Camila Gonçalves

O mineiro Júlio César Pedroso, de 25 anos, e a argentina Fiorella Greco, de 32, estão restaurando a escadaria que liga a Av. N. Sª de Copacabana à Rua General Barbosa Lima, ao lado da Sala Baden Powell. Estudante de moda da PUC, Pedroso tem experiência com reformas de mosaicos sacros e teve a ideia de revitalizar a passagem para fazer algo em prol da cidade, que segundo ele, o acolheu tão bem. Junto a Fiorella, ele se dedica ao reparo usando pedaços de azulejos e cacos de vidro, reciclando entulhos encontrados em caçambas ou doados por moradores e frequentadores da região.

Residente de uma comunidade artística no Parque da Cidade na Gávea, o universitário ensinou sobre restauração de bens culturais em uma escola local, oferecendo oficinas para a reinserção social de jovens e adultos. Inspirado na Escadaria Selarón, situada entre os bairros de Santa Teresa e Lapa, e pelas rendeiras do interior de Minas, o artista desenvolve o trabalho em Copacabana há um ano e meio. “É muito bom ver este bem cultural vivo de novo. Aqui não tinha luz, era usado como banheiro, ponto de prostituição e drogas. Agora as pessoas não tem mais medo de passar por aqui”, explica, que por esse motivo escolheu o termo “AMORal” para nomear a escadaria. “Era um lugar reconhecido como amoral, mas agora é um ambiente de amor, livre de distinções sociais”, continua.

Para Fiorella, a obra de revitalização abre espaço para refletir sobre sustentabilidade. “Esses cacos fizeram parte de diversas construções e casas, ou seja, eles contam a história da cidade, é um processo de transformação”, afirma, que é ginecologista e obstetra. “Queremos mostrar que com um pouco de cada um podemos fazer um lindo mosaico. Isso significa solidariedade. As pessoas me olham mexendo nas caçambas e acham estranho, mas nem tudo é lixo. Com boa intenção até o entulho vira arte. Com amor, podemos reconstruir”, complementa Pedroso. Para acompanhar o trabalho da dupla, basta acessar o perfil @escadaria.amoral no Instagram.