Uma ação na Praça Almirante Júlio de Noronha, no Leme, celebrou o Dia Mundial da Limpeza, ocorrido em 22 de setembro. Nem a chuva afastou o grande número de participantes que se empenharam em recolher lixo na praia, promovendo um grande trabalho de conscientização ambiental. Ao fim, 250 quilos de resíduos foram retirados das areias.

     A iniciativa, organizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC), mobilizou empresas diversas e ONGs, resultando em um grande mutirão que se estendeu daquele ponto até o Recreio, passando também pelas lagoas e o Canal de Marapendi. Apesar da extensão, os trabalhos foram concentrados no Leme, onde, em parceria com o SESC-Rio, foram montadas dez tendas com atividades educativas e lúdicas sobre temas como meio ambiente, esporte, cultura e lazer.

     De acordo com dados informados pela SMAC, 62% dos detritos recolhidos eram de plástico e 18%, de papel. Metais e vidros corresponderam a 10% cada. Apesar desses números, o que chamou a atenção dos participantes foi o grande número de guimbas de cigarro. “Aqui, 80% do que tiramos é cigarro”, supõe a estudante Andréa Nogueira, que relatou ter recolhido também muitos palitos de picolé. Ela soube da ação através de sua faculdade, a Unisuam, que tem estimulado os alunos a participarem de programas voltados ao tema. “Achamos uma atividade diferente do que estávamos acostumadas e principalmente porque ela está mais voltada à sustentabilidade e ao meio ambiente… Estamos fazendo passeios em trilhas e recolhendo lixo também em outros lugares”, cita, mencionando também outros discentes da instituição.

     A enorme quantidade de bitucas também foi motivo de alarde por outros grupos. Em pouco mais de 1 hora de evento, o de Stella de Jesus já tinha recolhido 187, além de 63 pedaços de plástico, inclusive canudos, que estão proibidos. “O principal motivo de eu ter vindo aqui é a preocupação com o meio ambiente. Estão falando muito sobre isso, sobre os animais que estão consumindo plástico, dos excessos desse material nas praias.”, mencionou. Sua visão assemelha-se a de Mariana Correia: “A gente tem que ter esses pequenos atos de botar a mão na massa e fazer o que tem que ser feito, como catar lixo. Querendo ou nãom ajuda um pouco a mudar o mundo que a gente tá vivendo hoje. Muita coisa que tem que mudar. Se a gente puder fazer nem que seja 1%, já ajuda muito”.

    Os trabalhos contaram também com a participação de muitas crianças, como cerca de 20 escoteiros mirins do grupo 36, de Brás de Pina. “Hoje estamos proporcionando o que chamamos de ‘muticom’, um mutirão comunitário. Todo ano a gente faz, pelo menos, um”, explica a representante Cristina Vieira, que também se mostrou alarmada com a quantidade de guimbas: “Vale para a gente, talvez, fazer uma ação com os fumantes”, ressaltou, complementada por um dos pequenos:“A gente encheu uma garrafona com elas”. A ideia de conscientização foi bem compreendida pelos demais membros do grupo: “Aprendemos que temos que catar o lixo para preservar o mundo e ele ficar bem melhor. Dá para fazer qualquer coisa com o lixo que se acumula”, analisou uma menina. Sua ideia foi reforçada por um menino, que chamou atenção para as esculturas expostas perto das tendas do SESC: um peixe, feito com garrafas PET, e um cavalo-marinho, com latas de alumínio reaproveitadas.

     A jornalista e fundadora da empresa participante Bota Pra Girar, Fernanda Cubiaco, destaca a união das pessoas em ações como esta: “Temos que cuidar do nosso planeta. O evento surgiu há 11 anos com um grande apoio do mobilizador social do projeto Teoria Verde, Jean Peliciari, e neste dia, também na Praia do Leme, a Clean Up The World, que já existe há 17 anos, participou. Dessa vez, a Prefeitura do Rio de Janeiro nos ajudou com oficinas, montagem de barraquinhas de oficinas de aproveitamento de lixo, brinquedos com reaproveitamento e atividades de badminton, minitênis, slackline e ioga. Além disso, tivemos apresentações de peça interativa ”A Batalha da Natureza”, apresentações de músicos livres do movimento de mulheres sambistas, finalizando ao meio dia com o show de Forró do Projeto Humano Novo, de equilíbrio e sustentabilidade. Foi muito lindo e espero que possamos fazer cada vez mais movimentos para ajudar a natureza”, finalizou.