No dia 21 de março, foi celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down e para marcar a ocasião, um evento em Ipanema, no dia 17, chamou a atenção para a necessidade de inclusão em todas as esferas na sociedade. Por ser uma festa dedicada à integração, a ideia era mesclar todos os perfis e, por isso, todas as atividades foram adaptadas de maneiras todos aproveitassem.

“A sociedade ainda não está preparada. Não somos nós quem temos que se adequar”, comenta um dos organizadores do Movimenta Down, Breno Viola, que tem Síndrome de Down. O grupo que ele representava produz conteúdo para ajudar a combater preconceitos e a buscar condições efetivas de integração. Em sua visão, os desrespeitos contra o grupo não acabam devido à ideia de que os quem possui a condição é quem devem se ajustar à sociedade – ainda assim, apesar de lutar nessa causa, ele relata nunca ter sofrido esse problema, assim como sua noiva, Samanta Quadrado, que compartilha da mesma ideia. Na sua família, há outros dois casos de pessoas Down, o que permitiu que seus parentes enxergassem essa realidade e a criassem sem segregação, ideia bastante difundida nos dias atuais, diferente do que ocorria no passado.

Tornar essa integração plena, entretanto, ainda é uma das lutas dos envolvidos com a causa. “A gente quer visibilidade. Vamos ficar felizes quando não for necessário existir um dia dedicado a isso. Falta informação e, consequentemente, inclusão. Falta voz para eles falarem o que precisam”, sugere uma das representantes de outro AcolheDown, Ana Paula Souza. O grupo, formado majoritariamente por pais de crianças Down, é destinado a dar apoio aos pais quando recebem o diagnóstico, ajudando-os a ensinarem seus rebentos a terem autonomia.

Outra participante do mesmo movimento, Laís Costa, defende a mesma visão: “Descobri que minha filha era Down na gestação e muitos me perguntavam se eu ia abortar. Tentei engravidar por muitos anos e nunca perguntei a amiga nenhuma se ela faria isso. As pessoas me falam ‘Que sorte que ela deu! Como vai ser quando ela crescer?’. Respondo que vou ficar com saudade (em referência ao momento que a menina, ainda criança, optar por sair de casa). Tenho duas filhas, mas da outra, ninguém pergunta essas coisas”, aponta.

Muitos dos responsáveis por pequenos com a condição compartilharam as mesmas ideias sobre as dificuldades sofridas devido ao fato de a sociedade não estar preparada para lidar com esse público. “Sinto muita dificuldade em achar escola inclusiva. Geralmente, negam a matrícula por não poderem atender as necessidades dela”, conta Susana Miccieli, mãe de uma menina Down. Laís também aponta o mesmo contratempo: “Não sabem ensinar a minha filha”.

Entretanto, apesar da visão dessas mães, outras famílias mostram que, apesar dos empasses, muitas instituições já estão prontas para difundir o conceito de inclusão. “Antes de encontrar uma creche, mandei e-mail para duas e nem resposta tive. Na que fui pessoalmente, consegui vaga. Na escola, inclusive ofereceram mediador”, comenta Tatiana Sanches, mãe de um menino Down. O pai, Arthur Sanches, ressalta que ambos os estabelecimentos não tinham experiência com a síndrome, mas se mostraram abertos a receber seu filho: “Ele foi o primeiro nos dois lugares. Na escola, já haviam recebido um aluno autista, mas não Down”.

Dentre as atrações oferecidas no evento, havia contação de histórias oferecida pelo Movimento Down. Naquela ocasião, o grupo, através do projeto Mudando a Narrativa, contou a história dos Três Porquinhos de maneira inclusiva, tornando a proposta convidativa para todos. A narração também foi interpretada em Libras, permitindo o entendimento por parte de pessoas com problemas auditivos, e foi ilustrada com objetos interativos. Dessa forma, quem tivesse alguma deficiência intelectual conseguiria compreender o que era cada um dos elementos da fábula.

Foram também realizadas pinturas faciais e manuais na mesma tenda. Em outras, crianças foram convidadas a pintarem em um cartaz que seria levantado e exposto ao público na mesma data; também pintaram suas mãos e deixaram marcas na bandeira do evento, cujo lema era “Inclusão Se Faz Com Várias Mãos”. Em outro espaço, o Museu da Polícia Militar do Rio de Janeiro disponibilizou painéis para os pequenos encaixarem seus rostos e brincarem de serem policiais por um dia em fotografias. Eles ainda se divertiram com a presença de personagens queridos por elas, como Anna (da animação “Frozen”), Moana, Peter Pan, Mickey e Lady Bug, que posavam para fotos e interagiam com cada um.

Houve também barracas de venda de produtos dos grupos organizadores, outra do Ministério Público apresentando os canais que devem ser usados pela população em caso de denúncias (com panfletos impressos também em braile) e, ainda, mais uma do Núcleo de Práticas Jurídicas da Universidade Estácio, que apresentava seus serviços gratuitos oferecidos à população. “Os alunos fazem atendimento no 5º Juizado Cível e atendem a moradores de Copacabana e do Leme”, explicou a gestora do campus Dorival Caymmi, Susane Gueiros.

O evento contou ainda com participação da Cedae, que disponibilizou água potável para o consumo dos participantes; da Guarda Municipal, cuja banda se apresentou; do Brigadeiro Doce Colherada, que distribuiu cortesias para o público; e do Espaço de Desenvolvimento Infantil Aprendo Sim, que divulgou suas atividades na área de psicomotricidade, música, dança criativa, cozinha pedagógica e apoio escolar a crianças com necessidades especiais.