Na continuação das homenagens às mulheres no mês de março, o Jornal Posto Seis segue publicando histórias marcadas por exemplos de superação, mostrando a força feminina presente em suas vidas. Nessa edição, é narrada a trajetória de Elisângela da Silva Oliveira Pimenta, referência em gestão de pessoas.

Filha de trabalhadores de lavoura, assim como muitos brasileiros deixou o interior do país para tentar a sorte na cidade grande. Carioca de nascença, Elis Pimenta, como é conhecida, foi morar, ainda bebê, no interior de Minas Gerais, e por lá ficou até seus sete anos. Ao voltar para o Rio de Janeiro com a família, enfrentou problemas que fariam muitas pessoas desistirem de buscar sucesso na vida. Com o pai, José Alves, passando mais tempo desempregado que trabalhando, as dificuldades começaram a aparecer. Em decorrência do desemprego, ele viu no álcool um desafogo para seus problemas e as consequências dessa frustração eram visíveis em hematomas na esposa e filha.

Com o falecimento de Alves por cirrose hepática, a jovem saiu de casa e foi em busca dos seus sonhos. Começou a trabalhar como recepcionista em um escritório de contabilidade e foi nesse emprego que descobriu a paixão pela área, onde se formou. Hoje, além da formação em Ciências Contábeis, Elis é bacharel em Direito; pós graduada em Perícia Judicial com docência em ensino superior; MBA em liderança e coaching para gestão de pessoas, além de ser palestrante de alta performance, formada pela Febracis e Flórida Christian University.

Além da infância difícil, Elis também sofreu com o preconceito em alguns momentos de sua vida. Em seu primeiro emprego, recebia menos que os homens que faziam a mesma função que a dela, e por isso, rebatia ao invés de ficar calada. Em 2009, o machismo novamente interferiu na sua jornada ao decidir se separar do marido e levar sua filha consigo. Hoje viúva, ela conta que seu ciclo de amigos a julgou pela decisão do divórcio. “São as próprias amizades que discriminam. Os maridos das minhas amigas não gostavam que elas saíssem comigo por achar que mulher casada não deve sair com solteira. As pessoas fecham os olhos para as mentiras que ocorrem dentro do casamento e preferem viver essa vida de mentira por medo de ficarem sozinhas”, conta.

Apesar de sofrer com essa segregação, esse assunto lhe acompanhava desde sua infância. Naquela época, sua tia, que possuía uma vida estável financeiramente, não deixava que Elis brincasse e convivesse com sua filha, simplesmente por não terem a mesma classe econômica. “Ela não deixava que minha prima tivesse contato comigo porque meu pai era alcoólatra e minha mãe começou a trabalhar como doméstica”, relata.

Hoje, mais focada na área de coaching, dá palestras motivacionais para quem busca a ascensão profissional e pessoal. Seu propósito é transformar vidas aumentando a autoestima das pessoas, usando em seu discurso sua própria história de superação e perseverança. ”O que eu faço é potencializar e conscientizar as pessoas, mas desde que elas queiram. Sua atitude vai mudar você, não as minhas. Minhas atitudes não foram devido aos diplomas, não foi MBA, não foram as agressões do meu pai, foi o meu querer”, conclui.