Copacabana recebeu o primeiro jardim de chuva em área pública do Rio de Janeiro. Instalado na Rua Almirante Gonçalves, o modelo replica outras instalações ao longo do mundo, servindo de solução para possíveis alagamentos em dias chuvosos. A novidade visa aumentar a permeabilidade do solo com a absorção e a retenção da água da chuva e foi construída pela Prefeitura do Rio, por meio da Superintendência Regional da Zona Sul e da Fundação Parques e Jardins (FPJ), em parceria com os condomínios do logradouro.

O plantio foi a última etapa do novo urbanismo da via, até então sem acesso à Av. N. Sª de Copacabana. Na obra da abertura ao tráfego, os ralos, até então implementados como única estratégia para escoar a água empoçada, foram preteridos dando espaço à técnica. Apesar de o local ter sido preparado no começo de fevereiro, apenas em março recebeu as canaletas necessárias para garantir o funcionamento. A expectativa é que ele tenha tanto sucesso quanto o outro já existente no Rio: desde setembro, a Fundição Progresso, no Centro, conta com uma unidade, que teve êxito em todos os temporais desde então.

Os jardins de chuva têm como característica serem rebaixados em relação ao nível da rua, sendo conectados a elas através de canaletas no meio-fio, que permitem a passagem da água para o
“compartimento”, onde a vegetação é plantada e mantida de maneira autossustentável. Dessa forma, é uma medida cada vez mais usada em regiões secas, já que devolve o verde e a umidade, e em áreas úmidas, pois reduz enchentes. Em Copacabana, coube à FPJ doar exemplares de pitangueiras, clusias, guriris, lantanas, russelias e grama amendoim, todos cultivados na área.

A tecnologia é inspirada na criada pelo Zephaniah Phiri Maseko, conhecido como o homem que “planta chuva”. Morador de uma região semiárida do Zimbábue, desempregado e sem dinheiro, ele transformou a escassez de água em uma solução para alimentar sua família: ao observar o curso da água, ele plantou espécies que precisavam de mais irrigação nos lugares mais fundos e as que necessitavam de menos, na parte elevada, transformando seu quintal em um reservatório e, consequentemente, enchendo os poços das propriedades vizinhas. O método foi adaptado e tem sido empregado em ambientes urbanos. No Brasil, a cidade de São Paulo foi a pioneira, com jardins sendo construídos desde 2012.