A animação “Moana: Um Mar de Aventuras”, lançada pela Disney no começo de 2017, impulsionou a curiosidade do público acerca da cultura polinésia, que também pode ser conferida no Posto 6 da Praia de Copacabana. Naquele trecho, as condições de balneabilidade permitiram a instalação de clubes de canoagem havaiana, modalidade que cada vez mais tem atraído adeptos nas praias cariocas.

Um deles é o Copa Va’a, cujo nome remete diretamente às origens do esporte. “Foram os polinésios que construíram as canoas e exploraram o arquipélago”, comenta um dos fundadores, Maurício Thompson, que junto com o atleta Márcio Adriani, mantém o grupo há um ano. No começo, os dois atuavam com embarcações alugadas, mas atualmente, as duas em atividade já são próprias e atendem entre 30 e 40 alunos. “É bastante democrático porque consegue juntar profissionais e pessoas começando, de todas as idades, em uma mesma canoa. Algumas já fizeram esportes antes; outras, não”, analisa Thompson.

As turmas regulares remam às segundas e quartas ou às terças e quintas em algum dos três horários (6h, 7h ou 8h). Cabe à primeira ajudar a amarrar a ama (o flutuador lateral) ao hull (o corpo da embarcação), conforme faziam os antigos. “As canoas eram um meio de transporte e também de subsistência, já que eram usadas na pesca. Em ‘Moana’, o Maui (um dos personagens da trama) aparece no Leme guiando a direção delas, mas com velas. (A animação) é muito legal e retrata bem a cultura de desbravar o mar”, observa. Na ocasião em que a equipe do Jornal Posto Seis experimentou a novidade, coube a ele função de direcionar a embarcação, já que havia muitos novatos. Ainda assim, o grupo saiu do Posto 6 e prosseguiu sem dificuldades até a Praia de Ipanema, na altura da Rua Maria Quitéria, onde aconteceu uma parada para mergulho – a temperatura da água estava bastante convidativa naquele dia, assim como a ausência de ondas, o que levou muitos a aproveitarem o banho de mar.

Mesmo quem opta por não entrar na água deve ir preparado para se molhar: imediatamente atrás do Forte de Copacabana, há uma lage onde, nas palavras de Thompson, “sempre há diversão” devido às ondas formadas ali. Elas não oferecem riscos aos praticantes (sob orientação dos instrutores e em condições propícias do mar), mas além de trazerem uma dose de adrenalina, levam bastante água para dentro dos barcos, principalmente no inverno, quando o mar é mais revolto. Para a surpresa dos fundadores do grupo, foi exatamente nessa época do ano que o número de matriculados cresceu em 2018. “Foi quando o clube mais bombou”, aponta, sugerindo que isso aconteceu porque deu tempo do boca-a-boca iniciado em janeiro (quando a atividade foi iniciada) surtir efeito. Por isso, ele aposta que no verão, a procura seja ainda maior.

Até os outros esportes praticados no local ajudaram a impulsionar a modalidade: “Eu já remo stand up paddle (SUP) e via o pessoal remando na canoagem. Ao contrário do SUP, é um esporte coletivo. Me interessou. Não adianta tentar impor tempo: tem também a sincronia, responsabilidade com o outro. Na canoa, são seis pessoas que se tornam uma”, ressalta a participante Marcela Antunes, que estava em sua segunda aula. Outra novata naquela manhã era Marly de Faria, que era voluntária no projeto Ilhas do Rio quando viu uma competição acontecendo. “Vim ver como é. Por mim, dava para a gente ficar no mar por mais tempo. Já remava de SUP, mas a canoa é muito legal porque é em conjunto. Lá é só você; aqui tem a sincronia. Só botar a força não é o que conta. Quero voltar amanhã! É muito rápido, mas a gente fica na água por uma hora”.

A coletividade também é citada por Décio Maia, matriculado no clube há um ano. “Eu já praticava outros esportes aqui. Virou mais um que me atraiu. O Posto 6 é maravilhoso para todos. Tem o nascer do sol em frente à praia, uma condição maravilhosa para qualquer um. A natação você treina o tempo todo no mar. Em dia de água mais fria, é complicado, tem que usar roupa. SUP é individual. Pode até ter mais pessoas, mas você tá sozinho na prancha. Na canoa, é diferente. Precisa de interação e excelente comunicação entre todos”.

Esse contato entre os componentes é necessário para a canoa se deslocar: todos devem remar de maneira sincronizada, intercalando os lados (se um se movimenta pela direita, o de trás deve fazer com a esquerda até que um deles, o responsável pela contagem, dê a orientação para todos inverterem). Isso ajuda a exercitar os dois braços. Os movimentos com as pernas, apesar de serem quase imperceptíveis na hora, tornam-se notórios no momento do desembarque, quando os músculos indicam terem sido trabalhados. Em meio à concentração para acertar os movimentos, é possível apreciar a paisagem da orla ou mesmo a fauna local. Enquanto a equipe do Jornal Posto Seis conhecia a atividade, a quantidade de aves tipo fragata voando em bandos impressionou. Uma enorme tartaruga também acompanhou parte do passeio e, durante o mergulho, houve quem relatasse a presença de “algo preto” nadando, o que poderia ser uma arraia. Alguns dos animais, como pinguins, assim como o cenário foram alvo das lentes do fotógrafo Paulo Pinheiro Guimarães, rema em Copacabana há dois anos (antes, ele frequentava clubes na Praia Vermelha e na Urca): “O Rio de Janeiro é encantado. Poucos têm essa visão de dentro d’água”, analisa.

Mais informações sobre o Copa Va’a podem ser obtidas com Thomspon (99391-8852) ou Adriani (96449-5331).