A edição de setembro do encontro “Chacrinha Poética” recebeu como convidados os concorrentes do “Concurso Garoto e Garota Down 2020”. Cerca de 40 participantes com Síndrome de Down estiveram presentes, participando da ação com manifestações artísticas diversas. O sucesso foi tanto que diversos demonstraram interesse em participar de outra reunião do mesmo grupo, o “Terça Converso”, que acontece no Teatro Gláucio Gill toda terça-feira.

    “A participação deles foi fundamental. Setembro é o mês do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Ficou claro que a inclusão é necessária. Isso é complexo na infraestrutura de uma cidade, mas quando você vê o que está a seu alcance, percebe que pode fazer com pouca coisa. Eles podem fazer tudo o que você pode fazer”, analisa o coordenador do grupo “Poesia Simplesmente” (que coordena tanto o “Chacrinha Poética” quanto o “Terça Converso”), José Diaz, que destaca alguns momentos considerados especiais: “Um menino fez uma poesia para a namorada e ela disse que queria casar com ele. Quantos de nós, chamados normais, teríamos a coragem de fazer isso na frente de todos, com tanta simplicidade?”.

     O casal em questão era Matheus Graça e Luiza Almeida, que declamaram um texto do livro “50 Poemas Escolhidos Pelo Autor”, de Silvio Ribeiro de Castro (que integra o “Poesia Simplesmente”). A mesma linha poética foi adotada por Marcelly de França, que apresentou “Meu Amor”, de sua autoria. Athos Farinhas também recitou uma poesia após cantar com Vivi Santos. Outra música foi escolhida por Maria Clara Celestino, que entoou “Advogado Fiel”, da cantora Bruna Karla, aos presentes. Até textos religiosos foram transformados em arte: Kelly Sabrine Kuns levou ao público um trecho da Bíblia.

       A parceria foi aprovada pela administradora do parque, Dalva Braga, que lamenta que os demais eventos relacionados ao concurso tiveram que ser transferidos para o Clube Mackenzie, no Méier, devido ao mau tempo: “O parque é aberto para fazerem o que quiserem, mas nas duas vezes que marcaram, choveu. O ‘Poesia Simplesmente’ vem aqui há mais de um ano. Converso com eles que quanto mais coisas para cá, melhor”, solicita, lembrando que, no passado, foram os integrantes que impediram o terreno de virar um espaço imobiliário (na década de 1980, o futuro da área de lazer esteve ameaçado). “Não foram políticos e sim eles que foram para a rua e conseguiram criar essa unidade de conservação”.

    Ela acrescenta que outras ações voltadas ao público com necessidades específicas já são desempenhadas no local: “Faço um trabalho com crianças especiais com uma turma de 25 alunos da Escola Municipal Alencastro Guimarães. Elas vem passar o dia. É prazeroso e deu super certo! Elas passam uma energia muito positiva, é muito bom quando elas vêm. A gestão do parque curte muito a vinda delas”, elogia, acrescentando que o grupo já contava com a presença do menino Abhay Zukoski, apontado como o mascote dos encontros e que é cadeirante. “Ele está com a gente há um tempão!”.

     O concurso “Garoto e Garota Down 2020” é promovido pelo movimento “É Nós Na Fita”, dirigido por Cheila Felton. Há algumas edições, ela tem participado do “Poesia Simplesmente”, onde teve a oportunidade de apresentar seu trabalho aos poetas. Surgiu, então, o convite para levar os integrantes da competição para se apresentarem no Parque da Chacrinha. Dos 80 inscritos, aproximadamente metade compareceu. “Estou tão agradecida! Era uma coisa muito pequena e cresceu tanto”, ressalta, destacando ainda não ter patrocínio para dar continuidade à ação, bancada, até então, com seu próprio dinheiro. “Não ganho nada! Trabalho só com amor!”, diz, lamentando que a única fonte de verba do seu projeto era o brechó montado nas feiras recentemente proibidas pela Prefeitura. “Não faço dinheiro há quatro meses”.

  A votação segue até 20 de dezembro através no Facebook do “É Nós Na Fita” (https://www.facebook.com/Movimento-É-NÓS-NA-FITA-110612786983572) ou nos eventos nos quais o grupo está presente – no dia 29 de setembro, Cheila estará no Clube Israelita Brasileiro, em Copacabana, arrecadando votos. A ação acontece com apoio do Brownie da Polly, da Ótica Família Visão e da empresa Margot Dray Eventos, além da parceria com a dançarina Lu Rufino, que é cadeirante.