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Luiza Lunardi

Do Leme ao Pontal, poucas coisas são tão indispensáveis para a biodiversidade do Estado do Rio de Janeiro como o Arquipélago da Ilha das Cagarras. O local é lar catalogado de mais de 680 espécies – dentre elas, algumas só encontradas ali, ou em perigo de extinção – e completou nove anos desde que foi nomeado Monumento Natural (MoNa) pela Lei no 12.229. A data, 13 de abril, foi celebrada pelo Projeto Ilhas do Rio (PIR) em um evento com rodas de conversa que destacaram o valor das Cagarras para o ecossistema carioca.

A comemoração ocorreu na Colônia de Pescadores Z13, localizada no posto 6, com direito a bolo e convidados especiais. Uma das palestrantes presentes foi a presidente da colônia, Kátia Miranda, que ressaltou em sua fala a imensa parceria firmada entre os pescadores e os órgãos responsáveis pela MoNa Cagarras. Outra convidada presente foi a atual chefe da Unidade de Conservação (UC) das Ilhas Cagarras, Tatiana Ribeiro. O representante do PIR e um dos idealizadores da norma que promoveu o arquipélago ao status de monumento natural, Fernando Moraes, também marcou presença na cerimônia, relembrando com carinho como foi o processo que culminou na lei.

Hoje em dia, a área protegida do arquipélago abrange mais de 90 hectares, entre terra e mar, onde se tem registro, por exemplo, do maior ninhal de fragatas (Fregata magnificens) da América do Sul. Gerente de comunicação do Projeto Ilhas do Rio, ONG responsável pelas pesquisas científicas nas ilhas, Bruna Duarte relembra sobre a criação da UC, quando ainda pouco se supunha sobre suas riquezas. “Nós sabíamos só da existência das fragatas, mas não da quantidade”, conta, emendando que as descobertas posteriores eram apenas imaginação na época. “O resto a gente desconfiava, por causa de histórias que ouvíamos os pescadores contando e de fotos antigas que já tínhamos visto. Certeza mesmo, só fomos ter depois que iniciamos as pesquisas”, afirmou.

Dentre os tesouros encontrados no arquipélago, estão uma planta considerada extinta na cidade do Rio de Janeiro (Gymnanthes nervosa), uma esponja marinha rara (Aplysina caissara), e um sítio arqueológico de artigos fúnebres de índios Tupi-Guarani, datado do século XIV, antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil. “O Arquipélago das Ilhas Cagarras ainda é um refúgio intocado, uma joia. Tão perto de uma megalópole, vulnerável e sujeito aos impactos que isso poderia causar. Ainda assim, resiste bravamente e segue nos surpreendendo”, finaliza Bruna.