Museu da Imagem e do Som

A possível interrupção da construção do Museu da Imagem e do Som (MIS) surpreendeu os usuários das redes sociais, em setembro. A suposta ausência de renovação do convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) foi noticiada na página da Sociedade Amigos de Copacabana (SAC) e a informação levou moradores do bairro a, mais uma vez, levantarem questões sobre o abandono da obra. Em paralelo, outro equipamento cultural segue em ruínas na região: o Teatro Villa-Lobos, destruído em um incêndio há nove anos e, desde então, em escombros.

A situação do MIS foi abordada pelo Jornal Posto Seis em diversas ocasiões. Na reportagem mais recente, publicada em fevereiro, foi mostrado que o Tribunal de Contas do Estado do Rio havia liberado o edital de licitação para contratação da nova empreiteira, etapa que havia sido suspensa nove meses antes. Esta etapa era necessária para dar continuidade à construção, atrasada por motivos diversos – o prazo inicial garantia que o prédio seria entregue à população no segundo semestre de 2012. A partir dessa autorização, cabia ao Governo do Estado remarcar o edital.

De acordo com a assessoria da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras, algumas empresas chegaram a visitar o local, mas a pandemia de COVID-19 suspendeu o processo. Devido à paralização das operações, o Governo do Estado estaria pleiteando a retomada das atividades, mas, para isso, depende da autorização do BID para que o empréstimo para a conclusão do prédio seja prorrogado até junho de 2022. Até o fechamento dessa edição, a resposta do órgão internacional ainda não havia sido divulgada, mas ficou prometido que, independente do resultado, o Estado buscaria recursos para o edifício, apontado pelo secretário Bruno Kazuhiro como importante não apenas para a cultura mas também para o turismo fluminense.

Diante das incertezas, as reclamações da população são inúmeras, assim como a falta de esperanças em ver o museu funcionando. “Não será surpresa se o governo do estado leiloar o prédio e no lugar, erguer um condomínio de luxo”, palpitou um usuário nas redes sociais da SAC. Seu comentário não foi o único: “Esse prédio precisa ser vendido/concedido ou ficaremos décadas com esse esqueleto. Não podemos nos iludir achando que algum governo vai terminar essa obra”, sugeriu outro. Houve até quem defendesse a antiga casa noturna que funcionava naquele endereço anteriormente: “Era melhor que mantivessem a Help”.

Teatro Villa-Lobo

Enquanto a construção do Museu da Imagem e do Som segue repleta de incógnitas, o futuro de outro espaço cultural é discutido no Leme: o Teatro Villa-Lobos. Fechado desde junho de 2010, quando o último espetáculo saiu de cartaz, sofreu um grande incêndio em setembro do ano seguinte, em meio a uma ampla reforma que modernizaria a casa, inaugurada em 1979 e transformada em uma das mais importantes da cidade. Da pompa do passado, restou apenas o nome: o local, em ruínas, está abandonado.

“É um patrimônio entregue às moscas”, critica o funcionário do departamento pessoal do Real Residence Hotel, Marcos Nunes. O estabelecimento é vizinho ao terreno e sofre diretamente com a invasão de animais oriundos do espaço, mas as principais reclamações dizem respeito à falta de segurança: “Tem uma patrulhinha da polícia aqui ao lado, mas às vezes há alguma intercorrência e ela sai. Ficamos abandonados porque não sabemos quem entra e quem sai ali. O pessoal invade”, queixa-se, criticando também a ociosidade do local: “É um lugar grande e o Rio precisa de espaços culturais ou para outras atividades”, destaca.

Atualmente, o teatro é vinculado à Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (FUNARJ). De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, foram abertas chamadas públicas em 2016 e em 2019 para manifestação de interesse pela reconstrução e gestão da casa por 25 anos, mas não houve interessados. A viabilidade de uma parceria vinha sendo estudada no começo de 2020, mas, com a chegada da pandemia, não foi possível avançar com a ideia, que deve ser retomada futuramente.