Luísa Lins

      A persistência é uma característica forte de Evelyn Rosenzweig. Presidente da Associação de Moradores e Amigos do Leblon (Amaleblon) e da Associação Comercial do bairro, ela viabilizou o programa Leblon Presente, cujo idealizador é o Coronel Fellipe Gonçalves, que ficou durante 4 anos atuando como coordenador. A ideia do projeto a interessou e, acreditando que pudesse gerar mais proteção para a área, ela se dedicou. Evelyn inspirou-se em outras regiões onde iniciativas semelhantes já atuavam, como, por exemplo: Centro, Méier e Aterro.
     O Leblon Presente foi criado em 2018, financiado pelo Governo do Estado. É composto por 50 policiais militares, agentes civis egressos das Forças Armadas e Assistentes sociais, que atuam contra furtos e outros tipos de delitos que acontecem com mais frequência na região.

     “Sou advogada, mas sempre me interessei pelo trabalho dos policiais. Como moradora e, posteriormente, presidente da associação, comecei minha participação na iniciativa pelas circunstâncias de violência da localidade. Percebi que apenas o efetivo do 23° BPM não estava dando conta de administrá-la” – afirma. Para ela, o Leblon não sofre grandes problemas, mas os existentes são recorrentes, já que continuam sem solução.

     Evelyn explica que no governo anterior não havia cargo de coordenação do programa tão delimitado, mas quem estava mais a frente do projeto era o próprio idealizador Coronel Fellipe Gonçalves. Entretanto, com o governo de Wilson Witzel, eleito no ano de 2019, as ocupações ficaram mais definidas. Sendo assim, quem assume hoje o lugar do Coronel, é o superintendente da Operação Presente, Major Carlos Eduardo Falconi.
     Rosenweig explica um dos grandes problemas do Leblon Presente: o custo da mão-de-obra é caro. Os agentes fixos são oficiais da PM e o resto do efetivo são PMs nos dias de folga, cujo salário é 40% a mais do que a hora paga pela PM nos dias comuns. O pagamento é feito no mesmo contracheque mensal do policial.
     “Outro grande problema é a falta de preparo, pois, diferentemente dos policiais militares que atuam em batalhões, o treinamento da equipe do programa é distinto. Eles tem uma elaboração voltada para a relação mais direta com a população, contando com ideias focadas em pedagogia e psicologia. Essa forma de capacitação, por não ser a tradicional, torna o processo de contratação mais rigoroso. Com a mudança de gestão, o programa perdeu o espírito de liderança que o Coronel Fellipe Gonçalves tinha com a tropa” – completa.
     Ela conta que, desde que o projeto começou, as maiores reclamações referem-se à população em situação de rua e à carência de policiamento do local. Devido à falta de instrução dos moradores sobre as atribuições dadas aos policiais nesses cargos, constrói-se determinada ideia em relação aos agentes. Quando este imaginário não é correspondido, a PM perde a credibilidade. Apesar de o esforço pela melhoria do projeto ser constante, Evelyn afirma que o resultado é eficaz. Segundo dados da 23ª Área Integrada de Segurança Pública (responsável pelos bairros do Leblon, Lagoa, Ipanema, Gávea, Rocinha, São Conrado, Jardim Botânico, Vidigal e Arpoador), o Leblon apresentou uma diminuição de vítimas por roubos cometidos na região em março de 2019, três meses depois da criação do programa no bairro do Leblon.
     Para ressaltar o sucesso, Evelyn frisa que no primeiro dia de implementação, oito mandados de prisão que ainda não haviam sido cumpridos, passaram a ser. “Continuo lutando para que Leblon Presente intensifique a política de proximidade entre a po pulação e as autoridades, porque isso dá voz a sociedade nas decisões sobre o projeto” – finaliza.