(Foto: Divulgação)

O Parque Garota de Ipanema, alvo constante de reclamações, volta a chamar atenção de forma negativa. Fechado ao público devido à necessidade de isolamento social, ele tem sido frequentado por usuários de drogas e delinquentes que ignoram as restrições e seguem fazendo mal uso do espaço.

“Acompanho a situação do parque desde que vim morar aqui na rua, em 1997. Sempre foi vergonhosa! Há épocas em que melhora, mas o problema é estrutural. O lugar tem localização muito complicada porque é caminho para a praia e tem grande quantidade de mato. É área de preservação ecológica, é tombado, é da Prefeitura…  Para fazer qualquer coisa lá, tem que pedir benção a dez burocratas diferentes. Sempre tem, pelo menos, um que não quer deixar fazer nada”, aponta um morador do entorno.

Para ele, só seria possível obter melhora com a criação de algum estabelecimento atraindo público ao local e promovendo a ocupação do espaço: “Estou convencido de que só há uma solução: entregar o parque à iniciativa privada para que alguém o adote, abra restaurante lá dentro, quiosque… Onde tem a pista de skate é uma das vistas mais bonitas do Rio de Janeiro, mas ali é usado para tráfico de drogas, prostituição, para todo tipo de coisa. Os bandidos levam produtos roubados lá para cima”, cita, mencionando os outros problemas:

“O parque está fechado, então o cidadão de bem não entra mais. Aquela grade ali não serve para nada. Os crackudos entram. Lá dentro está cheio deles. Deve até continuar tendo prostituição lá dentro. Passo por perto praticamente todo dia e vejo um monte de gente ali fazendo não sei o que. Se está fechado, não era para ter ninguém”, analisa.

Outro morador também aponta a presença de pessoas no interior do espaço, mesmo com as entradas trancadas. “Ontem a Comlurb foi lá e deixou o parque lindo para os marginais. Que legal, né? Com o nosso dinheiro. (…) Outro dia tinham três caras na frente do portão da Rua Francisco Otaviano roubando turistas e entrando. (…) Havia uma viatura na esquina com a Rua Raul Pompeia. Os oficiais estavam dentro do carro. Eu percebi que os ladrões olhavam para a viatura antes de roubar”, descreveu outro morador da região nas redes sociais. 

“Tem gente que conheço que mora há cinco anos na praça. Isso mesmo: morador há cinco anos da praça. Ninguém nunca conseguiu remover. Por que não podem prender por desacato? (…) Tirar surfista de dentro d’água eles (as autoridades) sabem. (…) Aí vem um e fala: ‘se você pisar na areia ou entrar na água, te prendo por não obedecer a lei. Dá vontade de pegar o cara pela mão e falar: ‘amigo, abre esse cadeado do portão aqui, deixa eu te mostrar umas coisas. Você poderia tirar essas pessoas daqui? Estão aglomeradas e cometendo crimes’”, manifestou-se, queixando-se da ação seletiva.

Questionada, a assessoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro esclarece que o patrulhamento ostensivo daquela região é responsabilidade do 23º BPM e é feito com rondas em viaturas e grupamentos de motociclistas, além de policiais a pé. “É importante que, ao presenciar um delito, o cidadão colabore com o acionamento via Central 190 do respectivo batalhão da área para que as ações imediatas cabíveis à Polícia Militar possam ser tomadas”, conclui.