Luisa Lins

     Devido ao isolamento social ocasionado pela pandemia de COVID-19, muitos idosos tiveram que aprender a lidar com a tecnologia não apenas para se comunicar com familiares como também para usar aplicativos. As novidades geram opiniões mistas, mas uma coisa é comum a todos: a falta de habilidade com o mundo digital traz dificuldade às suas rotinas.

         Segundo Dolores Endlich, 90, há uma grande dificuldade no processo de adaptação. “Acho a internet difícil. Eu não estava acostumada com a modernidade, mas ela chegou e eu não consigo aprender. Acredito na importância que tem, mas não tenho paciência para descobrir os segredos dela”, afirma. As ligações em vídeo, por exemplo, são desinteressantes para ela: “Minha neta fica tentando me ensinar a usá-las, mas prefiro o telefone. Para mim, a internet só traz problema. Quando o mundo existia sem televisão e internet, a gente vivia tranquila. Nunca vi isso de pessoas gostarem de conversar com as máquinas. Prefiro pessoalmente, mas se não der, uso o telefone”, relata. Devido às impossibilidades oriundas do isolamento, suas contas bancárias e demais serviços do dia a dia viraram incumbências de terceiros, o que lhe incomoda: “Não gosto de que façam por mim, sempre fiz tudo. É muito chato não poder sair para ir ao banco e resolver minha vida”, reclama. 

     Por sua vez, Cícera da Silva, 74, também mostra desinteresse pela tecnologia, apesar de simpatizar com alguns dos avanços proporcionados por ela. “Não sou completamente avessa. Por exemplo, as ligações em vídeo têm me atraído e eu acho interessante porque me aproxima da família, que eu não posso mais ver com frequência devido ao COVID-19. Meus netos que me ensinam como usar. Esse recurso gera uma maior aproximação, pois eu gosto de ver e ouvir a voz. Talvez até queira continuar utilizando quando a quarentena acabar”, afirma. O isolamento tem trazido tristeza a ela, acostumada a ver sua casa cheia. “Nunca passamos por algo tão estranho como essa pandemia. Ficar longe dos amigos e da família é bem ruim. Agora, só vejo uma das minhas filhas e uma das netas, que me acompanha no banco. Antes eu ia pegar meus remédios sozinha, agora eu não posso. Meu marido, mesmo idoso, é que vai ao mercado, então eu não saio nem para isso. Tudo está muito esquisito”, afirma.

     Já para Leny Louzada, 78, a internet é muito importante para todos e para ela, que é apaixonada por fazer descobertas no mundo digital, mesmo não possuindo tanta facilidade para manusear. “Eu não sei todos os segredos da internet, mas sei sobre alguns, de pesquisa, por exemplo”. Em relação ao uso da ferramenta como maneira de contato, ela é firme: “O ideal é falar com as pessoas pessoalmente, mas como nesse período não tem como, eu prefiro o vídeo ao telefone porque além de ver e ouvir, eu posso contactar gente que está longe de mim também. Tenho família no Espírito Santo. Dessa maneira, gera uma proximidade maior. O isolamento social é bem difícil”, opina. Apesar de já habituada com a tecnologia, Leny é ajudada por terceiros para realizar determinadas ações: “Minha irmã Rosane resolve minhas contas do banco e minhas cuidadoras vão ao mercado em meu lugar. Eu me viro com o que consigo. A internet tem sido uma grande companheira”- finaliza.