Luiza Lunardi

     Para dar visibilidade à doença celíaca, a Associação de Celíacos do Brasil – Seção RJ (ACELBRA-RJ) iluminará o Cristo Redentor, a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro e a Igreja de Nossa Senhora da Penha com a cor verde, que representa a doença. A data para isso não poderia ser mais precisa: 20 de maio, dia em que é celebrado o Dia Internacional da Doença Celíaca. 

     Presidente da ACELBRA-RJ, Suzane Boyadjian comemora o que define como uma grande conquista. “O meu papel, como presidente da ACELBRA-RJ, é de multiplicar a informação. No dia 20, as pessoas vão olhar para o Cristo, e perguntar o porquê de estar verde. Vai gerar curiosidade, e é exatamente isso que eu quero. Que pesquisem e descubram que a doença celíaca existe e merece visibilidade”, afirma, com animação.

     A doença celíaca é uma patologia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten (proteína vegetal presente no trigo, cevada, centeio e aveia) em pessoas com predisposição genética. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o distúrbio atinge um em cada 100 indivíduos no planeta, e se não for diagnosticado e tratado, pode levar à complicações graves. “Pode atacar até mesmo os neurônios”, enfatiza Suzane. O único método terapêutico possível é uma dieta sem a proteína, o que é difícil, já que empresas do ramo alimentício não se empenham em compromissos para esse público. “A contaminação cruzada é o maior problema. Os itens sem glúten no mercado não podem estar próximos ou colados a itens com glúten, por exemplo. Nos restaurantes, é importante que os funcionários tenham treinamento para não mexerem em determinados alimentos quando estiverem preparando o prato de um consumidor celíaco, entre outros cuidados necessários”, alega a presidente da ACELBRA-RJ, citando que algumas marcas já se enquadraram para atender celíacos.

     Foi também para difundir cada vez mais o conhecimento sobre a doença que Suzane ajudou a organizar, nos dias 12 e 13 de abril, dois eventos importantes para a causa. A 1a Reunião sobre Necessidades Alimentares Específicas (RENAE) e o 1o Encontro Nacional de Celíacos, Sensíveis ao Glúten e Alérgicos a Trigo aconteceram no Centro Universitário Universus Veritas – Univeritas, no Flamengo, e levaram dezenas de pessoas até o local. “Tivemos a presença de representantes da Anvisa, de uma médica portuguesa, uma psicóloga, entre outras. As pessoas se surpreenderam com os eventos, muitas não achavam que ia ser tão sério. O que mais escutamos foi ‘estamos sensibilizados’, no fim de cada palestra”, lembra Boyadjian.

     Apesar das restrições que uma dieta sem glúten pode gerar, Suzane não tem reclamações, mas gratidão e força de vontade para continuar batalhando em melhorar a qualidade de vida para os celíacos. “A doença celíaca só agregou valores para mim, só tenho a agradecer. Tudo o que tenho hoje, as pessoas maravilhosas que pude conhecer, foram graças a ela”, finaliza.