O Consulado do Canadá, em Copacabana, recebeu, na manhã do dia 10 de maio, mulheres participantes do projeto “Empreendedoras de Batom”. O programa, financiado por um fundo canadense, voltado a apoiar projetos de lugares subdesenvolvidos, ensinou a centenas de mulheres da Zona Oeste noções de empreendedorismo, permitindo que elas se tornassem aptas a montar seus próprios negócios ou melhorar os que já mantinham.

A recepção foi feita pela cônsul-geral Evelyne Coulombe, que evidenciou a importância desse tipo de trabalho: “Imagina o impacto disso? A mulher empoderada financeiramente fica independente do parceiro”, disse, antes de explicar como surgiu a parceria com a responsável pela ONG, Virna Elias: “Quando cheguei aqui, em 2016, pouco tempo depois teve o Dia da Mulher. Igualdade de gênero é algo muito importante no Canadá. Fiz uma recepção para marcar a data. Não havia ainda uma rede de contato, mas imediatamente, 80 convidadas confirmaram presença. Assim, me dei conta da vontade de falar sobre esse tema”.

Virna, MBA em Empreendedorismo e Desenvolvimento de Novos Negócios pela Fundação Getúlio Vargas, era uma delas, apesar de não estar interessada no evento em um primeiro momento. Ali, conheceu Evelyne, mas foi em uma reunião posterior que ela mostrou interesse em dividir seus conhecimentos com outras mulheres da Zona Oeste, o que fez a cônsul-geral citar um edital que selecionava projetos para serem contemplados com o Fundo Canadense de Iniciativas Locais, um financiamento com validade de um ano destinado a projetos com resultados concretos, tangíveis e duráveis. Assim, formalizou sua ideia, apresentada ao governo canadense.

Assim que o “Empreendedoras de Batom” foi contemplado, a ideia era ajudar mulheres apenas entre os 18 e os 35 anos, mas a procura por parte de outras faixas etárias foi tão grande que o programa passou a atender mulheres também de outras idades, desde adolescentes até a terceira idade. “No Canadá, há muitas mulheres com mais de 50 empreendendo. Não queríamos fechar as possibilidades”, comentou Evelyne. O número de integrantes também foi além do esperado: “Recrutamos 250 mulheres. A meta era atender 180, mas fechamos com 183, além dos professores”, observou Virna.

As aulas aconteceram entre outubro e fevereiro, após pesquisa acerca do perfil da mulher empreendedora da região, o que permitiu desenvolver uma metodologia didática o suficiente para todas. Além dos ensinamentos diversos, as participantes receberam ajuda também de profissionais da área de coaching ensinando-as a buscar caminhos diante de dúvidas como “e agora, o que faço?” – por exemplo, uma das alunas vendia quentinhas, mas não sabia o caminho a ser seguido para legalizar seu negócio, lidar com o faturamento e começar a aceitar vale-refeição. Foi ainda realizada uma feira para cada uma mostrar suas produções ao público e apenas nesta data, foram arrecadados mais de R$15 mil – a ideia é produzir edições mensais, levando público de outros bairros ao centro de Santa Cruz (por ser de fácil acesso devido à estação do trem e os outros meios de transporte) e promovendo a circulação de dinheiro no local.

Apesar do sucesso, o projeto foi encerrado devido ao fim da contribuição financeira. “Quando acabou, pensei em sair de Santa Cruz e buscar outro norte, mas acho que ainda não acabou”, acredita Virna, que inscreveu a ideia novamente no edital do Fundo Canadense de Iniciativas Locais, que, neste ano, traz igualdade de gênero e empoderamento de mulheres e meninas como os temas considerados prioritários pelo programa.