A Rua Roberto Dias Lopes ainda sofre com vestígios do deslizamento de terra ocorrido em 11 de fevereiro, quando parte da encosta do Morro da Babilônia desabou sobre a vila, no número 98, e o Condomínio Elias Ibrahim Maleh, no 94. O episódio ocorreu dez meses após outro no mesmo lugar e enquanto as novas obras de contenção não são finalizadas, moradores vivem com medo de novas tempestades.

A Fundação Geo-Rio, vinculada à Secretaria Municipal de Infraestrutura Habitação e Conservação, esteve no local dois dias depois e na manhã seguinte, deu início aos procedimentos, com prazo de conclusão de seis meses.  Passados dois e meio, os sedimentos ainda estavam sendo retirados dos espaços atingidos – na manhã de 18 de março, o movimento de retroescavadeiras era intenso na vila e à tarde, quatro conteineres de lamas e pedras podiam ser vistos em frente ao prédio danificado.

“As obras estão indo bem! Se forem concluídas, ficará tudo bem”, aposta, otimista, um funcionário do edifício parcialmente destruído – a área de lazer foi toda atingida. O mesmo sentimento, entretanto, não é o compartilhado por quem vive no Condomínio Estrela do Leme, ao lado da vila, de acordo com um dos porteiros. Dessa vez, o local não sofreu danos, mas em 2019, foram retirados 30 caminhões de lama da garagem.  O trabalhador informa que visando minimizar novas ocorrências, foi realizada uma obra, feita de maneira particular, que resultou em um desvio para a água não descer com tanta pressão, o que talvez tenha prevenido novos incidentes. Ainda assim, os moradores seguem apreensivos:

“O pessoal está apavorado! Quando começa a chover, já acha que vai acontecer algo pior. Todos estão transtornados mesmo!”, observa, citando que, ao serem informados sobre o prazo para concluir a nova obra, os condôminos fizeram um abaixo-assinado solicitando mais agilizade. “Ele já foi aprovado, mas é necessário esperar. Aqui não é o único caso. Há muitos outros por aí, muitos já sendo concluídos ou pela metade. Temos que aguardar o começo.  Desde o início estão apenas retirando os entulhos. Estão trabalhando para tirá-los e quebrar algumas pedras”, cita, mencionando, ainda, que a maior delas deve permanecer no local: “Os engenheiros disseram que ela não oferece tantos riscos porque é grande e para vir abaixo, não seria tão fácil. Apenas as menores deslizam porque quando ficam úmidas, escorregam mesmo, mas aquela ali é tão grande que a gente está vendo só uma parte. Ela fica bem lá em cima”.

Após o deslizamento de abril de 2019, coube também à Geo-Rio fazer obras na encosta. Naquela data, entretanto, foi realizada apenas a limpeza e a estabilização do terreno. Dessa vez, o órgão afirma estar realizando a contenção, com desmonte de blocos, cortinas atirantadas, contrafortes e canaletas.