Kamaradas, que chegou à seis meses. Uma das proprietárias, Natalie Airoldi, conta que a ideia de investir em um espaço na rua surgiu exatamente porque ela e os demais sócios frequentavam o Os Imortais e perceberam o potencial do local. Assim como na outra casa, ela também acredita que a gastronomia ajuda a fidelizar o público. “Temos uma churrasqueira e nossa costela virou o carro-chefe da casa. Fazemos também torresmo de rolo na brasa. Torresmo é a cara dos botecos, mas aqui é diferente. Inserimos também a tilápia na brasa porque nem todo mundo come carne. Cerveja tem em qualquer lugar. Aqui, fomos entendendo o que o público queria”. A proximidade com os donos do bar, que sempre estão presentes, ajudou a moldar esse formato, que, em breve, deve trazer novidades: “Estamos partindo para um cardápio todo autoral. Temos um chef na casa, não apenas um cozinheiro”.

     Outro espaço onde as comidas são o chamariz é o Beef n Beer, de portas abertas desde 2015, mas sob nova gestão desde novembro, quando Fernando Araújo comprou o local. “É um bar bem montado com um sistema diferente. O cliente vem e escolhe a carne, ensacada a vácuo”, aponta, comparando também o preço do hambúrguer do local ao de hamburguerias renomadas: “Elas servem o sanduíche com 180g de carne. Aqui, o nosso tem 210g, acompanha batata e custa R$10 a menos dos mais famosos. Nosso público é diferenciado: ele senta para comer com qualidade. A cerveja é apenas um atrativo”. O sucesso durante os eventos esportivos também é percebido na casa: “A Ronald de Carvalho é uma rua voltada para o futebol. No dia do jogo do Flamengo (final da Libertadores), um canal francês veio aqui filmar”, lembra.

     A mesma partida é mencionada por uma das proprietárias do Høc Bar: “Depois da Copa, o movimento caiu. Depois da final da Libertadores, voltamos a ter muitas reservas. A rua sempre teve potencial, mas a frequência oscilou. Conforme os outros bares foram fechando, o público diminuiu, mas com os novos, voltou a crescer”, aponta Stephanie Pereira, que destaca a grande procura por parte de turistas. “O estilo daqui é diferente dos outros. Temos drinks, comidinhas… Até nossa iluminação (intimista) é outra. Na rua, há o burburinho. Ela virou point”, comemora.

     Um dos estabelecimentos mais recentes da área é o De Sempre, em funcionamento há quatro meses. Para a supervisora Larissa Souza, o sucesso se deve à diversidade da região. “O público encontra desde o boteco raiz até o gourmetizado”. No local, as expectativas para o verão são as melhores possíveis: “O movimento vai crescer bastante com o pessoal de férias. Hoje já começou. Ontem (segunda-feira) já tinha muita gente nos bares”. O sucesso da estação também é esperado no Zagga, de acordo com o sommerlier e gerente Oseias Vaz de Araújo. “Os estabelecimentos daqui melhoraram muito Copacabana. Esperamos, agora, um público mais jovem”.

      Dentre os espaços antigos, alguns também apostam no sucesso da estação: “Tem gente vindo até de fora, atrás de mercadorias que, às vezes, a gente tem e eles, não. Os outros trabalham mais com cervejas artesanais. Há uns anos o movimento vinha caindo, mas nesse, foi melhor”, aponta o proprietário do Luxor, José Ximenez, que mantém o espaço há 23 anos. No Molhobico, em funcionamento desde 2007, a evolução também foi sentida: “Antes, havia menos comércio. Era uma rua até meio violenta. Agora, está mais movimentada e mais segura. Nosso cliente é muito local. O dos outros bares vem de outros lados.”, aponta um dos responsáveis pelo espaço, Paulo Lopes.

      O gerente do Seu Vidal, Caio Fader, também vê com bons olhos a chegada dos novos estabelecimentos. A casa, inaugurada há três anos, já funcionava antes de a região virar uma referência da vida noturna e, nesse tempo, acompanhou o crescimento contínuo. “Toda vez que abre coisa nova, fico feliz por reforçar o polo que a rua está virando. Não somos concorrentes”. Ele aposta que o sucesso do espaço se deve à sazonalidade do cardápio, trocado a cada seis meses. “Tentamos adaptar as novidades a cada época”, aponta, citando também outros diferenciais como o menu desgustação, às terças-feiras: “Trazemos uma rotina de alta gastronomia para o público dos sanduíches”. Fader ainda acredita que o sucesso na internet ajuda a atrair o público: “Muitos turistas chegam pela divulgação em nosso Instagram, mas as pontuações no TripAdvisor e no Google Maps também são chamarizes. Nosso conceito é diferente de uma hamburgueria, as pessoas querem conhecer”, finaliza.