Antonio Moraes (Foto: Patrícia Bisón)

Patrimônio cultural de natureza imaterial carioca, o frescobol evoluiu com o tempo. Antes praticado na beira do mar, atualmente os esportistas contam com apenas seis quadras em toda a cidade. A restrição de espaço não limitou o desenvolvimento do esporte, que ganhou ares profissionais, sem perder a essência informal.
Apesar da prática ser autorizada perto do calçadão em qualquer horário, em Copacabana há apenas um espaço onde os jogadores se reúnem de forma recorrente: nas quadras da Bolívar Frescobol, na altura da rua homônima. Os campos, cercados com tela para garantir a segurança de quem caminha pelo entorno, foram montados por um grupo de amigos em decorrência da proibição do jogo no local tradicional entre às 8h e às 17h.

“O espaço está legalizado, com alvará”, destaca o instrutor Antonio Moraes, responsável pelo endereço. Apesar de, formalmente, não haver uma associação atuando no local, há associados que contribuem mensalmente, o que mantém a manutenção da estrutura. Além dela, a cidade conta com outras quadras no Flamengo, em Ipanema, em dois pontos da Barra da Tijuca e no Recreio. Para o esportista, as limitações concentraram os jogadores, o que, em sua visão, levou à capacitação da modalidade, principalmente em Copacabana:

“De um tempo para cá, está mais profissional. O material evoluiu. As raquetes estão com uma tecnologia bem legal, elas dão leveza aos jogos. As bolas também estão com uma resposta muito boa. A mentalidade de quem joga acompanhou as mudanças. Alguns já agem como atletas, enquanto outros se divertem como esportistas e jogadores de fim de semana. Hoje, na Bolívar Frescobol, somos considerados o grupo onde a galera joga mais certinho, no estilo campeonato”, diz, explicando: “No frescobol, não há vencidos ou vencedores. A gente costuma jogar um em prol do outro. Quando você joga e salva uma bola, fica feliz e seu parceiro, também. O pessoal gostava daqueles lances legais. Aqui, há o compromisso de achar a melhor batida e a melhor defesa”.

Em meio às mudanças, o esporte segue atendendo a todos os públicos. Em Copacabana, há alunos de 82 anos, mas também de sete – curiosamente, a mesma idade que o primeiro tinha no contexto da criação do esporte, em 1945, naquela mesma praia que, apesar de também receber as novas gerações, é escolhida, majoritariamente, por pessoas com mais idade. “Aqui tem essa cultura do público mais experiente, mas em alguns lugares, como Rio das Ostras e Barra da Tijuca, há um público mais jovem. A gente está conciliando. Em muitos lugares há crianças jogando com adultos”.

Aos interessados em começar na prática, Moraes finaliza mencionando que o frescobol não possui contraindicações, mas, como qualquer modalidade física, requer avaliação médica antes de ser iniciada.