A abertura do carnaval no Rio mostrou novamente que, apesar das reivindicações das associações de moradores, o caos se instalou. A liderança vem solicitando aos governantes a não realização de eventos do porte como o do último dia 12 por motivos de ordem pública, inclusive impetrando mandatos judiciais tentando impedi-lo sob a alegação de que os bairros não possuem logística, tampouco estrutura, para recebê-lo.

   Seguindo princípios e normas fundamentadas em políticas de estado que garantem o bem-estar da sociedade, podemos materializar a convivência social de forma harmônica – razão que todos os cidadãos de bem procuram exercer em seu dia a dia. Para tanto, é preciso preservar a ordem pública através de ações sucessivas para que se possa manter afastadas ameaças que afligem o cidadão, ou seja: a desordem urbana como a causada pelo episódio.

   Para colocar em prática a ordem pública tão almejada, que por consequência beneficiaria a sociedade e o turismo como um todo, é necessário órgãos fiscalizadores que atuem de forma contundente na desordem acometida nos bairros e a formulação de políticas públicas que venham de encontro a satisfação da coletividade.

  A integração do poder público (executivo e legislativo) com as associações de moradores precisa ser resgatada para que sejam respeitados os anseios da população. O empenho dessas agremiações expressa os impasses e conflitos entre a sociedade civil local e os seus representantes políticos e administradores governamentais, buscando e cobrando soluções, com uma maior participação cívica, restaurando um espaço democrático.

   O carioca está cansado de pagar altos tributos sem ter o retorno merecido. A população em situação de de rua, a cada dia em número maior, achaca os transeuntes nas portas de suas residências, de bancos e restaurantes. Alguns são tão agressivos que chegam a constranger o cidadão, que passa a evitar sair de casa, acarretando prejuízos emocionais, a ele, e financeiros, ao comércio. O problema das calçadas esburacadas, que causam vítimas diariamente, simultâneo com outros inconvenientes como a dificuldade de se utilizar o transporte coletivo (dificuldade em subir no ônibus, falta de informação de itinerário, distância entre os pontos) afastam as pessoas do convívio comunitário.

   Os moradores estão cansados e não merecem conviver com mais balbúrdias causadas por falta de planejamento por parte dos órgãos públicos. Que o evento nefasto do dia 12 de janeiro de 2020, em Copacabana, sirva realmente de lição. Os moradores e turistas não merecem o pânico, a humilhação e o vexame aos quais foram expostos.

Se o objetivo era dar mais visibilidade à nossa cidade atraindo visitantes e divisas, o prejuízo é imensurável.