Enquanto grande parte da população cumpre regras de isolamento social, outra parcela segue com a rotina comum devido aos seus trabalhos. Profissionais de áreas diversas seguem suas rotinas, acrescentando a elas alguns dos cuidados para tentar evitar o contágio pelo COVID-19. O Jornal Posto Seis conversou com algumas dessas pessoas a fim de saber o quanto as mudanças impostas pela nova realidade alteraram seus trabalhos.

      “A gente está usando luvas e máscaras, além do álcool em gel o tempo todo. O patrão também colocou, em cada caixa, uma placa para evitar o contato direto do cliente com a operadora”, aponta a gerente do hortifruti Cariocafruit, no Leme, Luana Alves. Ela aponta que, até o momento, nenhum funcionário apresentou sintomas. Na internet, circularam boatos de que, em um mercado próximo, uma trabalhadora havia contraído o vírus, que o caso teria sido confirmado e outros dois colegas estariam com sintomas, mas tal informação foi negada pelas redes sociais da referida empresa, que também passou a adotar os mesmos procedimentos de segurança para garantir a segurança de seus empregados.

A Colônia de Pescadores Z13, no Posto 6, redobrou a higiene com água sanitária e álcool em gel, conforme conta a presente Kátia Janine. “Combinamos como todas as colônias fizeram e estipulamos um horário. A peixaria está com uma porta só aberta, entrando uma pessoa de cada vez. Não paramos porque não tem condição de pararmos. Os pescadores têm que levar comida para casa”. Também não foi registrado nenhum profissional de lá contaminado: “E olha que tem um montão que mora na Rocinha (onde, até o fechamento desta edição, havia 33 casos confirmados) e em outras comunidades. Graças a Deus, ninguém está nem resfriado”, completa.

Além das dificuldades ocasionadas pelo isolamento social, a falta de peixes no mar na Semana Santa também atrapalhou os trabalhos – tal problema já era esperado, já que se repete a cada ano, quando provavelmente a pesca em escala industrial é ampliada para atender as demandas dos consumidores, que aumentam nesse período. Para a sorte dos profissionais que dependem da pesca artesanal, os dias anteriores foram bastante fartos e os associados conseguiram tirar seus sustentos deles. Para evitar aglomeração e garantir as vendas, foi instituído um sistema de entrega em domicílio, através do qual os pescados é entregue direto na residência dos clientes.

O taxista Ivo Braga também se viu obrigado a continuar suas funções. “Tenho duas filhas pequenas e uma mulher que não trabalha. Sou eu quem coloco o dinheiro em casa”, analisa, mencionando sua extensa carga horária: “Saio às 7h e cheio por volta de meia noite. Sempre fiz esse horário, mas agora o movimento caiu demais e eu ganho muito menos”. Ele aponta que nos dias de semana há mais demanda por seus serviços: “Algumas pessoas têm que resolver problemas diversos na rua. Algumas tem que trabalhar. Nos fins de semana, por não ter nada aberto, muita gente tem ficado em casa”. Para garantir a segurança de todos, inclusive dele próprio e de sua esposa, que sofre de bronquite asmática, ele também segue passando álcool em gel em suas mãos, além de estar higienizando o veículo com água e cloro.

Ampliando ainda mais os cuidados, Braga também diminuiu a capacidade máxima em seu carro: “Posso levar até quatro pessoas, mas tenho pego só três para evitar que se sentem ao meu lado. Quando isso acontece, de alguém precisar se sentar por ser idoso ou algo assim, coloco máscara. Estou tomando os máximos cuidados, mas não posso parar. Para mim, está sendo horrível esse momento”, lamenta, mencionando estar vendo aglomerações voltando a se formar: “Há uns 10 dias, as ruas estavam desertas, mas a Tijuca, por exemplo, estava bem cheia de pessoas que pareciam estar passeando”, finaliza, preocupado com o descumprimento das prevenções e reforçando que quem pode aderir ao isolamento deve fazer.