Chiquinha (Fotos: acervo pessoal)

A moradora de Copacabana Maria Francisca de Jesus Borges completa 100 anos em 24 de julho. Nascida em Minas Gerais, chegou ao Rio aos 17 anos, cidade escolhida por ela para viver durante toda a sua vida.
Criada numa fazenda na cidade de Paraguaçu, comia apenas alimentos frescos, o que, na visão de sua filha, Cristina Borges, é o segredo de sua longevidade. Foi ainda nessa época que fez curso de costura e passou a exercer a profissão, que, indiretamente, resultou na mudança para a então capital do Brasil.

Ao entregar um dos pedidos, em Poços de Caldas, conheceu um casal, com quem fez amizade. Eles, que moravam no Rio, a convidaram para tentar a vida na cidade e ela, destemida, aceitou. Assim que chegou, morou em um apartamento em Copacabana, antes de se mudar para Ipanema. Neste bairro, residiu em endereços diversos nas ruas Redentor, Garcia d’Ávila e Visconde de Pirajá, de onde saiu para viver na Ilha do Governador. Após dois anos, retornou à Zona Sul, onde vive até os dias atuais. “Estou aqui até hoje. Fiz amizades”, conta.

No ramo profissional, seguiu desenvolvendo sua carreira como costureira. Montou um ateliê, o “Le Rideau”, em um shopping de decoração em Ipanema, onde produziu peças variadas da moda feminina e masculina, além de vestidos de noiva. Em meio às roupas, uma encomenda tornou-se especial: coube a ela fazer as primeiras cortinas do Catetinho, residência oficial no novo Distrito Federal, três anos e meio antes da inauguração de Brasília. Esse ofício a aproximou do então presidente Juscelino Kubitschek: “Eles se sentavam no chão, porque não havia mobília, para tomar cachaça quando ele estava fazendo o apartamento dele”, cita Cristina, mencionando, ainda, os trabalhos da mãe como decoradora.

O nascimento da filha foi outra de suas conquistas. Chiquinha, como é conhecida, tinha 41 anos quando deu a luz, idade, na época, apontada como de alto risco para engravidar. “Naquele tempo, diziam que eu não ia nascer. Depois dos 30, 30 e poucos, era perigoso, mas ela insistiu e me teve de parto normal, o que foi ainda pior”, cita a herdeira, com quem a mãe vive nos dias atuais e responsável pelos passeios, antes do isolamento social: “Levo a shoppings, a churrascarias… Ela faz de tudo. Nos restaurantes, quando fala a idade, o povo fica bobo. Ela come de tudo, não tem nenhum problema de saúde”, comemora Cristina, que deu dois netos à centenária.