O canteiro central da Avenida Princesa Isabel, projetado para ser uma área de lazer, reúne sinais de abandono. Mal cheiro, falta de conservação e sensação de insegurança são alguns dos fatores que afastam os possíveis frequentadores do local, ainda mais esvaziado pela retirada dos equipamentos da Academia da Terceira Idade (ATI).

     Durante a visita da equipe do Jornal Posto Seis, um número considerável de ciclistas transitava pelo local, mas nenhum pedestre usou a área para se locomover. A ausência de pessoas caminhando pode ser justificada por fatores diversos: em toda a extensão, havia forte odor de urina e fezes humanas (havia, inclusive, pedaços espalhados em trechos diversos). Marcas de urina podem ser vistas nas quinas da mureta, que proporcionam privacidade aos que fazem necessidades ali. O aspecto degradado das partes pintadas com tinta também transmitem ideia de negligência por parte do poder público: muitos pedaços estão descascados.

     No quarteirão entre as avenidas Atlântica e Nossa Senhora de Copacabana, os problemas são diversos. O pior trecho da ciclovia se concentra ali, com vários pedaços do pavimento quebrados ou rachado. A falta de conservação fica ainda mais evidente na proximidade da estátua da Princesa Isabel, onde há muitos buracos. Esse não é o único indício da necessidade de cuidados. Nas muretas, há placas inteiras de granito faltando. Nos chafarizes, as grades da parte por onde a água jorrava estão enferrujadas. As portas dos compartimentos onde deveriam estar o maquinário responsável pelo funcionamento deles também encontram-se enferrujadas e pichadas.

     Muitas das questões se repetem no quarteirão que vai dali à Rua Ministro Viveiros de Castro, mas é daquele ponto à Praça Demétrio Ribeiro que o abandono é evidente. A calçada, que ali é de responsabilidade da Prefeitura, encontra-se bastante quebrada e com muitas pedras portuguesas soltas. Em determinado trecho, havia uma árvore que caiu em algum dos temporais de 2019 e após sua retirada, não houve nenhum conserto. No dia da visita da equipe do Jornal Posto Seis, havia concentração de população de rua dormindo em cima de um dos chafarizes desligados. O outro foi tomado por mato, que também começa a aparecer no passeio, ainda de maneira singela.

     Era naquele trecho que ficava a ATI, removida em janeiro para que os equipamentos fossem levados à Praça Almirante Júlio de Noronha, no Leme. Tal mudança gerou reclamação por parte dos usuários, que, apesar dos problemas, eram vistos na unidade durante a manhã e à noite: eles alegam que o novo endereço é distante para eles e que na Praça do Lido, onde haveria a possibilidade de darem continuidade aos exercícios, os aparelhos ficam em um lugar onde sempre bateria sol, sem horários de sombra.

     O canteiro central da Avenida Princesa Isabel foi projetado como parte do projeto Rio Cidade, na década de 1990. Naquela época, a obra custou quase R$4 milhões. Apesar de os investimentos, o local nunca conseguiu ser adotado como área de lazer pela população. Algumas feiras de artesanato chegaram a ocupar o trecho entre as avenidas Atlântica e Nossa Senhora de Copacabana, mas há cerca de 20 anos o local não é usado para essa finalidade, mantendo-se vazio. Apesar dos problemas, no dia da visita da equipe do Jornal Posto Seis, havia um gari varrendo e uma viatura do Copacabana Presente na área.