A festa de aniversário de Copacabana foi um sucesso! Milhares de pessoas conferiram as atrações escolhidas especialmente para a data, que veio a ser o maior evento inclusivo que o bairro já recebeu. Músicos e modelos cegos ou com baixa acuidade visual; dançarinos cegos, cadeirantes e Down; artistas pintando com a boca foram algumas das surpresas reservadas para essa manhã, que também apresentou talentos infantis e da terceira idade tocando percussão.

A comemoração foi iniciada pouco depois das 9h, quando a Banda da Polícia Militar atraiu os primeiros passantes da manhã ensolarada de domingo. No repertório, estavam composições de Ari Barroso, Milton Nascimento e Tim Maia, entre outros, antes da antecipação do “Parabéns”, que precedeu “Cidade Maravilhosa”. Nessa canção, o ator Fernando Reski, o mestre de cerimônias do evento, assumiu o microfone para acompanhar os instrumentistas.

Os cães adestrados da corporação também conquistaram aplausos. Devido à alta temperatura, parte da programação que os envolvia foi cancelada, mas o público teve a oportunidade de conferir o treinamento dos cachorros em situações distintas. Primeiro, um labrador, após farejar, identificava qual caixa, dentre quatro, que continha determinada substância. Depois, foi a vez do pastor belga Malinois participar de uma simulação em que um agente identificado como um suposto meliante ameaçava um policial, o que resultava na ação do cachorro.

Em seguida, dando início às atividades inclusivas, a tecladista cega Gláucia Leite tocou, ao vivo, uma música para os presentes. Ao seu lado, estava o presidente do grupo Anjos da Visão, Waldir Lopes, que, mais tarde, teve um de seus sambas executados ao público, que pôde conferir seu talento como músico – ele já lançou um CD com trabalhos de sua autoria..

A banda da Guarda Municipal também se apresentou com repertório que ia de Roberto Carlos a Alcione. Foi essa apresentação que conduziu outras atrações, como o desfile promovido pela Associação Girassol – Movimento Pela Plena Inclusão. Nesse momento, sete deficientes visuais mostraram seus talentos como modelos em um tapete vermelho colocado no chão para a ocasião. Os trajes foram feitos pelo aluno Eron Pereira de Lucena, que tem baixa acuidade visual e incrementou peças já existentes com materiais recicláveis. Depois, os cantores Mario Corrêa, do Golden Boys, e Cézar Guerreiro, o apresentador da festa, dividiram o microfone em um número improvisado, mas que agradou quem caminhava pelo calçadão. A participação da Associação Girassol foi encerrada com a dança de salão, apresentada por quatro duplas, dentre as quais estava o professor Itamir Ribeiro

Outros números coreografados foram levados por alguns dos representados pelo grupo Nós Na Fita – Fazendo O Bem Sem Olhar A Quem, que também promoveu a ida de Gláucia e Lopes à festa. Primeiro, a cadeirante Bebel Rodrigues, acompanhada do coreógrafo Stefánio Vieira, reuniu grande público, que se surpreendeu com as habilidades da dupla. Após este espetáculo, o projeto Somos Todos Especiais, divulgou seu baile inclusivo – a próxima edição será um arraiá especial no dia 21 de julho, às 15, no Sport Club Mackenzie (Rua Dias da Cruz, 561 – Méier), e a entrada será apenas um prato com alguma comida típica de festas juninas. O representante da iniciativa, Diogo Ribas, dançou com uma moça com Síndrome de Down para convidar os interessados para as festas. Em seguida, os integrantes do grupo Dancing Down apresentaram uma coreografia inspirada no filme “Grease – Nos Tempos da Brilhantina”. Os oito dançarinos também ganharam muitos aplausos pela performance, enriquecida com figurinos que remetiam ao período retratado no musical.

