José Manoel Rebouças e Kátia Janine

A Colônia dos Pescadores Z13 ganhou um novo presidente. José Manoel Rebouças, então tesoureiro da instituição, assume o cargo deixado por Kátia Janine. Em sintonia com a antiga representante, o novo líder pretende dar continuidade aos trabalhos de organização desempenhados pela antecessora, que se despediu do cargo com uma pequena confraternização realizada na noite de 30 de setembro.

“Fiquei por dois mandatos. O primeiro, de 2006 a 2010 e depois do falecimento do Pedro (Marins, então presidente), desde 2016. Claro que tive dificuldades, mas acho que levei minha gestão numa boa. O pessoal teve muita consideração e respeito por eu ser mulher”, analisa Kátia, a primeira pessoa do sexo feminino no cargo, o que, em sua visão, levou mais organização e rigor ao espaço. “Estou deixando a presidência da colônia, mas seguirei ajudando no que puder, sem a responsabilidade de ser presidente, assinar, falar… quem pegou pelo trabalho nunca abandona!”

Para ela, as principais dificuldades de sua gestão foram a parte burocrática. “Quando a gente pensa que a questão da pesca vai andar, acaba retroagindo. O Ministério da Pesca, por duas vezes, já caiu. Passamos a ser subordinados ao da Agricultura. Isso não é uma coisa legal! As conquistas que os pescadores tiveram não foram muitas”, lamenta, continuando: “Aqui no estado do Rio de Janeiro, a gente queria um entreposto como tinha na Praça XV (inaugurado em 1941 pelo presidente Getúlio Vargas e onde eram vendidos peixes para moradores de muitos bairros até 1991, quando houve o despejo). A gente gostaria que aquilo voltasse, não que ficasse lá no Ceasa (no Irajá). No Centro, era outra maneira de a gente ter o peixe em um lugar mais próximo”. Os direitos dos profissionais também foi uma de suas preocupação: “Quando tínhamos o Ministério do Trabalho lidando diretamente com os pescadores, era mais fácil de resolver as coisas, mas com o INSS, a gente tem muitas reclamações. Não só a Z13, mas todas as colônias. A dificuldade em negociar é muito grande”.

Seu sucessor planeja seguir a mesma linha de trabalho. Rebouças, que foi vice-presidente de Kátia em seu primeiro mandato e no de Marins, atuou como tesoureiro nos últimos quatro anos e visa dar continuidade às ações. “Nesse primeiro momento, vou levar adiante as propostas dela de organizar os pescadores, ter um ambiente mais bonito e, ao mesmo tempo, chamar as autoridades para um olhar melhor a este colônia. A de Copacabana tem muita história para mostrar à comunidade e até aos outros estados”.

Profissional do mar desde seus 13 anos e membro de uma família onde seu pai e seus irmãos também viviam da pesca, o novo presidente também reforça a questão dos direitos dessa categoria. “Estamos em um país onde a Constituição inclui o pescador como trabalhador reconhecido. Ao longo do tempo, buscamos mais direitos e reconhecimento”. Foi esse desejo que o motivou a concorrer à presidêndia da Z13 no novo pleito: “Só buscando estar na diretoria que a gente começa a entender que é através dessa estruturação que se organiza a classe. Só através de trabalhos afiados é possível se aproximar do Poder Público. Esses profissionais têm que ser reconhecidos”.

Para ele, a única mudança entre seu mandato e o de Kátia é o gênero de cada um. “Agora, não é mais uma mulher presidente. Fico até um pouco triste porque queria sempre alguma à frente dessa colônia. É uma questão de gosto, mas agora, não tivemos outra personagem qualificada. Espero que Deus dê bastante saúde a ela e que, em uma próxima eleição, ela possa se candidatar ou então outra pessoa, se for o caso”, diz, elogiando a antecessora:

“Ela vai continuar como aquela pessoa que se comprometeu a ajudar a Colônia. Sempre tivemos uma sintonia muito boa e uma visão bastante ampla do que queríamos para cá. Vamos continuar!”. Ele destaca o valor da instituição ao relembrar o passado dela, associando com o presente: “Quando alguém fala da história de Copacabana, a gente vê que os pescadores estavam aqui antes da evolução do bairro. É muito gostoso se aprofundar e ver que estamos resistindo às mudanças urbanísticas e do mar. Tudo mudou muito! Nós, com esse barquinho que parece que paramos no tempo, não paramos. Estamos a cada dia avançando, precisamos nos modernizar”, conclui.