Ana Paula Villar (Foto: Divulgação)

Foi de maneira despretensiosa que Ana Paula Villar descobriu o que iria mudar a sua vida: a atividade de  manicure. Hoje, aos 44 anos, Villar é a profissional mais conhecida do Brasil, com 1 milhão de seguidores em apenas cinco anos de canal no Youtube e mais 400 mil no Instagram.

A profissão surgiu em sua vida por acaso. Mãe de dois filhos e moradora de Rocha Miranda, Zona Norte do Rio, Villar trabalhava em um escritório de contabilidade e para complementar sua renda, vendia hambúrguer em um trailer e oferecia serviço de buffet. Um dia, quando teve ajuda de uma amiga para fazer massas das coxinhas que vendia, Ana Paula retribuiu o gesto e fez suas unhas. Foi aí que tudo mudou: no dia seguinte toda vizinhança já queria ser atendida por ela. Quando se deu conta, sua popularidade era tão grande que houve a necessidade de chamar algumas outras profissionais para trabalharem na garagem de sua casa.

À medida que a demanda ia crescendo e sua equipe também, Ana Paula Villar começou a sonhar em ampliar o negócio. Nessa etapa, seu filho mais velho, designer gráfico, teve ideia de mostrar na internet os desenhos artísticos que saíam daquela garagem, o que aumentou a procura em todos os lugares do Rio. Como o atendimento era feito por ordem de chegada, as pessoas vinham de todo o lugar madrugar na porta de sua casa. Após adquirir um empréstimo, Ana Paula construiu o maior salão do bairro. Em um ano, chegou a abrir mais duas unidades, mas quando acreditava ter chegado ao auge, faliu e se afundou em dívidas – como era a manicure mais procurada, não conseguia administrar o caixa. O recomeço veio em 2015, no contexto do surgimento de blogueiras e influenciadoras digitais. Villar e sua equipe tiveram a ideia de criar um canal de manicure.

Além das dificuldades que toda profissão requer, Villar teve que superar situações de preconceito, discriminação e descaso: “Infelizmente vivemos numa realidade onde sempre vai haver gente que se acha melhor que os outros. Me orgulho muito de carregar essa bandeira que tem o sinônimo de representatividade. Sou negra, de origem humilde, filha de empregada doméstica, mãe solteira, gorda e me orgulho muito de quem eu sou, mas muitas vezes quando estou em lugares nobres, percebo nos olhares e cochichos a expressão: ‘Quem é ela?’,‘Ela é famosa?’. Algumas pessoas ainda fingem que não me veem ou só se aproximam porque fuxicaram minhas redes sociais e viram que tenho números bons”, desabafa.

Essa visibilidade inspirou uma parcela de seu público, que, a partir das aulas gratuitas no Youtube, buscou o crescimento profissional. “Muitas meninas pobres se tornam mães muito cedo e acabam tendo que trabalhar e abrir mão dos estudos e assim estacionam ou muitas vezes mudam de sonho. Quando vêem toda a minha trajetória, elas têm a certeza que também podem mudar de vida, crescer profissionalmente e também como pessoa, mesmo sendo de origem humilde,. O que mais recebo nas redes sociais ou escuto quando tenho a oportunidade de estar com elas é que, de alguma forma, mudei a vida e a visão delas, seja com um post, um vídeo, um story. Me emociono muito”, finaliza.