Luisa Lins

         A presidente da Federação das Academias de Letras e Artes do Estado do Rio de Janeiro (Falarj), Maria Amélia Palladino, respira poesia. Participante de diversas academias literárias e ainda secretária-geral da Academia Luso-Brasileira de Letras, ela encontra tempo em sua rotina para exaltar e divulgar esse tipo de arte. Comemorando o Dia da Poesia, celebrado em 21 de março, ela conversa com o Jornal Posto Seis sobre a importância e o espaço desse estilo literário na sociedade.

Desde criança, segundo ela, já enxergava a poesia com outros olhos. “Eu comecei nessa área com estímulo de professores que me incentivaram e acreditaram em meu potencial. Foi lá atrás que fiz meus primeiros versos e até hoje, estudo para criar novos”, observa. Devido à sua função atual, Maria Amélia explica que se interessou muito por atividades acadêmicas, palestras, certames literários, simpósios, entre outras manifestações culturais. “Com uma participação ativa, fui logo eleita para ser a presidente de uma associação. Pelo trabalho que realizamos, fazendo eventos, publicando revistas, informativos, exposições de artes plásticas, concursos, eu e minha equipe fomos convidadas para fazer parte da chapa para a eleição da Falarj, como vice-presidente. Aproximando-se a data da nova gestão, a então presidente adoeceu, não pôde se candidatar à nova eleição, e eu, como vice, assumi. Isso ocorreu em setembro de 2013”, lembra.

Ela comemora o surgimento de novos poetas cada vez mais interessados pela área: “(Tenho visto) muitos, principalmente nas academias literárias, mas eles também se apresentam em teatros, restaurantes, exposições de artes, etc”, observa, apontando não haver limites para a arte: “Os poetas estão em vários lugares, fazendo apresentações em teatros, clubes, programas de TV e de rádio, e são muito bem aceitos e aplaudidos. Talvez possa dizer que a faixa etária não é das mais jovens, mas em compensação, as escolas apresentam muitas histórias, em forma de poesias, e as crianças começam, já, a fazer suas quadras ou poemetos, com o estímulo do professor”.

No passado, cabia a ela exercer o cargo de docente. Atualmente aposentada, relata ficar feliz ao encontrar ex-alunos seus seguindo o mesmo caminho: “não são poucos. Eles entram em concursos literários e são bem colocados, merecendo prêmios e outras distinções”, celebra, reforçando a importância dessa manifestação cultural. “Ao poeta, cabe contar a história de seu país, como é o caso de Camões, em os Lusíadas; ou a de sua cidade, como Drummond, que projetou Itabira ao Brasil; ou mostrar a força de seu povo e estimular sua capacidade de reação, diante das adversidades da vida, como Bilac, em sua destemida atuação contra a escravatura. Cabe usar a sua palavra para enviar mensagens de ânimo e fortaleza aos que dela necessitam. Todos merecemos momentos de leveza e suavidade”, finaliza.