Perto do fim da festa, outro conjunto musical tocou para o público: 14 percussionistas do conjunto Misturidades, da Casa de Santa Ana, transformaram o calçadão em um grande carnaval. Dentre os músicos, havia tanto crianças pequenas como idosos, que mostraram habilidade com os instrumentos. O “Parabéns” oficial aconteceu durante esta apresentação, reunindo um enorme número de pessoas que receberam uma fatia do bolo feito pela confeiteira Marta Pinto especialmente para a data. Mesmo após este momento, a festa continuou com mais animação: a professora de dança Adryana Segundo ensinou zumba ao público que, animado, repetiu todos os passos ensinados. A programação chegou ao fim com a performance do cantor Otávio Almeida, que mostrou todo o seu talento com sua potente voz muitas vezes comparada à de Cauby Peixoto nas noites cariocas.

Enquanto os shows aconteciam, outras atrações aconteciam paralelamente. As idosas que circulavam pelo calçadão foram presenteados com arranjos de flores produzidos pelo grupo Flor Generosa. Este trabalho consiste em reaproveitar a decoração de casamentos: os voluntários são chamados para recolherem após as festas e os transformam em pequenos buquês, geralmente entregues em visitas a casas de conveniência. Especialmente para o aniversário de Copacabana, foi realizada essa entrega especial às mulheres, principalmente da terceira idade, que escolheram o bairro para morar ou apenas passear.

Na tenda ao lado, aconteceu o Brechó Abençoado, do Nós Na Fita – Fazendo O Bem Sem Olhar A Quem, com artigos arrecadados através de doações e cuja verba arrecadada foi destinada ao próprio grupo, que eventualmente necessita de dinheiro para participar de determinados eventos. Apenas nas últimas semanas, o grupo marcou presença em alguns como os arraiás do Centro de Referência da Música Carioca Artur da Távola, na Tijuca, e do Instituto Benjamin Constant, na Urca. O Nós Na Fita também apresentou, em outra barraca, artigos produzidos por outras pessoas com necessidades específicas, como os CDs de Gláucia, Lopes e do sambista cego Gabrielzinho do Irajá e o livro “O Diário de Márcia Garcez”, que narra a trajetória de uma moça que, aos 29 anos, foi diagnosticada com esclerose múltipla – nestes casos, o valor obtido foi entregue aos próprios artistas.

A artista plástica Danielle Souza também estava no local com algumas de suas telas. A moça, que ficou tetraplégica após tomar um tiro, integra a Associação dos Pintores com a Boca e os Pés, representada na festa pelo Nós Na Fita – Fazendo O Bem Sem Olhar A Quem. Durante a maior parte da festa, a pintora manteve-se produzindo um novo trabalho usando a boca, o que atraiu a curiosidade do público não familiarizado com essa técnica.

O espaço vizinho foi ocupado pela Editora Posto Seis, que promoveu o abaixo-assinado pela conclusão da obra do Museu da Imagem e do Som. Em ocasiões anteriores, já haviam sido coletadas 675 assinaturas; dessa vez, mais 405 nomes se juntaram ao manifesto, totalizando 1.080 participações de pessoas indignadas pela paralisação da construção, cujo canteiro foi desmontado em março de 2017 após bastante tempo sem nenhuma ação no local.

No outro lado da área reservada às apresentações, estava a Associação Girassol, que reuniu ali os deficientes visuais que participariam das atrações desenvolvidas por este grupo. Há cerca de dez anos, este trabalho oferece aulas gratuitas, no Catete, ao público atingido, ampliando as possibilidades de inclusão. Atualmente, são oferecidas oficinas de dança de salão; teatro; percussão; inglês; conhecimentos gerais; informática (através de dois métodos: um destinado a cegos, baseado em softwares de leitura da tela e teclado em braile, e outro para pessoas com baixa visão, com a ampliação da tela); coordenação motora e andamento e postura, entre outras.

Vizinha a esta tenda, estava o espaço de saúde, com massoterapeutas da Associação Girassol. Ao mesmo tempo, a Drogaria Galanti levou profissionais que realizaram serviços de saúde como aferição de pressão arterial e medição de glicose arterial. A festa contou ainda com participação do Clube Israelita Brasileiro, que contribuiu com parte da estrutura.