(Foto: Reprodução/Correios)

Desde abril, o funcionamento dos Correios está comprometido em todo o Rio de Janeiro. As falhas no serviço êm gerado reclamações por parte dos usuários, que ou não recebem suas correspondências dentro do prazo 0ou têm seus trabalhos afetados pela dificuldade em enviar as compras aos clientes.

“Estou esperando duas encomendas. Uma foi postada em 27 de abril e outra, em 6 de maio. Ao rastrear, vejo que ambas foram apenas postadas e desde então, estão paradas. Contactei a empresa, que pediu desculpas e explicou, no começo de junho, que os Correios estão parados em todo o Rio de Janeiro. Já estamos no fim do mês, nada mudou e sei que ela fala a verdade porque vejo várias pessoas relatando situações idênticas nas redes sociais”, comenta a moradora do Leme Paula Kern, que, até o fechamento desta edição, ainda não havia recebido os pacotes.

Nas redes sociais, as reclamações se repetem. Uma usuária aponta que sua compra está parada no centro de distribuição de Copacabana desde 15 de maio. Outro destaca estar esperando duas há mais de 60 dias, prazo menor que o citado por um terceiro, que aguardava uma entrega há 90.

Em paralelo, o custo das postagens aumentou, conforme aponta a empreendedora Mariana Martins. Proprietária de uma loja virtual de venda de acessórios infantis e, agora, máscaras de pano, ela queixa-se do acréscimo: “Eu pagava R$24,80 em PAC. Agora foi para R$28”, queixa-se, citando ainda o aumento no prazo de entrega, que nem assim é cumprido. A autônoma destaca que, em relação aos últimos envios, apenas 25% deles foram entregues e ainda assim, após o fim da data limite prometida no ato da postagem.

No fim de maio, o Procon RJ abriu investigação para apurar o trabalho da empresa. A ação foi motivada pelo aumento das reclamações em 340% desde o começo do isolamento social (16 de março), em comparação com o mesmo período, em 2019. De acordo com a página do órgão, as reclamações se concentram em produtos não entregues (70%), extravios ou avarias (20%) e cobranças indevidas, qualidade do atendimento e outras reclamações (10%). Agências apontadas como as mais problemáticas foram vistoriadas em junho, mas nenhuma delas fica na Zona Sul do município.

Em nota, a assessoria de imprensa dos Correios informa que não há distinção entre os serviços afetados e sim uma desaceleração geral das atividades, visando conter a disseminação do COVID-19. Para garantir a saúde dos empregados, a empresa adotou esquema de trabalho remoto para os funcionários classificados como grupos de risco e os que coabitam com pessoas nessas condições, resultando o significativo decréscimo na efetividade da empresa, consequentemente, dificuldades para executar as operações, ao mesmo tempo que foi observado um aumento expressivo do tráfego de encomendas, em decorrência do isolamento social. Por fim, foram prometidas melhorias a serem implantadas ainda em junho através da contratação de quase 2 mil empregados terceirizados, realização de mais de 7 mil horas extras, locação de 70 linhas de transporte de carga, entre outras.

“Os Correios lamentam eventuais transtornos à população neste momento de adversidade e adaptação de todos os setores da sociedade. A empresa reitera que está trabalhando para viabilizar, com segurança, a continuidade de suas atividades, essenciais para atender a população nesse período em que mais precisa, e segue à disposição pelos telefones 3003-0100 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 725 7282 (demais localidades), ou pelo Fale Conosco, no site www.correios.com.br”, finaliza.