Cineminha do Leme

Em meio ao sucesso das salas modernas de cinema, o autor teatral Geyza Bôscoli foi na contramão daquela tendência e investiu em espaços dedicados a um público específico: as crianças. Com programação dedicada exclusivamente aos pequenos, eles duraram pouco tempo, mas ficaram marcados no imaginário daquelas plateias.

O primeiro foi o Cineminha do Leme, fundado em 1948 no interior do Teatrinho Íntimo, que já funcionava na Avenida Atlântica, 24 (atual 290) desde o ano anterior. Foi o primeiro cinema do Leme, até então carente dessa forma de entretenimento. Ali, adultos só entravam acompanhados e, no começo, as primeiras sessões eram destinadas aos menores que viviam em abrigos selecionados pelo juiz de menores; as demais, abertas ao público geral. A programação era repleta de desenhos e comédias, mas esbarrava na dificuldade em dublar outros títulos educativos e instrutivos.

Poucos meses após a inauguração, Bôscoli abriu outro espaço semelhante, na Av. N. Sª de Copacabana, 921. O Cineminha Jardel ficava no teatrinho homônimo, batizado em homenagem ao irmão do proprietário, Jardel Jércolis, e chamado no diminutivo devido à capacidade pequena. Notícias davam conta de que a sala do Leme teria sido experimental e encerrado suas atividades no contexto do surgimento do novo endereço, mas a programação dos dois cinemas indicam que ambos coexistiram com propostas semelhantes até 1950.

Cineminha Jardel

O Cineminha Jardel funcionava como um “cineac” infantil, modelo que se popularizava naquela época. A expressão era uma abreviação de “cine actualité” e era usada para diferenciá-los das demais salas. Enquanto as outras davam destaque às principais produções de Hollywood, estas exibiam documentários e cinejornais. A versão para crianças mesclava os dois modelos: ao mesmo tempo que apresentava documentários adequados àquela faixa etária (como um que apresentava os parques naturais da Europa e outro sobre os mares do sul do planeta), incluía em sua programação desenhos, produções da Disney e filmes como os de Charlie Chaplin, Shirley Temple e O Gordo E O Magro.

Em 1950, o Cineminha Jardel teria se mudado para o Posto 6 de Copacabana, onde funcionou por poucos meses: em abril, seus equipamentos foram colocados à venda. No ano seguinte, o Cineminha do Leme foi renomeado e transformado em Cine Leme, agora com programação adulta. A mudança se deu com a exibição da revista lírico-musical “Folias da Ópera’, em janeiro, mas o antigo público-albo não foi esquecido: eventualmente, títulos infantis como “Tão Perto do Coração”, da Disney, entravam em cartaz ali. Nesta nova fase, resistiu até 1959, quando deu lugar à Escola Loures Senna, que funcionou por apenas um ano letivo.